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Vereador acusado de furtar notebook será investigado pela Câmara

Por iniciativa de um grupo da sociedade, vereadores decidiram criar comissão processante para apurar os fatos

O vereador Ronaldo Barreiros (SDD) vai ser investigado pela Câmara de Nova Venécia
O vereador Ronaldo Barreiros (SDD) vai ser investigado pela Câmara de Nova Venécia
Foto: Reprodução/Facebook

A Câmara Municipal de Nova Venécia decidiu, nesta terça-feira (28), por unanimidade, instalar uma comissão processante para investigar o caso do vereador e ex-presidente da Casa, Ronaldo Barreiros (SDD), acusado de ter furtado um notebook do Legislativo municipal. 

Ele foi denunciado pelo Ministério Público Estadual em outubro do ano passado, e foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência. A polícia localizou o notebook, que passou por uma perícia técnica. A perícia confirmou ser o mesmo equipamento da Câmara.

A comissão será constituída na sessão da próxima terça-feira (3), quando serão definidos quais serão os membros do colegiado e o relator do processo. Depois, os vereadores terão 90 dias para apurar o caso e dar um parecer, que pode ser, inclusive, pela cassação do vereador por quebra de decoro parlamentar.

O processo foi motivado por uma representação feita pelo Grupo de Inteligência Municipal (GIM) de Nova Venécia, que é formado por cidadãos comuns que monitoram o trabalho do Legislativo. De acordo com a presidente do grupo, Natache Fiel, o pedido foi para que a Câmara cumprisse o Código de Ética e realizasse apuração própria dos fatos, além do que está correndo na Justiça.

A partir daí, o pedido foi analisado pela vereadora Gleyciaria de Araújo (DEM), que produziu um parecer indicando a continuidade das investigações. A sessão durou cerca de 5 horas e contou com intensa participação popular.

"O que o GIM espera é que os vereadores cumpram o Código de Ética e Conduta e, pelo menos, possam investigar. As provas parecem estar muito evidentes. Mas precisou de muita pressão popular para que isso fosse adiante. A população da cidade estava realmente interessada e preocupada", destacou Natache.

Durante a apresentação do parecer, a vereadora Gleyciaria frisou que a imagem da Câmara está em jogo. "Não podemos passar para a população que aqui tem pessoas que agem de má-fé. Meu parecer não foi fundamentado na minha opinião pessoal, eu analisei o processo. Não podemos deixar que fatos como esse aconteçam. Peço que acompanhem meu parecer. O nome desta Casa foi jogado por terra. Temos que analisar qual é a postura que um legislador deve ter", defendeu.

O vereador Ronaldo Barreiros tentou se explicar na tribuna da Casa em dois discursos, e negou as acusações. "Em momento algum eu fui ouvido nesta Casa, e quando estava com a posse desse computador, eu nunca disse que ele não era dessa Casa. Esse computador acompanhava a mim desde 2015. Uma das falhas foi de nunca ter feito um termo de compromisso. Sempre trabalhei honestamente para ganhar meu sustento. Cheguei nesta Casa na humildade, e isso incomoda algumas pessoas do meio da sociedade. Não aprovem o requerimento. Eu não fiz isso, eu não preciso disso", declarou.

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