Procurados

Polícia divulga lista dos 10 assassinos de mulheres mais procurados

Acusados de crimes de homicídio e tentativa de assassinatos na Grande Vitória tiveram a identidade e fotos revelados pela polícia. Quem tiver informações pode acionar o Disque-denúncia 181

Isaac Ribeiro

Publicado em 12/08/2019 às 07h11

A Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) divulgou uma lista com os 10 homens mais procurados por matar ou tentar assassinar mulheres na Grande Vitória. Os crimes ocorreram entre 2011 e 2019. No primeiro semestre deste ano, 42 vítimas foram assassinadas no Espírito Santo. Desse total, 15 são casos de feminicídio, quando a mulher é morta em razão de violência doméstica ou do gênero.

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Dos crimes que compõem a lista apresentada pela Polícia Civil, dois são de feminicídio; três homicídios; um duplo homicídio; quatro tentativas de feminicídio; e uma tentativa de homicídio.

A delegada da DHPM, Raffaella Aguiar
A delegada da DHPM, Raffaella Aguiar Foto: Fernando Madeira

A titular da DHPM, delegada Raffaella Aguiar, explicou que quando se trata de feminicídio, há uma relação de afeto entre o autor e a vítima. Já nos casos de homicídio ou tentativa de homicídio, os crimes investigados na DHPM tem relação com o tráfico de drogas ou com vítimas de bala perdida.

A principal motivação é o ciúme doentio. Os homens investigados acham que a mulher é propriedade deles. Qualquer sentimento de que aquele objeto vai ser tirado deles, fazem qualquer coisa para não perdê-los, até mesmo, tirar a vida
Delegada Raffaella Aguiar

Um desses trágicos exemplos é o da mãe e filha que foram assassinadas a tiros no bairro Jardim Carapina, na Serra, no dia 7 de fevereiro de 2015. A polícia informou que Genecy Araújo dos Reis, 52 anos, é o principal suspeito de matar, por ciúmes, a namorada Julia Aparecida Martins, 51 anos, e Juliana Martins Neves, 29 anos.

No dia 14 de abril deste ano, Charles David da Silva, de 41 anos, tentou matar a mulher, de 39 anos, pelo mesmo motivo. A vítima foi esfaqueada na frente do filho ao descer de um veículo de aplicativo ao chegar em casa.

“Ele acreditava que estava sendo traído. Quando a companheira desceu do carro, o Charles a agrediu, puxou o cabelo dela e a arrastou até a garagem do imóvel, onde ela foi esfaqueada. Antes de fugir, ele disse que se ela não morresse, voltaria para matá-la”, detalhou a delegada.

Quem souber do paradeiro de algum dos acusados, pode acionar a polícia pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo disquedenuncia181.es.gov.br.

 

Fora da Grande Vitória, o município de Colatina, região Noroeste do Estado, é o que registrou o maior número de boletins de ocorrência tendo mulheres como vítimas de violência.

De janeiro a julho deste ano, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da cidade contabilizou 729 casos. No mesmo período, a Justiça concedeu 207 Medidas Protetivas de Urgência e 61 pessoas foram presas em flagrante.

Em julho deste ano, uma briga de casal quase terminou em tragédia. Após uma discussão, o homem agrediu a mulher e ainda ateou fogo na casa onde eles moram, no bairro Columbia. O suspeito fugiu após o crime.

Em Linhares, no Norte do Estado, houve registro de 588 boletins de ocorrência, 73 prisões em flagrante e a expedição de 275 medidas protetivas. No dia 31 de julho, a professora Suelen Souza Silva, de 33 anos, foi morta a tiros pelo ex-namorado, após descobrir que ele era casado. O assassinato foi no bairro Interlagos.

No Sul, Cachoeiro de Itapemirim aparece como o terceiro município: 452 boletins de ocorrência, 245 medidas protetivas e 110 prisões em flagrante.

Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) apontam que no primeiro semestre de 2019 foram registrados 7.738 boletins de ocorrências de violência contra a mulher no Estado. Ao todo, foram concedidas 4.490 medidas protetivas e 715 pessoas foram presas em flagrantes.

As informações foram extraídas a partir dos crimes registrados nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher da Grande Vitória, Plantão Especializado da Mulher (PEM) e em outras sete cidades: Nova Venécia, Venda Nova do Imigrante, Linhares, São Mateus, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz e Itapemirim. 

 SONHOS INTERROMPIDOS

Antes de ser assassinada a golpes de machado pelo marido, a auxiliar de serviços gerais Noeme Maria de Souza, de 38 anos, guardou o dinheiro referente às suas férias e 13º salário para presentear Sebastião Nonato Pessoa, 39, com uma motocicleta.

Traída pela crueldade do companheiro, a mulher que convivia com o pedreiro há seis anos não conseguiu realizar o sonho de agradar o homem que amava. Após matar a mulher com golpes de machado na cabeça, ele fugiu levando a economia de R$ 2 mil.

Mulher é morta a golpes de machado pelo marido em Cariacica
Mulher é morta a golpes de machado pelo marido em Cariacica Foto: Amarildo

“Eles tinham desentendimentos, mas minha mãe gostava dele. Ela era uma mãe e mulher excelente, carinhosa, um amor de pessoa. Todos os vizinhos adoravam ela”, disse a filha mais velha da vítima, a dona de casa Diná de Souza Campos, 20 anos.

Noeme deixou seis filhos, três deles moravam com ela: um menino de 10 anos e duas adolescentes de 15 e 13 anos. Segundo Diná, foi o irmão quem encontrou a mãe agonizando no chão do quarto dela, com a porta ainda trancada, na manhã seguinte ao crime.

De acordo com a Polícia Civil, na tarde do dia 28 de junho, Sebastião e a mulher foram a um supermercado da região e compraram alguns itens, dentre eles, cachaça. À noite, os dois beberam juntos. O menino de 10 e a adolescente de 13 também estavam no imóvel.

“O Sebastião determinou que as crianças fossem para o quarto e chamou a mulher para o quarto deles alegando que precisava conversar com ela. Ele ligou o som alto, trancou a porta do quarto e agrediu a Noeme com golpes de machado”, detalhou a titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar.

Acreditando que a mulher estava morta, o pedreiro pegou o dinheiro que ela havia guardado em um buraco do colchão, trancou a porta do quarto, escondeu a chave em outro cômodo e fugiu ainda de madrugada. No dia seguinte, o menino de 10 anos bateu à porta da mãe com a intenção de que ela preparasse o seu café, como de costume.

“Ele ouviu um barulho estranho vindo do quarto, como se fosse ruído de um ronco. Ao olhar pela fresta da porta, viu a mãe agonizando, ensanguentada. Ele gritou desesperado pelas irmãs e por vizinhos, que levaram a mãe dele para um hospital”, disse a delegada.

Noeme morreu depois de ficar quatro dias internada. “Ao que tudo indica, esse crime pode ter sido motivado por ciúme. O autor foi muito cruel e covarde. Além de matar a companheira, ainda subtraiu o dinheiro dela”, enfatizou a delegada.

A filha mais velha da vítima, a dona de casa Diná de Souza Campos, 20 anos, disse que os irmãos de 13 e 10 anos estão com dificuldades de frequentar a escola e precisam de atendimento psicológico.

“Meus irmãos não estão motivados a frequentar a escola porque ainda estão muitos sensíveis a tudo que aconteceu. Acredito que precisam urgentemente de atendimento com um psicológico, mas até hoje ninguém nos procurou para oferecer esse serviço”, reclama.

Antes de morar com Sebastião, Noeme foi casada três vezes. “Eu espero que ele seja localizado e preso o mais rápido possível para desapertar um pouco dessa dor que corta o coração da gente. Não vai resolver, mas vai amenizar essa tristeza que toma conta”, desabafa a filha.

A coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Campo Grande, em Cariacica, Krigélica Vaz Siller de Paula, disse que o serviço pode ser disponibilizado à família da Noeme no Creas de Itacibá. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

MORTA APÓS BRIGAR COM NAMORADA DE TRAFICANTE

A jovem Lorrayne da Silva Andreatta, de 23 anos, foi assassinada com um tiro na cabeça porque brigou com a namorada do traficante Rodrigo Braga de Jesus, o Jambão, de 21 anos.

Lorrayne foi rendida por Jambão, na madrugada do dia 19 de maio, quando estava a caminho da casa dela na Rua Marcos Adriano Vieira, no bairro Redenção, região da Grande São Pedro, em Vitória.

Lorrayne da Silva Andreatta, assassinada com tiro na cabeça em Redenção, Grande São Pedro, em Vitória
Lorrayne da Silva Andreatta, assassinada com tiro na cabeça em Redenção, Grande São Pedro, em Vitória Foto: Arquivo da Família

“A Lorrayne e namorada do Jambão tiveram uma discussão fútil no bar. Quando ela ia embora, foi abordada por ele no meio da rua. A gente tem ciência de que a Lorrayne ainda implorou pela vida falando ‘pelo amor de Deus, não me mate’. Mas ele não teve piedade e deu tiro na cabeça dela e a matou friamente”.

O relato é da titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar. A responsável pelo caso informou que, além do assassinato da jovem, Jambão já é investigado por envolvimento com o tráfico de drogas na região onde aconteceu o crime.

“Ele não teve misericórdia. A Lorrayne morreu simplesmente por ter discutido com a namorada de um traficante do bairro. Acreditamos que Jambão teria agido para não ter afetado o seu poder e capacidade de liderança perante os companheiros do tráfico” disse a delegada.