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Um ano depois, Conselho Estadual de Ética sofre esvaziamento

Dos sete conselheiros da formação original do governo do Estado, apenas dois continuam

Edebrande Cavalieri
Edebrande Cavalieri
Foto: Fernando Madeira

Composto há um ano, o Conselho de Ética Pública do Estado já não conta mais com sua formação original depois de ter sofrido uma espécie de esvaziamento no fim de 2017. Dos sete conselheiros que existiam, apenas dois continuam: a subsecretária de Interlocução Institucional, Maria Ivonete Bezerra; e a auditora de Controle Externo no Tribunal de Contas do Estado (TCES), Elizabeth Klippel.

A primeira baixa do grupo aconteceu ainda em junho daquele ano, com a morte do pastor Oliveira de Araújo. Mas entre novembro e dezembro foi a vez dos demais saírem quase em debandada: o presidente Jovacy Peter Filho e os conselheiros Caleb Salomão Pereira, Edebrande Cavalieri e Flávia Marquezini.

O mandato do grupo foi marcado por polêmica que envolvia o vice-governador Cesar Colnago (PSDB). Em outubro, a maioria deles optou por liberar o tucano em acumular as funções de vice-governador e presidente de partido. Votaram pela compatibilidade dos postos Maria Ivonete e Elizabeth Klippel. Pela incompatibilidade Flavia Marchezini e Caleb Salomão. Empatado, o presidente Jovacy votou favorável ao vice-governador.

Edebrande, que viajava no dia da reunião, mas enviou o voto por escrito, teve o mesmo desconsiderado. O fato causou mal-estar entre eles. Entretanto, na ocasião, eles afirmaram que suas saídas ocorreram por motivos profissionais.

"Eu pedi a saída no final do ano passado, entreguei carta protocolada. O mandato já tinha expirado em novembro, mas a composição continuou, enquanto não houvesse uma composição normal. Eu pedi para não ser reconduzido ao posto. O motivo de minha saída foi profissional, tenho projetos em meu escritórios, viajo muito por conta da advocacia, estava ficando incompatível", disse Jovacy, que é advogado e professor de Direito Penal.

"Terei dificuldades esse ano por estar fazendo doutorado, preciso também focar no meu trabalho. Alguns colegas ficaram chateados com o desfecho daquela situação, mas como já participei de outros conselhos, sou acostumada a ganhar e perder. Até continuaria se não fosse tantas outras atribuições", disse por sua vez Flavia Marchezini, que também é advogada e professora de Direito Ambiental.

Já o filósofo e professor de Ciências da Religião Edebrande Cavalieri apontou desgaste no conselho em duas situações que contribuíram para seu pedido de afastamento.

"Em primeiro lugar basicamente, o decreto de nomeação já tinha terminado. Minha saída deixaria liberdade para o governador nomear outra pessoa. Outro motivo é que tivemos desgastes, uma que pastor Oliveira faleceu e a vaga não foi preenchida. E o outro desgaste foi por ocasião sobre compatibilidade do cargo de vice-governador e presidente de partido", disse.

O conselheiro Caleb, que é o advogado e mestre em Direito, disse, por sua vez, que é importante oxigenar o conselho. "Achamos melhor sair em uma espécie de liberação de espaço", conta.

Em nota, o governo informou que o mandato do atual conselho expirou, mas que o mesmo continua atuando. Segundo o texto, apenas o presidente Jovacy formalizou sua saída. Ainda não existe data ou nomes para compor uma nova comissão.

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