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Jovem morre após ser baleado por policial à paisana em Vila Velha

Segundo a PM, Luan Alencar Santos e um amigo teriam tentado assaltar o militar; família contesta versão

Luan Alencar Santos, de 19 anos, morreu na madrugada deste sábado (13), em São Torquato, Vila Velha
Luan Alencar Santos, de 19 anos, morreu na madrugada deste sábado (13), em São Torquato, Vila Velha
Foto: Fernando Madeira

Um jovem de 19 anos foi morto por um policial à paisana em São Torquato, Vila Velha. Segundo a Polícia Militar, Luan Alencar Santos e um outro rapaz, ainda não identificado, teriam tentado roubar o soldado. O fato ocorreu na madrugada deste sábado (13), por volta das 2 horas.

Em depoimento a Polícia Militar, o soldado informou que a tentativa de roubo ocorreu na Rua Francisco Lacerda Aguiar, em São Torquato. Dois indivíduos, que estavam com a arma na mão e em uma moto, fecharam seu carro e anunciaram o assalto.

Diante do fato, ele teria se identificado como Policial Militar, dando voz de prisão aos dois. Como não haviam obedecido, efetuou disparos. No boletim de ocorrência, o militar informou que não sabia quantos tiros disparou e que, naquele momento, ninguém se feriu. 

 

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Os jovens, que estariam de moto no local, deixaram o veículo para trás e fugiram a pé. Luan teria se escondido embaixo de um carro a cerca de 150 metros de distância de onde começou a confusão, na rua Magno Coutinho. Já o colega conseguiu fugir.

O soldado contou que conseguiu alcançar o jovem. Naquele momento, teria dado novamente voz de prisão a Luan, que não obedeceu e ainda apontou um revólver calibre 38 em sua direção. Dessa forma, efetuou dois disparos em legítima defesa. Em seguida, chamou o Samu.

 A Polícia Civil informou que Luan teve três perfurações: duas no ombro direito e uma no tórax e morreu no local. “O militar era a vítima do fato, o outro suspeito fugiu e não foi localizado até o momento. A moto utilizada pelos dois suspeitos tinha restrição de furto e roubo, e foi recuperada. A arma utilizada pelos suspeitos foi apreendida”, disse em nota.

FAMÍLIA CONTESTA VERSÃO DE POLICIAL

De acordo com a mãe de Luan, Afonsa de Alencar Santos, 44, o filho não tinha passagem pela polícia e era uma pessoa tranquila. Ela contou que Luan saiu de casa por volta de meia noite para ir em uma distribuidora comprar bebida.

“Meu filho era um menino muito legal. Ele nunca teve problema com ninguém, nem no colégio. Todo mundo na rua vizinho, parente, nunca teve problema, só amizade”, comentou.

A mãe de Luan, Afonsa de Alencar Santos, de 44 anos, não acredita na versão do policial
A mãe de Luan, Afonsa de Alencar Santos, de 44 anos, não acredita na versão do policial
Foto: Fernando Madeira

Segundo ela, era comum o filho e os amigos beberem na frente de casa. “Eles estavam bebendo mais cedo. Resolveram sair para comprar bebida e em menos de 40 minutos isso aconteceu”, relatou.

Testemunhas disseram para a família que Luan se escondeu mesmo embaixo do carro, mas ele já tinha se entregado para o policial e não teria apontado uma arma, conforme a versão do PM. “Eu espero que seja investigado para saber o que realmente aconteceu”, afirmou Afonsa, que disse não acreditar na versão do policial. O jovem morava com a mãe e um irmão de 22 anos em Cariacica.

POLÍCIA MILITAR 

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que como é praxe em qualquer ocorrência que tenha como resultado a letalidade, o militar envolvido responderá a um processo após conclusões dos inquéritos que serão instaurados pela Polícia Civil e pela PM.

“A arma do policial, também como prática processual, será recolhida para perícia. As primeiras informações apontam que os criminosos, de arma em punho e a bordo de uma moto roubada, abordaram o policial militar, que estava de folga. Em primeira análise, a ação do policial está amparada pela legislação vigente. As apurações processuais elucidarão quaisquer outras dúvidas”, informou em nota.

O soldado prestou depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Ele saiu do local por volta das 8 horas.

ASSALTOS FREQUENTES 

Os moradores da rua Magno Coutinho, em São Torquato, Vila Velha, relatam que os assaltos são frequentes no local. A rua fica próxima ao Terminal de São Torquato e tem grande movimentação. “Aqui está tendo muitos assaltos em qualquer horário do dia. Não temos segurança”, afirma uma moradora, de 51 anos, que preferiu não se identificar.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que realiza o policiamento ostensivo em todo o bairro São Torquato, em Vila Velha. Constantes operações de saturação, abordagens, cercos táticos e pontos base são desenvolvidas na região. A PM lembra que só pode deter indivíduos em situação de flagrante delito e que, embora atividade de policiamento seja realizada, não é possível estar em todo local ao mesmo tempo. Por isso, é de extrema importância que a população auxilie acionando uma viatura, via 190, sempre que houver suspeita ou ocorrência de crime em andamento.

MÃE FALA O QUE SENTE NESTE MOMENTO 

A auxiliar de serviços gerais Afonsa de Alencar Santos, de 44 anos, contesta a versão da Polícia Militar. Ela disse que o filho caçula havia se entregado quando estava embaixo do carro. Ela relata a dor de perder um filho desta forma. 

O que ele disse ao sair de casa?

Ele saiu por volta de meia noite com um vizinho, ele estava bebendo desde cedo com os amigos e disse que iria numa distribuidora comprar mais bebida. Resolveram sair para comprar bebida e em menos de 40 minutos isso aconteceu.

Como a senhora ficou sabendo do caso?

Um vizinho contou para a família.

Como ele era?

Meu filho era um menino muito legal. Ele nunca teve problema com ninguém, nem no colégio. Todo mundo na rua vizinho, parente, nunca teve problema, só amizade.

Ele já tinha se envolvido em algum roubo?

Nunca se envolveu em problemas, não tinha envolvimento com drogas e nem passagem pela polícia. Perder um filho é muito triste, com a acusação de ter tentando roubar é ainda pior.

O que a senhora espera?

Gostaria que o caso fosse investigado. Pessoas disseram que ele estava embaixo do carro e se entregou.

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