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Pesquisa revela presença de quatro facções criminosas no Espírito Santo

Segundo o estudo, o Primeiro Comando de Vitória (PCV), Comando Vermelho (CV), Amigos dos Amigos (ADA) e Primeiro Comando da Capital (PCC) atuam no crime organizado do Estado

Presos com bandeira do PCC em cadeia paulista
Presos com bandeira do PCC em cadeia paulista
Foto: Ae/arquivo

Quatro facções criminosas estão presentes no Espírito Santo, que tem Vitória como 3° município com menor taxa de homicídio, segundo o Atlas da Violência 2019, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o estudo, o Primeiro Comando de Vitória (PCV), Comando Vermelho (CV), Amigos dos Amigos (ADA) e Primeiro Comando da Capital (PCC) atuam no crime organizado do Estado.

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 De acordo com o professor e especialista em segurança pública Pablo Lira, os dados mais recentes dão conta que a atuação das facções criminosas na Grande Vitória é caracterizada principalmente pelo PCC e pelo PCV. Lira destaca ainda que as facções começaram a atuar no Estado com mais força em 2015.

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 "A principal área de atuação delas é região do Bairro da Penha, inclusive a Polícia Civil e Militar já desenvolvem um trabalho de inteligência nesta região relacionado a presença dessas facções. Os grupos que atuavam predominantemente no Rio de Janeiro e São Paulo, passaram a expandir a sua dinâmica do comércio de drogas, no Espírito Santo eles começaram tentando influenciar as organizações locais na disputa e no domínio do mercado de tráfico de drogas”, afirmou.

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O especialista disse ainda que esse intercâmbio com criminosos locais são uma característica marcante da presença desses grupos no Estado. “Um membro das facções locais facilita a entrada desses grupos de fora aqui no Espírito Santo. Ou até mesmo vai até eles no Rio ou em São Paulo e faz uma espécie de estágio, ou troca experiências dentro de presídios, o que chamamos de universidade do crime”, explica.

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Apesar da crescente atuação das facções na Grande Vitória, de acordo com o estudo não houve nenhuma morte violenta nos presídios capixabas em 2015 e 2016.

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Pablo Lira afirma que esse número reflete investimentos que foram feitos no sistema prisional do Estado feitos após uma grave crise na década passada. “Depois de um período conturbado nos presídios do Estado, foram abertas novas vagas em unidades prisionais entre 2010 e 2014, além disso o sistema prisional capixaba teve uma modernização. Apesar da superlotação, o sistema penitenciário hoje é estruturado, mas é preciso atenção principalmente em relação a essa superlotação”, finalizou.

 O OUTRO LADO 

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), informou que investigações envolvendo organizações criminosas são realizadas em sigilo.

(Com colaboração de João Henrique Castro do curso de Residência). 

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