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Governador de Goiás descansava em praia durante crise nos presídios

Rebelião no primeiro dia do ano terminou com nove presos mortos

Praia dos Carneiros, em Pernambuco, onde governador de Goiás descansou no início do ano
Praia dos Carneiros, em Pernambuco, onde governador de Goiás descansou no início do ano
Foto: Christian Knepper/ Divulgação

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), escolheu um resort numa das praias mais bonitas do país para três dias de descanso com a família na semana passada. Foi exatamente o período em que o clima de tensão imperou nos presídios do Complexo Penal de Aparecida de Goiânia (GO), após uma rebelião no primeiro dia do ano terminar com nove mortes, 14 feridos e mais de 200 fugas, além de repiques de motins nas unidades prisionais.

A crise ganhou contornos graves nos dias seguintes, com risco de mais rebeliões e massacres nos presídios. Perillo decidiu, mesmo assim, ir com a família a um resort na Praia dos Carneiros, em Pernambuco, onde foi notado e fotografado por pessoas que estavam no local — duas delas confirmaram à reportagem ter visto o governador e seus familiares. Ele só retornou a Goiás no fim de semana.

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O governador ficou 2,2 mil quilômetros distante do epicentro da crise. No resort onde se hospedou, há apartamentos e bangalôs e uma estrutura de lazer com parque aquático, campo de futebol, quadra de tênis e heliponto.

Enquanto o governador passeava pela praia, o sistema prisional em Goiás estava à beira da explosão. Um novo motim foi registrado no mesmo presídio onde houve a matança de nove presos, uma unidade para cumprimento de pena em regime semiaberto. Outro ocorreu no presídio de regime fechado.

A Justiça Federal no estado determinou a transferência de detentos “mais perigosos” para presídios federais. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou ontem ao GLOBO que a decisão cabe aos juízes federais corregedores que atuam nos presídios em Catanduvas (PR), Campo Grande, Mossoró (RN) e Porto Velho. Hoje, o governador se reúne em Goiânia com a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia.

Por meio de sua assessoria, Perillo afirmou que decidiu descansar por três dias “depois de um ano de intenso trabalho”. “Deixei Goiânia depois de intensas reuniões com a equipe de segurança e de adotar todas as medidas necessárias para o controle da situação. Deixei o vice-governador no comando da situação em conjunto com a nossa competente equipe responsável pelo sistema de segurança”, disse.

Perillo afirmou que manteve conttos pela internet, “tomando todas as decisões necessárias”: “No mundo atual, a internet é utilizada em situações diversas, na liderança e na ação. Tanto é verdade que duas tentativas de rebelião foram frustradas graças à nossa rápida e eficiente ação. Em uma delas, conversei com o diretor do sistema prisional várias vezes na madrugada.”

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