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Bancária do ES integrava esquema para saquear contas milionárias

Bancária do ES integrava grupo que aplicava golpes por todo o país

A ponta de um grande esquema, que estaria aplicando golpes em todo o país para desviar dinheiro de idosos e de heranças milionárias, foi descoberto no município de Montanha, no Norte do Estado, após ter conseguido roubar R$ 430 mil de uma conta corrente.

A investigação do esquema foi detalhada ontem em reportagem do Fantástico, da TV Globo, feita em parceria com o jornalista Mário Bonella, da TV Gazeta.

 

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O esquema descoberto no interior do Espírito Santo também tentava aplicar golpes em outros Estados do país.

Na fraude, uma idosa da cidade de Montanha, se passando por uma milionária de 92 anos, foi ao Banco do Brasil com um outro golpista, que fingiu ser seu sobrinho. Com documentos falsos, eles conseguiram fazer duas ordens de pagamento para a quadrilha. A verdadeira dona da conta é doente, tem Mal de Alzheimer, quase não fala e nem sai de casa. Uma familiar da vítima disse à polícia que a conta era de uma aplicação que a idosa não mexia há anos e que só ficava parada, rendendo.

A partir deste caso, de março deste ano, a polícia começou a investigar e descobriu que o esquema era usado para desviar dinheiro de contas bancárias milionárias, algumas delas com mais de R$ 30 milhões. Além de idosos, as principais vítimas eram pessoas responsáveis por espólios, que são aquelas que guardam dinheiro de herança antes da partilha.

Gizelle confessou o crime dentro do carro da polícia
Gizelle confessou o crime dentro do carro da polícia
Foto: Reprodução/TV Globo

“É pela facilidade de a pessoa idosa não acompanhar tanto a conta, do espólio também às vezes não ter um advogado tão presente para estar acompanhando”, afirmou a delegada Rhaiana Bremenkamp.

A polícia afirma que a assistente de negócios do Banco do Brasil, Gizelle Lopes Brito, de 34 anos, que trabalhava na agência bancária de Montanha, também estava envolvida no esquema e a participação dela era fundamental. Por cada transação criminosa, a quadrilha prometeu que ela receberia de 5% a 25%.

DISFARCE

Em uma das ocasiões, o disfarce não convenceu, e Gizelle reclamou que o bandido disfarçado de correntista não parecia um milionário. Ela e outros integrantes da quadrilha davam instruções às pessoas que atuavam como falsos correntistas.

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“Arruma ela direitinho. Uma senhora que tem um dinheirão na conta não vai andar toda de qualquer jeito”, recomendou à mulher que se passou por milionária, em um áudio obtido pelo Fantástico.

“Tem que ser uma pessoa descolada, inteligente, não falar demais, falar só o necessário”, disse outro membro do grupo na gravação obtida pela reportagem.

NO BANCO

Quando os golpistas chegaram ao banco, Gizelle acessou a conta milionária e conseguiu trocar a senha. Depois, acompanhou tudo no caixa, para garantir a conclusão do golpe de R$ 430 mil.

Além de ajudar golpistas na hora de movimentar a conta no caixa do banco, de acordo com a polícia a funcionária também tinha o papel de buscar novas vítimas para o golpe.

OUTROS ESTADOS

Usando o sistema do banco de Montanha, ela procurou contas em todas as regiões do Brasil. Ao todo, ela acessou 87 contas milionárias, a maioria de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Depois, ela repassava para a quadrilha as informações do correntista e quanto ele tinha na conta.

“A principal participação dela era verificar os extratos da conta. E isso não é uma tarefa comum à função dela. Chamou muito a atenção do banco”, afirmou a delegada Rhaiana Bremenkamp.

A polícia descobriu que o próximo passo dos golpistas seria em Brasília, onde iriam tentar roubar uma conta de R$ 43 milhões.

CALOTE

Apesar de o golpe dos R$ 430 mil ter dado certo, segundo as investigações a funcionária e as outras pessoas que participaram diretamente da fraude acabaram não recebendo nada. Eles foram orientados a transferir o dinheiro para uma conta de uma empresa de Contagem (MG).

A reportagem do Fantástico foi até o local, mas a empresa, que seria dos chefes da quadrilha, não existe.

PRISÃO

No dia 23 de abril, uma outra idosa, também encenando, foi ao mesmo banco em Montanha, junto ao mesmo rapaz, como acompanhante. No entanto, desta vez o golpe não deu certo, pois a conta milionária da idosa com Alzheimer já estava bloqueada.

Neste dia, parte da quadrilha foi presa, inclusive a idosa que fingiu ser uma milionária de 92 anos – no primeiro golpe. Ela tem 75 anos e confessou tudo. Disse que receberia R$ 10 mil para se passar pela verdadeira correntista. A outra senhora ainda não foi identificada.

Na última segunda (13), a funcionária do banco e mais quatro pessoas foram presas. Gizelle confessou o crime à polícia.

O Banco do Brasil informou que “mantém estrutura para a prevenção a fraudes e pode detectar a atuação de golpistas por meio de sistemas e soluções de segurança”.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destacou que “todos os bancos mantêm equipes que atuam exclusivamente no combate a esse tipo de crime. E treinamentos são realizados periodicamente”. (Com informações do Fantástico)