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"Vou abaixar as portas", desabafa dono de lanchonete após arrombamento

O que não conseguiram levar, os bandidos quebraram deixando para trás um rastro de destruição.

Orlando Busatto
Orlando Busatto
Foto: Bernardo Coutinho

Trinta mil. É a estimativa de prejuízo calculada por um comerciante que teve a lanchonete arrombada, na madrugada desta segunda-feira (13), no Centro de Vitória. Criminosos invadiram e “limparam” o local, levando tudo o que podiam. O que não conseguiram levar, quebraram deixando para trás um rastro de destruição.  

Esse foi o segundo arrombamento em uma semana. "Não tem mais o que fazer. É fechar, abaixar as portas", desabafou o dono da lanchonete, Orlando Busatto, 69 anos.

Lanchonete arrombada no centro de Vitória
Lanchonete arrombada no centro de Vitória
Foto: Bernardo Coutinho

A tranquilidade dos bandidos para agir foi tanta, que eles fugiram pelo telhado do estabelecimento levando cinco botijas de gás, três ventiladores de parede, uma máquina de moer carne de 80kg, mais de 40kg de comida, televisão, microondas, além de panelas, utensílios de cozinha e boa parte do estoque de mercadorias.

O comércio fica em uma esquina da avenida Princesa Isabel. Para entrar, os criminosos arrombaram o portão de um estacionamento, que fica ao lado, depois subiram o telhado, reabriram um buraco que já tinha sido fechado no teto da lanchonete e entraram no local.

O crime foi tão planejado que eles levaram uma escada de ferro para descer o sótão e chegar na lanchonete. O dono da lanchonete acredita que a invasão tenha ocorrido por volta das 2h30.

O crime foi descoberto quando Orlando e a esposa chegaram para trabalhar, por volta das 6h30. “Assim que abrimos a porta eu notei que tinha algo errado. Estava tudo revirado, jogado no chão, quebrado. Os ventiladores não estavam nas paredes. Foi um choque”, relata a mulher do comerciante.

Ao subirem para o segundo andar da loja, que atende em média 100 pessoas por dia, para o almoço, o susto foi maior. “Levaram tudo, tudo mesmo. Abriram o freezer e pegaram cerca de 20 kg de filé de tilápia e 20kg de peito de frango, além de picolés e pacotes de bala. Roubaram os mantimentos e até a torta capixaba que a gente tinha preparado para o almoço de hoje”, conta Orlando.

SEGUNDA VEZ

Na madrugada da última segunda-feira (6), bandidos já haviam invadido a lanchonete. “O que não conseguiram levar na última vez, levaram agora. Como a televisão. Tiveram dificuldade em levá-la da última vez e por isso, quebraram a tela”, diz Orlando.

Por conta da invasão, ele decidiu instalar câmeras de videomonitoramento no local. Mas, somente parte do equipamento estava montado, o restante seria instalado nesta semana.

Mesmo com a quantidade de coisas levadas, Orlando acredita que se os criminosos tivessem conseguido abrir a porta da lanchonete, o prejuízo teria sido ainda maior.

A Polícia Militar foi acionada logo que o arrombamento foi descoberto e a ocorrência registrada na Delegacia Especializada de Segurança Patrimonial (DSP).

Orlando Busatto
Orlando Busatto
Foto: Bernardo Coutinho

"NÃO TENHO ESPERANÇA DE MAIS NADA"

Desolado, com a invasão à sua lanchonete, na madrugada de ontem, no Centro de Vitória, o comerciante Orlando Busatto, 69 anos, disse que vai fechar o comércio por não ter condições financeiras de arcar com o prejuízo causado pelos criminosos.

O que conseguiram levar?

Três ventiladores, televisão, microondas, espremedor de frutas, misteira, o computador, liquidificador, máquina de impressora fiscal, um moedor de carnes de ferro, super pesado. Foi tanta coisa que eu nem sei, estou meio tonto.

Essa foi a primeira vez?

Não. Na semana passada entraram aqui também. Levaram dinheiro e algumas coisas. O que não conseguiram carregar, quebraram. Do mesmo jeito que fizeram hoje.

Como é passar por uma situação dessas pela segunda vez em uma semana?

É muito triste, de verdade. Roubam e ninguém vê nada. Aqui, eles não roubaram na mão, levaram em carro, porque é muita quantidade. A gente não tem proteção, estamos abandonados.

O que vai fazer agora?

Não tem mais o que fazer. É fechar, abaixar as portas. Eu não tenho dinheiro para repor o que foi levado e quebrado, nem panelas para cozinhar eu tenho mais.

Vai fechar a lanchonete?

Vou. Não tem jeito. Não sei como vou fazer para sustentar minha família. Além disso, tenho duas funcionárias que vão ficar sem emprego. Não tenho esperança de mais nada.

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