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Após encontros na casa de Luiz Paulo, delator diz que pagou R$ 500 mil em caixa dois

A quantia teria sido paga no Rio e em São Paulo em 2010. Segundo delator, ex-prefeito também recebeu R$ 100 mil não contabilizados em 2012

O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) teria usado a própria casa, em Fradinhos (Vitória), para pedir doações à Odebrecht para suas campanhas a governador em 2010 e a prefeito da Capital em 2012. Depoimento do delator Sérgio Neves aos procuradores da Operação Lava Jato dá conta de que, em 2010, ficaram acertados R$ 400 mil de caixa dois, tendo Luiz Paulo indicado Fernando Nogueira como preposto para receber o dinheiro. Os valores foram repassados no Rio de Janeiro e em São Paulo, segundo o colaborador da Justiça. 

Já em 2012, conforme manifestação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviada ao ministro Edson Fachin (relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal), o acerto foi de R$ 100 mil não contabilizados, intermediados por Luciano Ceotto, advogado da campanha. Ceotto nega tudo e diz que jamais conheceu Sérgio Neves. "Os pagamentos foram realizados pelo setor de Operações Estruturadas (chamado de departamento da propina) da Odebrecht, área de contabilidade e operação dissimulada da empresa", diz Janot.

Leia trecho do depoimento em que Sérgio Neves, à época superintendente da Odebrecht em Minas Gerais e Espírito Santo, revela que foram realizados pagamentos indevidos para Luiz Paulo Vellozo Lucas a pretexto das campanhas nas eleições de 2010 e 2012:

"A empresa apoiou a campanha de Luiz Paulo em 2010 e 2012. Foi solicitada uma reunião comigo e, então, eu visitei o Luiz Paulo na residência dele em Fradinhos, era uma espécie de QG da campanha a casa. Ele me solicitou a contribuição e posteriormente eu indiquei a autorização, via contribuição de caixa dois, de R$ 400 mil. O Luiz Paulo indicou um representante para receber esse valor, Fernando Nogueira, que eu conheci no dia, e esses valores foram efetuados no Rio e em São Paulo. Deve ter sido em algum hotel (a entrega). Isso foi em 2010, ele estava competindo com o (Renato) Casagrande. Setor de Operações Estruturadas que efetuou o pagamento.

Em 2012, aí o Luiz Paulo já apoiado pelo Paulo Hartung (PMDB), e de igual forma o Luiz Paulo me solicitou uma reunião, eu fui à casa dele, e ele solicitou e, com devidas aprovações do Benedicto Júnior na empresa, demos via caixa dois R$ 100 mil para o representante Luciano Ceotto. (Na planilha de caixa dois da empresa) R$ 200 mil pagos em agosto de 2010, e R$ 200 mil em setembro. O interesse da empresa em apoiar era em projetos de infraestrutura na Região Metropolitana. Estava no plano de governo deles fazer essas obras, que eram prioritárias: BRT, projeto de saneamento, e um túnel ligando Vitória e Vila Velha. Os projetos não saíram. Não foi sugerido que a Odebrecht poderia ser beneficiada pelas obras."

Confira o vídeo do depoimento de Sérgio Neves obtido pela reportagem:

 

Luiz Paulo diz que vai prestar esclarecimentos

Procurado novamente pela reportagem, Luiz Paulo declarou que mantém posicionamento já divulgado em sua página no Facebook. "Não quero acrescentar nada. Minha posição é serena". Ele disse que ainda não conversou com Ceotto, o que fará na próxima segunda-feira. "Sobre a lista de Fachin, reitero o que postei no dia 23/março/2016. Sou a favor da Operação Lava Jato. Prestarei os esclarecimentos que se fizerem necessários durante a investigação, sempre confiando na capacidade da Justiça brasileira em identificar corretamente os desonestos que merecem punição exemplar e o afastamento definitivamente da vida pública”, diz o post do tucano.

Ceotto nega ter recebido dinheiro 

À reportagem, o advogado Luciano Ceotto negou ter recebido qualquer quantia de caixa dois. "Nego peremptoriamente. Estou ansioso para ser confrontado com essa pessoa. Sou advogado, não desempenho função de arrecadação. Não sei quem é Sérgio Neves, não conheço nem de nome, não me lembro de pessoa com esse nome na casa de meu cliente e não recebi dinheiro nenhum. Era advogado contratado, lidava com prestação de contas, nunca recebi dinheiro algum. Tenho segurança do que fiz."

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