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Racha na Terceira Ponte: advogado e estudante viram réus

Ivomar Rodrigues Gomes Junior e Oswaldo Venturini Neto serão julgados por terem provocado o acidente que matou o casal Kelvin Gonçalves dos Santos, e Brunielly Oliveira

O estudante de Engenharia Oswaldo Venturini Neto (à esquerda) e o advogado Ivomar Rodrigues Gomes Júnior estão presos preventivamente.
O estudante de Engenharia Oswaldo Venturini Neto (à esquerda) e o advogado Ivomar Rodrigues Gomes Júnior estão presos preventivamente.
Foto: G1

O advogado Ivomar Rodrigues Gomes Junior, 34 anos, e o estudante de engenharia Oswaldo Venturini Neto, 22, viraram réus por terem provocado o acidente que matou o casal Kelvin Gonçalves dos Santos, 23 e Brunielly Oliveira, 17. A batida aconteceu em cima da Terceira Ponte, na madrugada do dia 22 de maio. A denúncia foi realizada pelo Ministério Público Estadual e acatada pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória, Marcos Sanches.

"Diante da comprovação da materialidade, conforme laudo de exame cadavérico das vítimas, e da existência de indícios de autoria em relação aos acusados, inclusive com individualização da conduta atribuída a cada um deles na prática do crime ali descrito, de competência deste Tribunal do Júri, o que atrai o crime conexo, recebo a presente denúncia oferecida pelo Ministério Público contra os referidos réus, em todos os seus termos", diz um trecho da decisão. 

RACHA NA TERCEIRA PONTE | A cobertura completa

PRISÃO DOMICILIAR NEGADA

O juiz Marcos Sanches negou o pedido de prisão domiciliar apresentada pela defesa do advogado Ivomar, mas o acusado deverá ser transferido para o Quartel-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória.  Ainda foi negado o pedido para que o processo tramitasse em sigilo. 

Atualmente, os acusados estão na Penitenciária Estadual de Segurança Média I. A informação é da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

O ACIDENTE

Brunielly Oliveira e Kelvin Gonçalves morreram depois que tiveram a moto atingida na Terceira Ponte
Brunielly Oliveira e Kelvin Gonçalves morreram depois que tiveram a moto atingida na Terceira Ponte
Foto: Reprodução/Facebook

O acidente aconteceu na madrugada do dia 22 de maio deste ano. Brunielly e Kelvin seguiam para Vitória em uma moto quando foram atingidos por dois veículos, um Audi 1 e um Toyota Etios. O casal morreu na hora. De acordo com a polícia, os motoristas dos carros, Oswaldo Venturini Neto e Ivomar Rodrigues Gomes Junior, praticavam um racha e teriam ingerido bebida alcoólica. 

Em depoimento, testemunhas contaram que viram os dois motoristas trafegando em velocidade incompatível com a via e em situação que caracterizava um “racha”. Segundo duas testemunhas, os veículos estavam em "altíssima velocidade e não pararam no cruzamento de uma avenida".

Além disso, uma das testemunhas informou que "a velocidade do carro de Ivomar era tão alta que fez com que o veículo conduzido por ele balançasse no momento que o carro de Ivomar passou". 

A DENÚNCIA

No dia 31 de maio, Ivomar e Oswaldo foram indiciados pela Polícia Civil, cada um, por duplo homicídio com dolo eventual e por participar de corrida ou exibição em veículo automotor em via pública. As penas para os crimes, em caso de condenação, variam de seis meses a 20 anos de cadeia para cada um.  A investigação da participação deles no atropelamento e morte de um casal de namorados na Terceira Ponte foi concluída pela delegada Fabiane Alves Coutinho.

"Há provas inequívocas nos autos de que Ivomar e Oswaldo negligenciaram o fato de que haviam ingerido bebida alcoólica e conduziram seus veículos. Há, ainda, provas testemunhais suficientes para afirmar que Ivomar e Oswaldo conduziam seus veículos em situação de competição entre amigos, com velocidades incompatíveis para a via, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada", afirmou a delegada em trecho do inquérito.

A moto trafegava na faixa da direta na Terceira Ponte, onde, de acordo com o relatório policial, circulam veículos que estão em baixa velocidade. "Logo, não faria sentido Ivomar passar em alta velocidade com seu veículo Audi pela faixa da esquerda e mudar para a faixa da direita, senão para dar continuidade à competição iniciada com seu amigo Oswaldo desde a saída da boate", pondera a delegada.

CONTA NA BOATE 

Uma comanda da boate onde o estudante de engenharia Osvaldo Venturini Neto e o advogado Ivomar Rodrigues Gomes Júnior estiveram antes do acidente traz anotações de bebidas que foram solicitadas no balcão da boate. Na parte da frente da comanda há anotação de uma água de coco e duas doses de uísque. Na parte de trás da comanda aparece uma marcação no combo de long neck.

Um outra nota de simples conferência mostra que foram pedidas seis garrafas de cerveja. A nota também traz valores na frente de cada um dos produtos. O total, incluindo outros serviços da boate, foi de R$ 389,00.

VÍDEO REFORÇOU INVESTIGAÇÃO

Imagens obtidas pela Polícia Civil ajudaram na investigação do racha que terminou com a morte de um casal na Terceira Ponte. As imagens foram obtidas com exclusividade pela TV Gazeta. A filmagem foi feita na porta da boate, em Vila Velha, onde estavam  Ivomar  e Oswaldo antes do atropelamento do casal.

CARTEIRA SUSPENSA

O advogado Ivomar Rodrigues Gomes Junior teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa três vezes entre setembro de 2011 e novembro de 2017. A reportagem do Gazeta Online teve acesso a documentos que mostram as infrações de Ivomar registradas no sistema do Departamento de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES). Consta que o advogado já foi multado por estacionar veículo em local irregular, avançar sinal vermelho, dirigir usando o celular, por excesso de velocidade e também por ter se recusado a fazer o teste do bafômetro.

As infrações atribuídas ao advogado ocorreram nos municípios de Vitória, Vila Velha e Muniz Freire. Ele está habilitado na categoria B - que permite a condução de carro - desde 24 de outubro de 2002.

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