Notícia

Delator da Odebrecht diz ter pago R$ 640 mil para eleger o deputado Rodrigo Coelho

Pagamentos foram repassados para o presidente do diretório do PT em Cachoeiro, José Irineu, após solicitação do então prefeito do município, Carlos Casteglione

O atual secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Trabalho, Carlos Casteglione (PT), é citado na delação do ex-diretor regional da Odebrecht Renato Amaury Medeiros, em que é acusado de ter recebido R$ 640 mil via caixa 2 entre os anos de 2013 e 2014, quando era prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado.

O secretário estadual Carlos Casteglione, ex-prefeito de Cachoeiro
O secretário estadual Carlos Casteglione, ex-prefeito de Cachoeiro
Foto: Arquivo

Segundo Medeiros, o recurso foi solicitado para cumprir uma das metas do PT de Cachoeiro de Itapemirim, que era reeleger o deputado estadual Rodrigo Coelho (na época no PT e hoje no PDT). Na delação, Medeiros indica que foram repassados R$ 240 mil em uma primeira parcela, no segundo semestre de 2013, e outras duas, em maio de 2014, no valor de R$ 200 mil, cada uma.

Delação do ex-diretor regional da Odebrecht... por GazetaOnline

"Me reuni em um escritório da Odebrecht que havia em Vitória junto com Casteglione e José Irineu, que era presidente do diretório do PT em Cachoeiro. Eles indicaram que pretendiam receber R$ 2 milhões da Odebrecht, por se tratar de uma campanha de deputado que era mais cara e tinha que cobrir o Estado todo. Não prometi nada e levei este tema a Fernando Cunha Reis (ex-presidente da Odebrecht Ambiental), que determinou o valor de mais R$ 400 mil, fora os R$ 240 mil que haviam sido repassados no segundo semestre de 2013. Eles me disseram que o principal projeto do PT era eleger o deputado Rodrigo Coelho, que, se fosse bem votado, se candidataria a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim futuramente", relata.

O deputado estadual Rodrigo Coelho
O deputado estadual Rodrigo Coelho
Foto: Divulgação PDT

O trio Rodrigo Coelho, Carlos Casteglione e José Irineu era indicado nas planilhas da Odebrecht com o codinome Gavião. Renato Medeiros explica que desde 2008 a Odebrecht tinha a concessão de 100% do serviço de esgoto e tratamento de água do município e que, para manter este contrato, eles identificaram no PT uma força política para fazer com que os projetos da construtora fossem à frente.

"A pedido de Fernando Cunha Reis, procurei identificar lideranças políticas que fossem favoráveis à concessão do saneamento. Decidi apoiar o PT, já que o prefeito na época era o senhor Carlos Casteglione, do PT, que tinha como presidente do diretório do partido, o senhor José Irineu. Fernando autorizou que fizéssemos as contribuições e determinou que fossem feitas em caixa dois. Do meu ponto de vista, os pagamentos mantinham a normalidade com o contrato de concessão de esgoto, do ponto de vista deles, os pagamentos ajudavam a eleger candidatos do PT", explica o delator.

Candidato a vice-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim na chapa de Braz Barros (PT) em 2016, José Irineu de Oliveira (PT) é nomeado pelo delator como a pessoa que recebia os pagamentos. O processo foi relatado pela Procuradoria-Geral da República e enviado ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin. Como os citados não possuem foro privilegiado, o termo de delação de Renato Amaury Medeiros foi repassado à Procuradoria Regional da República. 

Outro lado

Carlos Castegline disse que nunca se encontrou com ninguém da Odebrecht e que quando assumiu a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, em 2008, já existia o contrato de concessão com a construtora. "Minha relação com funcionários da empreiteira eram totalmente institucionais, não conheço nenhum Renato Amaury Medeiros. Minhas prestações de contas estão todas aprovadas. Nunca solicitei recurso para a eleição do deputado Rodrigo. Em momento oportuno vou me defender e provar que nunca tive relação com isso", afirmou.

O deputado estadual Rodrigo Coelho esclarece que: Como informado anteriormente, ele jamais se encontrou com qualquer executivo da Odebrecht. Também, como já esclarecido anteriormente, o parlamentar reitera que não autorizou a utilização de seu nome para fins que não se coadunam com a legislação eleitoral.

Os outros citados estão sendo procurados pela reportagem do Gazeta Online para se manifestar.

Ver comentários