Entrevista

Avó fala da reação ao ver neta bebê sendo agredida em creche no ES

O estabelecimento, que atualmente está com as portas fechadas, fica no bairro Maria Ortiz, em Vitória. Francisca e e a ajudante dela, Giliana Aguiar Ribeiro, de 29 anos, foram autuadas por maus-tratos

Elis Carvalho | Gazeta Online

"Senti uma coisa ruim no peito". Esse foi o sentimento de uma aposentada, de 65 anos, após ver o vídeo da neta, de apenas cinco meses, sendo agredida. O estabelecimento, que atualmente está com as portas fechadas, fica no bairro Maria Ortiz, em Vitória. 

A reportagem não irá identificar a avó da vítima para preservar a identidade da criança.

 

 

Como a senhora soube das agressões?

Minha filha falou: "Mãe, eu vou tirar a bebê da Fran porque uma senhora a gravou maltratando a menina, jogou o celular na cara da criança". Foi minha filha que falou comigo. Que a partir daquele dia não ia deixar mais minha neta naquela creche.

Como recebeu essa notícia?

Eu fiquei muito chocada. Pra quê isso? Uma menina de cinco meses... Um absurdo isso. Minha filha trabalha o dia todo como auxiliar de serviços gerais, mora no bairro Jabour e pagava R$ 350 para a Fran cuidar da nossa menina. Pagava caro e a garota ainda era maltratada. 

A senhora viu o vídeo? O que sentiu?

Vi, passou na televisão. Senti uma coisa ruim no peito. Eu nunca esperava que essa mulher faria isso. As pessoas estão falando que ela já maltratava crianças.

A senhora a conhecia?

Sim, mas há pouco tempo. Eu tenho outros dois netos que ficaram uns três anos na casa dela. A gente não desconfiava de nada. Ela era conhecida na região.

Já tinha escutado boatos sobre agressões?

Já tinha ouvido falar, mas eu não acreditava que fosse verdade. A vizinha que conseguiu filmar tudo.

O que espera agora?

Espero justiça. Ela não pode mais trabalhar com crianças.

VIZINHOS DE CRECHE JÁ DESCONFIAVAM

A desconfiança de que crianças poderiam ser vítimas de maus tratos na creche, em Maria Ortiz, Vitória, já existia antes mesmo do vídeo que flagrava uma agressão ser divulgado. O bailarino Felipe Inácio de Souza, de 24 anos, que mora ao lado da creche, contou que sempre ouviu muitos choros e gritos no local. 

De acordo com Felipe, apesar das desconfianças, nenhum vizinho interviu por não ter provas. Ele afirma que o bairro é antigo, todos os moradores se conhecem e temiam que a intervenção pudesse causar apenas fofocas e intrigas. 

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"Eu sempre ouvi crianças esperneando, a Francisca gritando com as crianças. Sempre foi assim. Nos últimos três anos que eu tive conhecimento que naquele local ela cuidava de crianças, sempre ouvi essas coisas e desconfiei. Teve uma vez que ela gritou tanto com a criança que eu quase desci pra bater na porta dela. Mas não cheguei a intervir. Eu sempre imaginei que tinha alguma violência ali e uma hora a bomba iria explodir. Dito e feito, isso aconteceu e não me surpreendeu", lamenta.

O bailarino completa que aparentemente, Francisca parecia ser uma mulher tranquila, que gostava de criança, mas os choros e gritos das crianças durante o dia fez com que ele impedisse, inclusive, de uma prima colocar a filha de 5 anos na creche.

"Falei para não colocar porque várias vezes ouvi choros, crianças querendo ir embora. Quando o caso espalhou, uma vizinha contou que a filha detestava ficar lá e sempre voltava para casa arranhada. Hoje a menina já é maior, o que me faz acreditar que isso já acontecia.  A maioria dos pais que deixavam crianças aqui eram de fora", acredita. 

A Prefeitura de Vitória informa que o local não possui alvará de localização e funcionamento como creche. O município enviará fiscais ao local para verificar a atividade exercida e intimar o proprietário do imóvel a regularizar a situação.

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