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Mortes na Serra: dias de angústia e esperança para pais de sobrevivente

A jovem continua internada em estado gravíssimo. Além dela, outras três pessoas ficaram feridas e três jovens morreram na hora. Já o motorista do caminhão, permanece preso.

Desde o último sábado (6), quando viram a filha vítima de um grave acidente envolvendo um carro e um caminhão em Carapina, na Serra, os pais da universitária Karen Bianchi Botelho, de 18 anos, vivem dias de angústia e esperam por um milagre. A jovem continua internada em estado gravíssimo. Além dela, outras três pessoas ficaram feridas e três jovens morreram na hora.

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O ACIDENTE

Acidente entre carro e caminhão carregado de abóboras deixa três mortos e quatro feridos na Serra
Acidente entre carro e caminhão carregado de abóboras deixa três mortos e quatro feridos na Serra
Foto: Internauta

Parentes das vítimas contaram que todos os sete jovens eram amigos e seguiam para uma festa em um único carro por volta das 22H50. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo, um Hyundai I30, e o caminhão seguiam no sentido Serra-Vitória. A carreta estava na pista da esquerda, e o carro, na da direita. Na altura do KM 270, o caminhão teria feito uma manobra para entrar no contorno quando atingiu a lateral do veículo, que desgovernou-se e bateu em um poste mais à frente.

Três jovens que estavam no carro morreram na hora: a estudante de Administração Rayanne Araújo Pitombo, de 19 anos, o estudante de engenharia Gabriel Macedo, 19, e o jovem Alexandre Bazilio Ferreira, 22, que trabalhava em um posto de gasolina. 

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O I30 era guiado por João Victor Schneider dos Santos, que chegou a ser levado ao hospital e já recebeu alta. Além de Karen, dentro do carro ainda estavam, Luiz Henrique Rodrigues da Cruz e Guilherme Rosa Passos. Eles foram encaminhados ao Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, e estão internados na "sala laranja", local onde ficam os pacientes que não estão em estado tão grave.

O motorista do caminhão, Rodiney dos Santos Rodrigues, de 30 anos, permaneceu no local do acidente até a chegada da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo a PRF, Rodiney e o motorista do I30 fizeram o teste do bafômetro, que deu negativo para o consumo de bebida alcoólica. Após prestar depoimento na delegacia, ele foi autuado em flagrante por triplo homicídio culposo. Durante audiência de custódia, o juiz Felipe Leitão Gomes converteu a prisão em flagrante do caminhoneiro para prisão preventiva. Para o juiz, a soltura do caminhoneiro pode significar um risco para a sociedade.

O caminhoneiro Rodiney dos Santos Rodrigues, que dirigia a carreta envolvida em acidente de Carapina, na Serra
O caminhoneiro Rodiney dos Santos Rodrigues, que dirigia a carreta envolvida em acidente de Carapina, na Serra
Foto: Arquivo pessoal

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O SUSTO

Muito abalado, Ronan Botelho, pai de Karen, contou que a primeira notícia que recebeu na noite do acidente era que a filha havia morrido. "Minha filha era muito amiga da Rayanne e como a moça foi encontrada morta com o documento da Karen, entraram em contato comigo dizendo que minha filha estava morta. Naquele momento, meu mundo desabou. Só depois fui descobrir que, na verdade, minha filha estava no hospital em estado gravíssimo. Foi um susto muito grande. Ao mesmo tempo que senti alívio em saber que ela estava viva, fica a aflição pela recuperação", lembrou. 

A ANGÚSTIA

Com lágrimas nos olhos, Ronan contou que estado de saúde da filha ainda é gravíssimo. "Não teve melhora. O problema é neurológico. Ela estava sentada no banco de trás, no meio, entre os dois meninos que morreram. Chegamos a divulgar que ela teve uma melhora, mas foi um problema de comunicação".

Cada médico nos fala uma coisa. Uma hora tenho certeza que minha filha vai sobreviver, outras eu me preparo para a morte. Isso é muito angustiante para nós (choro)
Ronan Botelho, pai de Karen

Ronan ainda contou que a mulher dele, mãe de Karen, faz aniversário na próxima sexta-feira e o maior presente que a família poderia ganhar é a recuperação da jovem. "Do que adianta ter carro, casa e bens materiais se a pessoa que você mais ama não está aqui?", indagou, aos prantos. 

A SOLIDARIEDADE

No meio da dor, também há espaço para a solidariedade. Ronan conta que muitas pessoas doaram sangue para Karen. A jovem cursa o 1º período de Educação Física na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e várias pessoas da universidade foram doadores.   

"A Polícia Civil também mobilizou-se para doar. Eu agradeço muito pela solidariedade. É esse apoio, que vem de conhecidos e desconhecidos, que tem nos dado força para seguir. Nossa família está muito abalada. Karen é minha filha mais nova, única menina. No bairro onde moramos, Colina de Laranjeiras, todo mundo está dando muita força. É até difícil andar na rua porque todo mundo quer dar uma palavra de apoio", conta.

Ele completou que até mesmo a equipe médica que atendeu as vítimas no dia do acidente até hoje vai ao hospital diariamente saber o estado de saúde de Karen.

"Eles nem trabalham no Jayme, mas vão ao hospital por comoção. Porque viram o estado grave dela e mesmo acostumados com isso no dia a dia, ficaram chocados. Quero agradecer também toda a equipe do Jayme, que está me mostrando que serviço público funciona. Quero agradecer todos os bombeiros e médicos que tanto fizeram por minha filha", agradeceu. 

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A ESPERANÇA

Enquanto aguardava a esposa retornar do horário de visita da filha, Ronan pediu que a reportagem transmitisse um único apelo à população: orações. "Só peço, por favor, que as pessoas orem por minha filha. Peço que Deus a deixe viva. Nessas horas a gente agradece por ela estar viva, mas ao mesmo tempo questiona o porque disso ter acontecido com ela. Ela é uma menina boa, nossa família toda é, e a gente se pergunta porque estamos passando por isso. Está sendo muito difícil", contou.

Karen Bianchi está internada em estado grave, no Hospital Jayme dos Santos Neves
Karen Bianchi está internada em estado grave, no Hospital Jayme dos Santos Neves
Foto: Reprodução | Instagram

OLHOS ABERTOS

Assim que chegou na recepção do hospital e reencontrou o marido, Didiani Biano Bianchi, mãe de Karen, deu a ele uma notícia de esperança: a jovem abriu os olhos por alguns segundos e apertou a mão da mãe. Os dois não conseguiram conter as lágrimas.

"Hoje, quando entrei no quarto e falei com ela, ela abriu os olhos por alguns segundos. Não sei se ela estava consciente. Mas eu segurei a mão da minha filha e ela apertou. Foi a primeira vez que vimos uma reação como essa. Eu estou confiante que a Karen vai melhorar. Estou esperançosa porque ela está viva. E enquanto houver vida, há esperança. Confio em Deus. Confio que ela vai melhorar", disse Didiani, antes de ir embora com o marido e a irmã. 

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