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Poder de fogo de traficantes conta com fuzil, pistola e até dinamites

Traficantes que atuam no Complexo da Penha tinham um arsenal com revólveres, pistolas, fuzis e dinamites. Foram apreendidas também 894 munições de diversos calibres

Armamento apreendido no Complexo da Penha
Armamento apreendido no Complexo da Penha
Foto: Isaac Rbeiro

Traficantes que atuam no Complexo da Penha, em Vitória, mantém um arsenal com revólveres, pistolas, fuzis e até dinamites. Parte desse armamento foi apreendida durante operação realizada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, em bairros de Viana, Cariacica, Serra e Vitória.

Durante o cumprimento de 29 mandados de busca e apreensão, os policiais apreenderam sete armas: um fuzil calibre .556; dois revólveres calibre 38; um revólver calibre 36; duas espingardas, sendo uma calibre 12 e outra calibre 36; e uma pistola calibre 380. Ao todo, foram apreendidas também 894 munições de diversos calibres e quatro dinamites.

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"Realizamos apreensões de armas de alto impacto e de grande poder de destruição que estavam nas mãos de criminosos. Dentre as armas apreendidas, tem um fuzil com luneta, calibre poderosíssimo. Faremos desdobramentos dessa operação: novas prisões serão feitas e armas, munições e explosivos serão apreendidos", afirmou Roberto Sá.

O perito criminal da Polícia Civil, Gabriel Alípio, destacou que as dinamites encontradas em uma casa no bairro Sotelândia, em Cariacica, podem ter sido produzidas com chumbo, pólvora, pregos e outros elementos pontiagudos. Ele informou que uma perícia será realizada para apurar o real poder de destruição do artefato.

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"Declaração dos envolvidos indicam que os artefatos seriam usados para ataques contra rivais e forças de segurança. O material não tem características de que seria usado para explodir ou arrombar caixa eletrônico. O poder de destruição será aferido durante perícia, mas com certeza, a utilização desses artefatos causaria lesão corporal ou até mesmo a morte", explica o perito criminal.

Armamento apreendido no Complexo da Penha
Armamento apreendido no Complexo da Penha
Foto: Isaac Ribeiro

O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda destacou que a Delegacia de Investigação de Comércio Ilícito das Armas, Munições e Explosivos (Desarme), que não tem data de inauguração informada, vai contribuir para identificar a rota das armas e munições que entram no Estado.

 "O que nos chama a atenção é de que munição .556 é americana. O que quer dizer que ela transcende fronteiras. Essa munição veio dos Estados Unidos até algum país da América do Sul e então chegou ao Espírito Santo. A investigação vai dizer como entrou aqui. A Desarme vai ter um papel importante para trabalhar nessas informações", afirmou.

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SETE ARMAS ARMAS APREENDIDAS

7 armas

foram apreendidas

Um fuzil calibre .556

Dois revólveres calibre 38

Um revólver calibre 36

Uma espingarda calibre 12

Uma espingarda calibre 36

Uma pistola calibre 380

894 MUNIÇÕES APREENDIDAS

 594 munições calibre .556

180 munições calibre 12

33 munições calibre 38

3 munições calibre 36

38 munições calibre .380

1 munição calibre .50

DROGAS E EQUIPAMENTOS

4 Dinamites

foram apreendidas durante operação

15 quilos de cocaína

5 quilos de crack

25 quilos de ácido bórico

8 pacotes com comprimidos de ácido bórico

14 balanças de precisão

66 aparelhos celulares

4 dinamites

R$ 2.375 em espécie

DROGAS E ARMAS ESCONDIDAS EM SÍTIOS E CASAS

 Os traficantes do Complexo da Penha, em Vitória, estão escondendo armas, drogas, dinamites, munições e insumos em sítios e casas em bairros de Cariacica, Viana e também em outras regiões da capital que não compõem o Complexo, formado por bairros da Penha, Bonfim, São Benedito, Itararé e Gurigica.

O chefe da Divisão Especializada de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP), delegado Fabiano Rosa, explicou que a operação foi finalizada na última segunda-feira (10). Segundo ele, a investigação teve início após a operação realizada no início do mês do passado no Complexo da Penha. A ação, promovida pelas Polícias Civil e Militar, resultou na prisão de 19 pessoas.

Droga apreendida no Complexo da Penha
Droga apreendida no Complexo da Penha
Foto: Isaac Ribeiro

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"Após aquela operação, começamos a investigar quem poderia estar guardando as armas e drogas para traficantes do Complexo da Penha. Fizemos vários levantamentos, identificamos os locais e os indivíduos que guardavam essas armas, drogas e munições e representamos pela expedição de mandado de busca e apreensão, por isso, a necessidade de uma semana para cumprimento de mandado", explicou o delegado.

Para o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, as prisões e apreensões executadas pela Polícia Civil são "um forte golpe no crime organizado e no tráfico de drogas". Segundo ele, o armazenamento de armas e equipamentos fora da área de atuação é uma estratégia para não atrair a atenção da polícia.

É uma característica da organização criminosa manter determinados tipos de armamento e drogas longe do alcance e em situações que não despertem a atenção da polícia. Então, é comum eles terem paióis e em sítios longínquos para enganar a polícia. Mas nós estamos conectados com essa estratégia e inteligência no sentido de identificar e desarmá-los a qualquer preço
Delegado José Darcy Arruda

O secretário de Estado da Segurança Pública, Roberto Sá, ressaltou a capacidade de articulação e organização dos criminosos. "Esse fato mostra que realmente há uma articulação entre eles, mas para a Polícia Civil não há divisas. Vamos prender esses criminosos onde quer que seja. Fica um recado: cada vez que cometerem algum tipo de delito, podem ter certeza que serão apresentados às autoridades judiciais porque a polícia vai lá buscá-los", afirmou.

CELULARES DESBLOQUEADOS

Um especialista em desbloquear celulares roubados na Grande Vitória. Essa era a função de Philipe Ramalho Bento, 30 anos, segundo a Polícia Civil. De acordo com chefe da Divisão Especializada de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP), delegado Fabiano Rosa, Philipe ocupou o cargo antes destinado a Daril Andrade de Oliveira.

Daril foi preso no dia 6 deste mês acusado de integrar o Primeiro Comando de Vitória (PCV), organização criminosa que comanda o Complexo da Penha, na Capital. À época, ele foi apontado como um dos poucos especialistas do Estado em desbloquear celulares Iphone e IMEI - número de identificação em cada celular.

Philipe foi preso no bairro Castelo Branco, em Cariacica. Ele tem uma loja especializada na compra, venda e manutenção de celulares. Dentro do estabelecimento dele, os policiais apreenderam 66 celulares roubados. De acordo com Fabiano Rosa, responsável pela operação, as investigações apontam que Philipe recebia celulares roubados, desbloqueava e repassava os aparelhos para traficantes do Complexo da Penha.

"As investigações apontaram que Philipe adquiria aparelhos roubados e desbloqueava para os traficantes do Complexo da Penha. Com a prisão do Daril, os traficantes recrutaram o Philipe, que passou a fazer esse serviço que o Daril fazia. Os celulares serão reativados e restituídos aos proprietários", explicou Fabiano.

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