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"Ele disse que raspou cabelo porque era troféu da jovem", conta delegada

A jovem teve os cabelos e sobrancelha raspados e ainda foi obrigada a ser filmada e andar pelas ruas sem roupa. Na delegacia, o acusado disse que raspou os cabelos da vítima porque esse era o troféu dela.

Delegada Fernanda Diniz, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam)
Delegada Fernanda Diniz, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam)
Foto: Elis Carvalho

Um homem frio que não demonstra arrependimento. Assim a delegada Fernanda Diniz, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), definiu Keuly Vinicius dos Santos Oliveira, 19 anos. O criminoso é acusado de torturar, ameaçar e manter em cárcere privado a ex-companheira, uma estudante de 18 anos.

Durante a tortura, a jovem teve os cabelos e sobrancelha raspados e ainda foi obrigada a ser filmada e andar pelas ruas sem roupa. Na delegacia, Keuly disse que raspou os cabelos da vítima porque esse era o troféu dela. 

Como a Deam de Cariacica teve conhecimento da tortura?

O caso já tinha acontecido em 19 de junho e a vítima não denunciou porque foi ameaçada de morte. Apesar do vídeo ter sido divulgado em redes sociais, a polícia só teve conhecimento quando a reportagem da Gazeta entrou em contato com a delegada Tais da Cruz, que estava no Plantão Especializado da Mulher (Pem), na última sexta-feira (9). Ela entrou em contato comigo e ficamos horrorizadas com essa barbárie. O crime foi tão cruel, que chocou até nós que somos acostumadas a lidar com casos de violência.

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O que a estudante disse em depoimento? 

 Ela contou que namorou Keuly por um ano e meio e os dois chegaram a morar juntos. Disse que ele chegou a agredi-la uma vez, mas que fora esse dia a relação deles era normal. O casal terminou em maio de 2019, mas o acusado recusou-se a entregar pertences da vítima, como documentos e roupas. Ele não aceitava o fim da relação, nem que ela seguisse a vida relacionando-se com outras pessoas. Após um mês de término, no dia 19 de junho, Keuly disse que entregaria os objetos da ex-companheira. Para isso, ela deveria ir até a casa da mãe dele.

 Foi a partir daí que iniciaram as torturas?

 Ele a buscou na casa onde ela estava com uma amiga e a levou para a casa da mãe dele, em Cariacica. A mãe dele não estava casa. Assim que entraram, ele pegou uma máquina de raspar cabelo e disse que ou a matava, ou rasparia os cabelos dela. A estudante ficou sem opção e teve cabelos e sobrancelha raspados. Ela foi levada para a parte de cima da residência, onde outro imóvel está em construção.

No local, Keuly exibiu uma arma e exigiu que a ex-companheira tirasse toda a roupa. Foi quando ele fez um vídeo nela nua, a obrigando a assumir supostas traições. A própria vítima conta que essas traições sequer aconteceram. Mas diante de tanta maldade, ela se viu obrigada a dizer tudo que ele queria ouvir. Pelas imagens é possível ver o quanto ela estava transtornada, com a voz trêmula. Em seguida, ele a levou para as ruas do bairro, obrigando que ela andasse nua na frente dos moradores.

Depois de humilhá-la, ele a trancou em um banheiro por um tempo. Por fim, a levou para um cemitério, onde fez um corte na mão da vítima, fazendo com que o sangue dela caísse em um túmulo. Foi quando ele afirmou que naquele momento estava vendendo a alma da estudante ao diabo, como forma de fazer terror psicológico.

Como foi a investigação para chegar à vítima e ao acusado?

Inicialmente, tínhamos apenas o vídeo, uma foto dois dois quando ainda estavam juntos e a desconfiança que eram de Cariacica. Como ele ameaçou ela e toda sua família de morte caso ela denunciasse, ela ficou com medo. Afinal, uma pessoa com uma conduta dessa poderia facilmente cumprir as ameaças. A vítima se escondeu e não denunciou. Pedimos apoio ao 7° Batalhão da Polícia Militar (BPM). Como os policiais estão sempre nas ruas, eles reconheceram os dois. Keuly, inclusive, tinha sido apreendido quando menor por roubo. A partir daí, conseguimos localizar a vítima e depois o agressor. 

Ele demonstrou algum arrependimento?

Nenhum, pelo contrário. Ele mostrou ser um homem frio. E ainda disse que fez o que fez porque essa é a lei do tráfico. Não sabemos se ele é traficante, iremos investigar. Ele falou ainda que decidiu raspar o cabelo da jovem porque esse era o troféu dela, um orgulho. A intenção era humilhar e ferir. 

 

 

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