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"O tênis mais barato dele custa R$ 600", diz mãe de jovem assaltante

José Felipe Alves da Silva Paulo, 19, detido em uma tentativa de assalto na manhã deste domingo (5), é de classe média e recebe até pensão do pai, que é defensor público. Mãe diz que filho deve pagar pelo erro que cometeu

Inspetor reage a assalto e prende dois criminosos na Serra
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Foto: Elis Carvalho

“Me perdoa! Não foi isso que almejei para o meu filho. Ele tem que pagar pelo que fez”. Foram com essas palavras e lágrimas nos olhos que Maria Julia Alves da Silva, 52 anos, desculpou-se com o inspetor penitenciário assaltado na Serra. Ela é bacharel em Direito e mãe de José Felipe Alves da Silva Paulo, 19, baleado e preso após tentar assaltar a vítima.

Na entrevista ela relata que o filho teria condições financeiras para arcar o próprio vício. O pai é defensor público, o irmão é advogado e a irmã engenheira.  "Sempre que ele me pede dinheiro eu dou, R$ 500, R$ 1 mil, que ele pedia para comprar roupa. O tênis mais barato dele custa R$ 600. Eu pago todas as contas dele. Ele poderia bancar o próprio vício sem precisar assaltar ninguém", desabafou.

José Felipe e mais um jovem de 21 anos foram detidos após tentarem assaltar um inspetor penitenciário de 33 anos na estrada que liga Bicanga a Cidade Continental, na Serra, no início da madrugada deste domingo (5). O inspetor reagiu, e José Felipe acabou baleado nas nádegas.

Por que a senhora pediu desculpas ao inspetor penitenciário?

Eu pedi desculpa porque meu filho tem que pagar pelo erro que cometeu. Qualquer cidadão que comete um crime tem que pagar. E com meu filho não é diferente. Essa vítima é uma autoridade da Sejus. E gostaria de pedir a todos que estão vendo essa reportagem, que perdoe. Peço perdão também à família do inspetor. Poderia ter sido pior. Meu filho ou o inspetor poderiam estar mortos. Agora, no que depender de mim, meu filho vai ficar preso até ser julgado.

Como soube o que aconteceu?

Hoje de manhã eu acordei na casa de uma colega. Ela falou que meu celular estava cheio de ligações. Quando olhei, tinha 46 chamadas perdidas. Eu entrei em desespero achando que meu filho estava morto. Eu liguei para o meu sobrinho e ele disse que estava na delegacia com o meu outro filho que é advogado. E contou que o Felipe havia sido baleado e preso. Eu fiquei sem chão. Agradeço a Deus por ele estar preso e não morto. E agradeço também que o inspetor esteja bem.

Ele já tinha sido detido antes?

Quando ele tinha 16 anos, nós o internamos de forma compulsória em uma clínica de recuperação em Piúma. Mas ele nunca tinha sido preso. Eu sempre soube que ele era usuário de drogas. Mas nunca imaginei que ele estivesse roubando. Meu filho em casa era um rei. O tempo todo me abraçava... Mas eu não sabia o que ele estava fazendo do lado de fora.

A senhora acha que ele precisava fazer isso?

O pai do meu filho é Defensor Público, o irmão é advogado, a irmã engenheira, eu bacharel em Direito. Ele estudou nas melhores escolas, já viajou para vários países. Temos uma família estruturada. O Felipe não tinha necessidade disso. O pai dele paga uma ótima pensão para ele. Ele ainda faz bicos como motoboy, entregando lanches, uniformizado, tudo direitinho. E sempre que ele me pede dinheiro eu dou, R$ 500, R$ 1 mil, que ele pedia para comprar roupa. O tênis mais barato dele custa R$ 600. Eu pago todas as contas dele. Ele poderia bancar o próprio vício sem precisar assaltar ninguém.

Como é para a senhora, bacharel em Direito, estar na porta da delegacia por conta do seu filho?

É uma situação constrangedora. Mas pode acontecer com qualquer pessoa. É lamentável.

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