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Ciclista já havia dado bicicleta quando foi morto em ponte de Vitória

Carlos Renato Souza, 45 anos, trafegava pela Cinco Pontes quando foi abordado por criminosos

Ciclista morreu após reagir a assalto na Cinco Pontes
Ciclista morreu após reagir a assalto na Cinco Pontes
Foto: Elis Carvalho

Um ciclista, identificado como Carlos Renato Souza, morreu após reagir a um assalto na Cinco Pontes, na Ilha do Príncipe, na tarde desta terça-feira (14) e, de acordo com testemunhas, um dos criminosos atirou no homem mesmo depois de conseguir levar a bicicleta.

Após sair do trabalho, no Centro de Vitória, onde atuava como analista de sistemas, Carlos Renato  seguiu em direção a Vila Velha, onde morava. Segundo investigadores da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), era por volta das 17 horas quando a vítima passou pela passarela da Cinco Pontes, destinada para pedestres e ciclistas.

Para a polícia, testemunhas relataram que, ao passar pela passarela, Carlos Renato foi abordado por dois homens que estavam em uma bicicleta. Eles anunciaram o assalto, apontado a arma para o ciclista e exigindo a bicicleta dele. Populares contam que, nesse momento, a vítima reagiu, segurando na arma do bandido. Os dois iniciaram uma luta corporal e o criminoso fez o primeiro disparo, que não atingiu a vítima. Assustado, o analista de sistemas entregou o veículo ao bandido que estava armado.

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O assaltante fugiu na bicicleta do ciclista enquanto o outro seguiu no próprio veículo. O bandido que estava na bicicleta da vítima virou para trás e, mesmo após concluir o roubo, fez o segundo disparo, que acertou Carlos Renato no pescoço. O tiro transfixou na nuca e o analista de sistemas caiu. Foi quando o criminoso armado gritou para o comparsa pegar a bolsa do ciclista. O cúmplice obedeceu a ordem e os dois fugiram levando os pertences de Carlos Renato.

Carlos Renato Souza
Carlos Renato Souza
Foto: Reprodução | Facebook

Moradores afirmaram que assaltos naquela região são constantes. Um técnico de informática, de 36 anos, relatou que há três meses também teve a bicicleta roubada quando passava pelo local. Ele afirmou que é comum ver assaltantes ou suspeitos em cima da ponte esperando pelas vítimas.

O corpo do ciclista foi levado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. Carlos Renato deixou esposa e dois filhos.

O QUE DIZ A PM

Questionada sobre o policiamento na região, a Polícia Militar informou que realiza constantes operações na região da Ilha do Príncipe, como pontos de base e abordagens, além do policiamento ostensivo de rotina, com patrulhamento dia e noite.

"O comando da 2ª Companhia do 1º Batalhão, responsável pelo policiamento da Ilha do Príncipe, lembra que está a disposição da comunidade para juntos planejarem ações de policiamento para o local, e ressalta que é de extrema importância que toda ocorrência no local seja registrada via Ciodes (190), pois o reforço no policiamento é feito de acordo com o mapa do crime", disse em nota.

ORAÇÃO NO CONVENTO DA PENHA

Após tomarem conhecimento sobre o caso, um grande grupo de ciclistas se reuniu no Convento da Penha, em Vila Velha, onde o Frei Paulo fez uma oração em memória da vítima.

"A notícia que chegou nos deixa inquietos, nosso coração sente quando alguém parte vítima dessa terrível violência. Queremos trazer presente neste pedal desta noite o companheiro que perdeu sua vida nesta tarde na Cinco Pontes. Nos perguntamos: quanto vale a vida para alguém?", indagou o Frei antes de começar uma oração.

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"ESTAMOS ARRASADOS, A FICHA NÃO CAIU"

Com lágrimas nos olhos, um amigo do ciclista Carlos Renato Souza, 45, que não quis se identificar, falou um pouco sobre a vítima.

Quem era o Carlos Renato?

Era uma pessoa maravilhosa. Ele trabalhava com informática, como analista de sistemas. Era casado, tinha dois filhos, com cerca de 9 e 3 anos. Um cara novo, 45 anos. Era trabalhador, ótima pessoa. Um super pai e amigo. Isso pegou todos de surpresa, estamos arrasados. A ficha não caiu. É muito difícil (choro).

 Era comum que ele fizesse esse trajeto de bicicleta?

 Sim. Todo dia ele ia e voltava do trabalho de bicicleta. Ele sempre fez aquele trajeto. Trabalhava no Centro de Vitória e ia para casa, em Vila Velha. Esse caminho ele fazia em uns 15 minutos. Era perto.

 Ele já havia comentado sobre medo da insegurança ali?

 Nunca comentou comigo nada sobre insegurança. Há anos que ele faz esse trajeto e nunca teve problema. Eu lembro que desde 2014 ele já ia trabalhar pedalando. Era uma bicicleta normal, se custava mil era muito. Era bonita, mas antiga. Nem era nova. Acho que o Carlos pode ter se assustado. Talvez nem fosse a intenção reagir. Era de dia. Ali é um local onde a vítima não tem para onde correr. Ou ela pula na água ou vai para o meio da pista. Infelizmente ele será mais um na estatística.

Como ficaram sabendo?

Um amigo nosso que é policial que ficou sabendo, foi no DML e viu a foto. Ele mandou a foto para nós e não tivemos dúvida.

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