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Mulher agredida pelo companheiro no ES fala sobre crime pela primeira vez

Rauliane Souza Silva passou por três cirurgias de reconstrução no rosto após ser brutalmente agredida pelo companheiro; o suspeito foi preso nesta terça-feira (21)

Rauliane falou pela primeira vez sobre a agressão em entrevista exclusiva ao repórter Luiz Zardini, da TV Gazeta Norte
Rauliane falou pela primeira vez sobre a agressão em entrevista exclusiva ao repórter Luiz Zardini, da TV Gazeta Norte
Foto: Reprodução / TV Gazeta Norte

“Ele é um monstro. A cadeia pra ele é pouco, ele quase tirou a minha vida. Quase me impediu de sustentar os meus filhos. Ele merece ficar na cadeia. Que a justiça seja feita”, essas são as palavras da jovem Rauliane Souza Silva, de 25 anos, que recebeu alta hospitalar depois de passar dez dias internada após ser brutalmente agredida pelo companheiro no último dia 11 de maio, na casa da sogra em Sooretama, no Norte do Estado. Ainda se recuperando na casa da mãe, em Linhares, a jovem falou pela primeira vez sobre a agressão em uma entrevista exclusiva ao repórter Luiz Zardini, da TV Gazeta Norte.

Ao relembrar os momentos antes de ser agredida pelo companheiro, a jovem conta o que aconteceu: “Ele tinha muito ciúmes, então, eu entrei pra dentro e falei com ele que já não dava mais certo a gente viver. Ele já tinha me batido mais cedo, antes de ter acontecido aquilo, e depois eu não me lembro de mais nada”, relata a jovem.

Rauliane contou que durante a agressão foi constantemente ameaçada: “ele falou que não iria me largar, só depois da morte e se eu largasse ele ou se ele fosse preso um dia, ele saía e matava eu e minha mãe”, relata.

Com um comportamento ciumento e agressivo conforme relato da jovem, essa não foi a primeira agressão sofrida por ela. Em relacionamentos anteriores, o companheiro dela já tinha agido da mesma forma com outras mulheres. “Não fui a primeira mulher que ele faz isso não. Tem mais. Ainda tem gente que fala que só foi umas porradas que ele me deu, mas as outras levou facada, levou tiro e não teve a coragem de falar”, conta ela ao comentar as agressões.

A jovem revelou que já foi agredida outras vezes, mas questionada sobre o motivo de não ter denunciado antes, a jovem revela as constantes ameaças: “Eu nunca cheguei a procurar a polícia porque ele ameaçava matar minha mãe, então eu nunca procurava a polícia, sempre apanhava calada. A gente sofre muito, porque a gente não quer perder a mãe da gente, só que ele quase tirou a minha vida, de tanto eu ficar escondendo isso tudo da minha família”.

Após ser agredida, Rauliane foi atendida no Hospital Geral de Linhares e transferida para o hospital Silvio Ávidos, em Colatina, referência em tratamento de traumas. Ela passou por três cirurgias de reconstrução dos ossos da face e ainda se alimenta e conversa com dificuldade.

AGRESSOR NA CADEIA

O suspeito de ter agredido Rauliane, Joelson da Silva Santos, de 30 anos, foi preso na tarde desta terça-feira (21), na casa da mãe dele, mesmo local onde aconteceu as agressões. Ele foi ouvido na Delegacia Regional de Linhares e encaminhado para a Penitenciária Regional da cidade onde vai ficar preso. Em nota, a Polícia Civil disse que o suspeito teve o mandado de prisão expedido pela 1ª Vara Criminal de Linhares pelo crime de tentativa de feminicídio.

Sobre a prisão do agressor, Rauliane disse que espera justiça: “Eu espero que a justiça seja feita e que Deus cobre tudo isso que ele fez comigo, que ele apodreça lá na cadeia, pra ele sentir na pele como é bom ficar num hospital sem poder comer. Ele não está sofrendo nada ainda, eu quero mais, eu quero que todo mundo faça justiça”.

 Rauliane Souza Silva teve o rosto desfigurado após ser agredida pelo marido
Rauliane Souza Silva teve o rosto desfigurado após ser agredida pelo marido
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Após ser mais uma vítima da violência doméstica, a jovem conta que o medo a impediu de evitar essa situação. “Eu já vi muito isso na televisão e olhava para a cara dele e tinha medo de denunciar. Mas hoje eu tenho certeza que a mulher não tem que ter medo de denunciar o homem, porque ela sofre mais, igual eu sofri. Chorava quando via aquelas mulheres com medo de denunciar o marido, igual eu, e olha o ponto em que eu cheguei. Quase perdi a minha vida com medo de denunciar. Não tenha medo, denuncie porque esses homens não são homens, são monstros”.

Rauliane se recupera na casa da mãe, em Linhares, no Norte do Estado. Ainda com restrições e sem fazer muitos movimentos com o maxilar, a jovem conta que está sendo difícil: “Está difícil, não tão difícil porque a minha família está me ajudando, mas é triste você olhar um prato de comida na mesa e não poder mastigar, ter que comer tudo no canudinho. Então eu falo para todas as mulheres, não viva com medo, não deixe chegar a esse ponto. Deus me deu uma outra vida, pra eu chegar aqui e testemunhar para as outras mulheres que sofrem calada. Não tenha medo não, denuncie. Não tenha medo. Porque hoje eu sofri, mas amanhã pode ser ela”, alerta.

Daqui pra frente, Rauliane pretende retomar os estudos e sonha com uma vida melhor. “Meus planos é voltar a estudar, terminar meus estudos e ser alguém na vida. Completar aquilo que eu não completei antes quando minha mãe me dava conselhos e eu não escutava. Agora eu vou cuidar dos meus filhos, andar com eles, passear, porque eu não andava, vivia mais presa. Hoje a gente não escuta o conselho da mãe da gente, mas amanhã as vezes é tarde. Ainda bem que hoje eu estou viva, escutei depois que aconteceu isso, porque falta de conselho da minha família não foi, falava comigo e eu não escutava, achava que era amor, nossa é meu amor, passava por cima da minha família por um homem que não valia nada, que era um monstro”, lamenta.

 

 

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