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O enterro de ciclista assassinado durante assalto em ponte de Vitória

Ciclistas fizeram um corredor com as bicicletas para o cortejo passar; sob aplausos e muita emoção, familiares e amigos carregaram o caixão de Carlos Renato

Enterro do ciclista Carlos Renato Souza
Enterro do ciclista Carlos Renato Souza
Foto: Reprodução

O corpo do ciclista Carlos Renato Souza, morto após reagir um assalto na Cinco Pontes por volta das 17h desta terça-feira (14), foi velado no Cemitério de Santa Inês, em Vila Velha, na tarde desta quarta-feira (15). O caixão com o corpo do ciclista deixou a Igreja Presbiteriana, em Rio Marinho, por volta das 15h20. Cerca de 30 ciclistas de vários bairros de Cariacica e Vila Velha - alguns que  conheciam Carlos Renato e outros que nunca o viram -  se reunirem na Igreja Presbiteriana de Rio Marinho, bairro onde a vítima e família residiam.

“O mesmo trajeto que ele fazia, eu faço. Foi ele mas poderia ser qualquer um de nós, a Cinco Pontes virou área de risco para os ciclistas. Nem ciclovias temos. Lamentável essa situação de perdermos um colega”, desabafou o ciclista e estoquista Renato Correia, que não conhecia Carlos Renato, mas foi ao local prestar sua solidariedade.

O grupo acompanhou pedalando o carro funerário com o corpo do ciclista até ao Cemitério de Santa Inês para o sepultamento, que ocorreu às 16 horas. 

 

Antes de seguir para a sepultura, os ciclistas fizeram um corredor com as bicicletas para que o cortejo passasse até à sepultura.

A esposa, a mãe, os irmãos de Carlos Renato, amigos e demais familiares assistiram ao descer do caixão após orações e palmas.

“Ele era um bom homem, uma pessoa correta. Eu tenho netinhos pra cuidar, mas eu queria ele aqui comigo. Foi de repente assim. Não era porque era meu filho não, mas era muito bom”, disse a mãe de Carlos Renato, Delma de Souza.

Sendo amparada por amigos, a esposa do ciclista não queria deixar a sepultura após o enterro. Ela estava medicada e sendo auxiliada por todos, até que saísse do cemitério.

Para uma das irmãs de Carlos Renato, a sensação de perda é incalculável. “O coração dele era muito grande. Um pai amoroso e um irmão que nos dava alegria. Tinha comprado uma casa em Rio Marinho recentemente, por isso, passamos o dia das Mães na casa dele. Foi a última vez que vi meu irmão. Espero, agora, apenas que a Justiça seja feita com quem fez isso”, desabafou Luiza de Souza, de 49 anos, a mais velha dos irmãos do ciclista morto.

 

O ciclista Carlos Renato Souza morreu após ser baleado em assalto na Cinco Pontes por volta das 17h de terça-feira (14). De acordo com um boletim da Polícia Militar, ele foi abordado por indivíduos portando armas de fogo no momento em que passava na ponte, que fica na Ilha do Príncipe. O ciclista, então, teria reagido, segundo a PM, e acabou sendo atingido por disparos.

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Os autores do crime roubaram a bicicleta que estava com a vítima e fugiram. A vítima teve o óbito confirmado no local. A perícia foi acionada. Testemunhas que conversaram com a polícia informaram que os assaltantes estavam em uma bicicleta — um pedalando e outro sentado próximo ao guidão. Populares afirmam que os criminosos anunciaram o assalto e a vítima reagiu segurando a arma do bandido.

DINÂMICA DO CRIME

De acordo com a polícia, testemunhas contaram que a vítima reagiu ao assalto segurando a arma — foi quando um dos criminosos deu o primeiro disparo. O tiro não acertou o ciclista de primeira, e a vítima acabou entrando em luta corporal com os bandidos. Após perceber que eles haviam atirado, a vítima entregou a bicicleta.

Carlos Renato Souza
Carlos Renato Souza
Foto: Reprodução | Facebook

Um dos criminosos fugiu na bicicleta da vítima enquanto o outro seguiu na própria bicicleta. O que estava na bicicleta do ciclista, virou para trás e, mesmo após efetivar o roubo, deu o segundo tiro. Com a vítima caída no chão, o criminoso gritou para o comparsa pegar a bolsa do ciclista.

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