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Obra da discórdia resulta em briga em condomínio de Vila Velha

Quem vive na região encontra dificuldades para entrar e sair dos estacionamentos, já que tapumes foram colocados no local, impedindo a passagem

Obra causa conflito entre moradores de Vila Velha
Obra causa conflito entre moradores de Vila Velha
Foto: Internauta

Uma obra no sistema de esgoto que acontece desde a última terça-feira (03) na 7ª Etapa, em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha, tem causado muita confusão entre os moradores. Isso porque, tanto quem vive no condomínio quanto quem mora nos prédios vizinhos da 6ª Etapa reclamam de não terem sido avisados da reforma com antecedência. Segundo eles, quem vive na região encontra dificuldades para entrar e sair dos estacionamentos, já que tapumes foram colocados no local, impedindo a passagem.

Os condomínios da 6ª e 7ª Etapa são os únicos da região que não possuem muros separando os prédios. Por isso, moradores dividem espaços em comum, incluindo garagens, há cerca de 40 anos. 

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A OBRA

De acordo com os síndicos dos dois condomínios, a obra faz parte do programa Águas Limpas, que visa a troca de toda a rede de esgoto do local. Foi o síndico da 7ª Etapa que recebeu a notificação da Prefeitura de Vila Velha, através da Secretaria de Meio Ambiente, com prazo de 90 dias para que a obra terminasse. A reforma teve início na última terça-feira.

A VERSÃO DA SÍNDICA DA 6ª ETAPA

A versão da síndica da 6ª Etapa, a administradora Aline Guimarães Tito, de 35 anos, é de que o síndico da 7ª Etapa iniciou a obra sem comunicá-la, pegando todos os moradores de surpresa. Ela afirma que foi surpreendida com tapumes dividindo os condomínios e impedindo o acesso de motoristas aos estacionamentos comuns. 

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"Há ruas em que os dois condomínios dividem há 40 anos e uma parte rede de esgoto atende as duas etapas. Há uma divisão administrativa, mas não territorial e sempre vivemos em harmonia. Porém, o síndico da 7ª nos comunicou da obra apenas na última segunda-feira (02) e a reforma já começou no dia seguinte, com tapumes fechando passagens. Várias pessoas ficaram sem acesso a garagens. E se precisarmos de uma ambulância? Tem que pensar em comunidade. Tentei diálogo, sem sucesso", afirma.

Aline completou que quem vive nos condomínios ficaram insatisfeitos e que quando ela chegou ao local, na noite da última quarta-feira (04), a confusão de moradores brigando e quebrando tapumes já estava acontecendo.

A VERSÃO DO SÍNDICO DA 7ª ETAPA

Já o síndico da 7ª Etapa, o corretor de imóveis Valdino Correia de Almeira filho, de 54 anos, garante que comunicou a administração da 6ª etapa sobre as obras há um mês, propondo diálogo sobre como fazer o reparo sem prejudicar os moradores. Porém, ele afirma que a síndica Aline ignorou o contato. 

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"Tenho a prova de que ela foi comunicada oficialmente no dia 5 de agosto, com a assinatura e carimbo da síndica. Colocamos os tapumes para proteger a obra e evitar acidentes. Confundiram a obra de rede de esgoto com obra de construção de muro e quebraram toda a proteção. Não invadimos a 6ª Etapa. Fizemos tudo de forma correta. Por obrigação, temos que fazer essa obra no prazo dado pela Prefeitura, ou seremos multados", afirmou.

Valdino mostrou à reportagem a notificação que entregou a Aline, no dia 5 de agosto, com assinatura e carimbo. Procurada, a síndica respondeu que realmente assinou o documento. Porém, ela afirmou que não foi informada os detalhes da obra.

"Acredito que ela esperou a obra começar para causar esse alvoroço, fazer motim. Ela não teve nenhuma iniciativa para realmente resolver o problema, fazer uma passagem para os moradores ou algo assim. Ontem (04) fizeram uma grande baderna", completou Valdino. 

Procurada novamente pela reportagem, a síndica da 6ª etapa confirmou que foi comunicada no dia 5 de agosto por meio de um documento da necessidade da obra. Contudo, Aline alega, e mostrou à reportagem, por meio de emails e ofícios, que procurou o síndico para realizar o planejamento da obra e discutir como seria feita a interdição, já que isso afetaria os moradores. Porém, não teve retorno.  

"Eu sabia que a obra iria acontecer, mas ele não dialogou como isso seria feito. Ele simplesmente foi bloqueando tudo. Não houve conversa, não houve aviso prévio, não houve discussão sobre o cronograma desta obra", contou. 

NO MEIO, OS MORADORES

A confusão provocou discussões e quebra-quebra na área da obra, na noite da última quarta-feira (04). No meio, moradores revoltados ao serem pegos de surpresa com a reforma, que incluiu tapumes fechando ruas que dão acesso a estacionamentos. Alguns deles sequer sabiam o real motivo para a obra.

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"No fim da tarde eu cheguei em casa cheguei de carro e dei de cara com os tapumes. Fiquei parado sem entender. Como cheguei antes de outros trabalhadores, consegui achar um lugar para estacionar. Mas fiquei pensando: e se uma ambulância tivesse que passar?  Os outros que chegaram tarde não tinham onde estacionar e foi uma confusão. Tiveram que deixar o carro na rua. Eu concordo que a obra tem que ser feita, mas é necessário mesmo colocar aqueles tapumes?", indagou o autônomo Hiuri Meneguti, 22, morador da 6ª Etapa. 

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