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ES: presos por roubo a banco viviam em sítio com piscina e cavalos de raça

Comparsas deles já haviam se dado mal: um foi preso em janeiro, outro morreu fugindo. Um terceiro está foragido

Delegacia Patrimonial: uma pessoa ainda está foragida
Delegacia Patrimonial: uma pessoa ainda está foragida
Foto: Edson Chagas/Arquivo

Um dos integrantes da dupla carioca presa em Vila Velha por roubo a banco em Guarapari, Jocimar Sales Nascimento, estava em um sítio, na região rural de Vila Velha, onde a polícia descobriu que o grupo contava com várias regalias.

Além de Jocimar, Marcos Netto Rocha foi localizado em uma rua do bairro Coqueiral de Itaparica, na quarta-feira, em um carro com um brasão falso, do Poder Judiciário. Em janeiro outro comparsa, Denilson Moreira Balbino foi preso, em janeiro, em Minas Gerais. Já Bruno Mendonça, um quarto integrante, conseguiu fugir.

Depois de uma denúncia, a polícia chegou na propriedade onde estavam Jocimar e Bruno. No local, foram encontrados documentos falsos e uma arma. Bruno conseguiu escapar antes da chegada da polícia, ao sair do local cerca de 40 minutos antes da operação, para levar a esposa em um hospital.

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“Pela quantia que eles roubaram tinham como arcar com as regalias. O imóvel tinha piscina, churrasqueira, cavalos de raça. Eles teriam outras propriedades, não ficavam sempre em Vila Velha”, explicou o delegado.

O CASO

A Polícia Civil identificou e prendeu dois homens suspeitos de arrombarem uma agência bancária, no Centro de Guarapari, em dezembro do ano passado, e fugirem com R$ 600 mil. Marcos Netto da Rocha, 48 anos, e Jocimar Sales do Nascimento, 49, são apontados pela polícia como integrantes de uma quadrilha especializada em roubar bancos e cargas em diversas cidades do país.

Nas investigações, a Delegacia de Roubo a Bancos identificou ainda que Jocimar e outro integrante da quadrilha, Denilson Moreira Balbino, 45 anos, que já está preso desde janeiro deste ano, têm ligação com o Comando Vermelho.

Denilson Moreira Balbino, Marcos Netto Rocha, Jocimar Sales Nascimento e Bruno Soares Nascimento (foragido)
Denilson Moreira Balbino, Marcos Netto Rocha, Jocimar Sales Nascimento e Bruno Soares Nascimento (foragido)
Foto: Divulgação | Polícia Civil

Além de Denilson, Jocimar e Marcos, outros dois criminosos ligados ao bando foram identificados, sendo que Júlio César Oliveira Manoel morreu no final do ano passado, quando tentava fugir da polícia durante um roubo de carga em Minas Gerais.

O quinto suspeito é Bruno Soares Mendonça, conhecido como Leite Ninho, 31 anos, que está foragido. Contra ele existem quatro mandados de prisão em aberto: dois por roubo de carga, um por homicídio e o último por roubo a banco.

SEQUÊNCIA

O titular do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Romualdo Gianordoli, explicou que a polícia conseguiu chegar até o grupo depois de uma sequência de acontecimentos.

No dia 5 de dezembro, uma carga de um frigorífico é roubada em Colatina, região Noroeste do Estado. Três dias depois, em de dezembro, a quadrilha arromba e furta o banco em Guarapari.

Já no dia 10 de dezembro, a carga roubada em Colatina é apreendida no município de Leopoldina, em Minas Gerais. Junto com a carga, havia R$ 22 mil em moedas de um centavo. Neste dia, Júlio César tenta fugir da polícia e acaba morrendo após cair do caminhão e bater com a cabeça.

O ESQUEMA

Para invadir o banco, os criminosos decodificaram o alarme do portão eletrônico da agência e depois entraram pelos fundos do local em uma Fiorino branca. Na sequência, eles rompem a grade da báscula da cozinha do banco. Depois disso, Jocimar, Júlio César e Denilson ganham acesso ao interior da agência.

Dentro do banco, eles se dividem: Júlio César e Denilson vão para o cofre e Jocimar segue para a sala de controle para desarmar o alarme e desligar o sistema de videomonitoramento da agência. Toda a ação dura cerca de quatro horas.

Do lado de fora, em uma Strada branca, Bruno e Marcos dão apoio aos comparsas. “Eles se utilizaram de uma estratégia comum em crimes como este. O Bruno e o Marcos participaram como batedores. Eles vão na frente, para se certificarem que ninguém será preso e para dar cobertura no roubo”, explica Romualdo.

INVESTIGAÇÃO ENTRA EM NOVA FASE

O Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) investiga agora o esquema de lavagem do dinheiro roubado em uma segunda fase da operação. Quatro integrantes da quadrilha são do Rio de Janeiro. Apenas Bruno Soares Mendonça, que continua foragido, é do Espírito Santo.

O delegado titular do Deic, Romualdo Gianordoli afirma que os criminosos eram donos de supermercados e transportadoras que funcionam de fachada para o esquema.

“Existia um esquema de lavagem de dinheiro. Eles tinham supermercados e uma transportadora no Rio de Janeiro. É uma ampla rede para escoar a mercadoria roubada e o próprio dinheiro. Essa quantia está sendo sempre lavada e vamos fazer uma segunda fase para descobrir como era lavado esse dinheiro e de que forma esse dinheiro era transformado”.

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