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Mecânico matou mulher na Serra por causa de jogo de notebook

Homem de 25 anos confessou ter matado a companheira durante uma briga. Polícia contou com ajuda de cão para localizar corpo

Um mecânico industrial, de 25 anos, procurou a Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (7), na Serra, para confessar que matou a companheira, a jovem Ellen Geni Gonzales Costa, de 29 anos, após uma discussão por causa de um jogo de notebook.

A casa foi periciada no início da tarde desta quarta-feira (7). O delegado Josafá da Silva disse que os policiais localizaram o notebook usado pelo acusado antes da discussão. A mulher estava caída no chão, coberta por um pano. Também foram constatados diversos frascos de bebidas alcoólicas. O corpo da vítima foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória.

O crime, segundo o acusado, aconteceu na madrugada de segunda-feira (05) após uma briga entre o casal dentro de casa, na Rua Niterói, no bairro Parque Residencial Jacaraípe. À Polícia Civil, ele disse que permaneceu no imóvel até terça-feira (6).

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O responsável pela 3ª Delegacia Regional da Serra, delegado Josafá da Silva, disse que o mecânico procurou a unidade policial na manhã desta quarta-feira acompanhado da advogada Rosana Carlos Ribeiro e do pai dele.

O casal estava junto há dois anos e morava na casa há cerca de um mês. Segundo o acusado, ele e a companheira beberam vodca, cachaça e vinho antes da discussão. Depois da bebida, o homem revelou para a polícia que começou a jogar no notebook, o que teria irritado a companheira, que buscava atenção por parte dele.

Durante essa discussão, a vítima teria, segundo depoimento do acusado, quebrado o notebook do companheiro e, a partir daí, começou a briga. Segundo o autor, eles beberam o dia todo no domingo.

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“Durante a madrugada, ele tava jogando no notebook, ela não gostou porque ele não tava dando atenção a ela. Os dois completamente embriagados, entraram em luta corporal. Segundo ele, ela agrediu ele. Ele falou que deu um soco nela e mesmo assim ela não parou com a agressão, e então ele pegou e a esganou”, explicou Josafá.

O CAMINHO ATÉ A CASA

O Gazeta Online acompanhou a polícia da delegacia até a casa onde o corpo da mulher foi encontrado.

CÃO LOCALIZA CORPO

Depois de prestar depoimento, o acusado foi levado pelo delegado Josafá da Silva e uma equipe de investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) até a casa onde ele disse ter cometido o crime. A polícia contou com o Spy, cão treinado para localizar pessoas mortas. Atualmente, o acusado trabalhava como ajudante de carga e descarga de caminhão.

Cão é usado para localizar corpo de vítima na Serra
Cão é usado para localizar corpo de vítima na Serra
Foto: Isaac Ribeiro

Ao ser solto no quintal, com o imóvel ainda fechado, Spy localizou o cômodo onde o corpo estava em menos de dois minutos. Após confirmar que a vítima estava em um dos quartos da casa, a Polícia Civil acionou os peritos e agentes do Departamento Médico Legal (DML) de Vitória.

AÇÃO EM LEGÍTIMA DEFESA, DIZ ADVOGADA

A advogada alega que o mecânico agiu em legítima defesa. Rosana Carlos Ribeiro afirmou que o cliente dela ficou em estado de choque após o crime e que já havia registrado ocorrência após, segundo ele, ter sido agredido pela companheira.

Policiais militares que acompanharam a perícia no local informaram que ambos já denunciaram à polícia terem sido agredidos pelo o outro durante o relacionamento. De acordo com a advogada Rosana Carlos Ribeiro, que defende o acusado, a vítima deixou três filhos. Todos moravam com os pais biológicos. Segundo ela, Ellen nasceu no Uruguai e se mudou para o Brasil ainda quando era criança.

“Ele conheceu essa mulher há pouco tempo e esse relacionamento já não estava dando muito certo. Na primeira vez, ele fez uma ocorrência junto ao Ciodes. Ela já tentou matá-lo duas vezes, inclusive com facas. Dessa última vez, infelizmente, eles estavam usando bebida alcoólica e houve uma discussão porque ele estava no notebook e ela queria que cessasse o jogo”, destaca.

Rosana disse que o mecânico ainda tentou reanimar a vítima. “Na discussão, ela pegou uma faca e foi para cima dele. Ele deu uma 'chave de braço' nela, infelizmente aconteceu isso. Ele tentou reanimá-la, mas não teve jeito, já estava tarde. Ele ficou desesperado, porque não tinha intenção de fazer isso", disse.

Depois de matar a mulher, o mecânico procurou o pai dele para pedir ajuda. Com ferimentos no braço e no rosto, ele foi à uma unidade hospitalar para buscar atendimento e teve um dos braços enfaixado. Mesmo com a companheira morta em um dos cômodos da casa, o mecânico permaneceu no imóvel até a noite de terça-feira (6). Depois, dormiu na casa de um amigo.

Corpo de mulher é encaminhado para o DML
Corpo de mulher é encaminhado para o DML
Foto: Isaac Ribeiro

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