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Hartung lança cinco nomes como possíveis sucessores no governo

César Colnago, André Garcia, Amaro Neto, Erick Musso e Sérgio Vidigal são cotados pelo governador para a eleição deste ano

Foto: Carlos Alberto Silva

Na primeira entrevista concedida por Paulo Hartung após sua decisão de ficar no PMDB e no cargo, nesta quinta-feira (12), o governador afirma que não necessariamente será candidato à reeleição e lança uma lista de cinco aliados políticos que podem vir a ser apoiados por ele, já na eleição deste ano, como seu candidato a sucessor no Palácio Anchieta. 

A relação de Hartung inclui o vice-governador César Colnago (PSDB); o ex-secretário estadual de Segurança Pública André Garcia (PMDB); o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB); o deputado estadual Amaro Neto (PRB); e o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT).

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Já para futuras eleições ao governo do Espírito Santo, Hartung destaca o nome do prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), como quadro com potencial para administrar o Estado.

"Falei aqui de seis nomes para mostrar uma coisa: o Estado tem nomes para o presente, para esta sucessão agora, e para o futuro. O Brasil não tem. O Espírito Santo tem quadros importantes para me suceder agora, na minha visão, e para operar no futuro", afirma Hartung.

No último sábado (7 de abril), esgotou-se o prazo que o governador tinha para tomar duas decisões importantes: se trocaria ou não de partido e se sairia ou não do governo para poder concorrer a outro cargo eletivo (por exemplo, o de senador). Hartung decidiu ficar no PMDB e continuar na cadeira de governador para concluir o atual mandato, no dia 31 de dezembro.

A partir dessas escolhas, as opções eleitorais para Hartung agora se resumem a duas: ou ele disputa a reeleição pelo PMDB ou abre mão da reeleição, não concorre a nenhum outro cargo e lança um aliado para a própria sucessão. Nesta entrevista, Hartung não descarta a reeleição, mas enfatiza que sua prioridade, neste momento, é buscar construir um sucessor, em nome dos princípios da "renovação de lideranças", da "alternância no poder" e da "reoxigenação da política capixaba".

"(Lançar outro nome) é minha prioridade absoluta", ressalta ele. "A minha opção é uma opção que tenho batalhado por ela. (...) Tenho compromisso com a renovação. Tenho compromisso com a alternância no poder. Tenho compromisso com a oxigenação da política."

De todo modo, Hartung mantém em aberto as duas opções e destaca que a decisão final só será tomada e anunciada na segunda quinzena de julho.

Confira, abaixo, a entrevista completa do governador sobre seus planos daqui para a frente.

O senhor é ou não é candidato à reeleição?

Eu te prometo que, lá para a segunda quinzena de julho, eu te respondo essa pergunta.

E hoje quais são as opções que estão na sua mente?

A minha opção é uma opção que tenho batalhado por ela. Se você olhar a história do Espírito Santo, vai encontrar poucas lideranças que tenham se dedicado tanto como eu a formar novas lideranças para o Estado. Você vai encontrar o Jones (dos Santos Neves), lá no passado. Isso são os historiadores que vão escrever, mas talvez eu seja a liderança que maior empenho tem em formar quadros na história do Espírito Santo. Então, tenho compromisso com a renovação. Tenho compromisso com a alternância no poder. Tenho compromisso com a oxigenação da política.

Isso significa que o senhor pode, sim, lançar um candidato do seu grupo à sua sucessão, em vez de disputar a reeleição?

Claro! É isso que estou dizendo. Agora é que estamos no tempo para começarmos a avaliar isso com calma. Temos muito tempo, quase quatro meses. É uma eternidade na política. Se você olhar a história política recente do Espírito Santo, você vai ver os quadros que estão aí e vai encontrar boa parte dos quadros importantes da política capixaba, inclusive que fazem oposição a mim hoje, formados pelas minhas equipes de governo, pelo meu trabalho político. Eu tenho muito orgulho disso. Tenho muito orgulho de estar formando gente. O Espírito Santo não tem problema de quadros. O Brasil é que tem problema de quadros. O Brasil é um vazio de lideranças hoje. Mas o Espírito Santo, não. O Espírito Santo tem quadros para conduzi-lo de uma maneira séria, responsável, comprometida com a prioridade no social, formados ao longo desse tempo. Então, se tudo correr bem, nós podemos, sim, produzir um quadro renovador desse movimento que estamos fazendo no Espírito Santo.

Então essa é a sua prioridade hoje, governador?

Absoluta.

Sua prioridade é lançar um outro nome?

Absoluta. Estou te respondendo.

E que nome seria esse? Que "quadros renovadores" são esses que o senhor identifica hoje dentro da sua equipe?

São múltiplos.

O senhor pode me dar alguns nomes de "candidatáveis”?

São múltiplos. Posso dar nomes, sim. Acho que o vice-governador (César Colnago, do PSDB) está em condições. Já assumiu o governo. Demonstrou competência. As pessoas esquecem que, quando eu estava num centro cirúrgico, ele estava aqui governando o Estado (em fevereiro de 2017, durante o movimento de aquartelamento dos policiais militares). Vejo tanta gente batendo palma para o nosso comandante Nylton Rodrigues, que agora é o nosso secretário de Segurança. Não fui eu que descobri o Nylton num momento de crise. Quem o descobriu foi César Colnago (como governador em exercício, Colnago nomeou Nylton Rodrigues para o cargo de comandante-geral da PMES, no início da crise da segurança pública). Então, o vice-governador é um nome. Está em condições de disputar tudo.

Quem mais?

Ainda na área da Segurança, nós temos o André Garcia, um nome extraordinário. O nome do André é tão forte e respeitado hoje no Estado que o simples fato de a gente ter filiado ele no PMDB pautou a ideia de que ele pode concorrer ao governo. E o movimento de filiação dele foi para manter o equilíbrio entre as diversas forças que nos apoiam.

Então, inicialmente, a filiação de André Garcia ao PMDB não foi com essa intenção de balão de ensaio, de lançar o nome dele nessa especulação?

Nada! Não tem especulação nenhuma. Foi simplesmente buscando um equilíbrio de forças na bancada. Tivemos que fazer um emagrecimento na bancada do PMDB. Eu conduzi isso. Tive participação direta nisso, porque eles (deputados e dirigentes partidários) me pediram isso, porque a bancada do PMDB na Assembleia Legislativa (inicialmente, com sete deputados) estava num tamanho artificial. Aí a bancada tinha ficado desproporcional, o que não é compatível com essa estrutura partidária que nós temos. Então a bancada do PMDB foi esvaziada sob minha liderança.

Garcia declarou ter entrado no PMDB, a pedido direto do senhor, para, a princípio, ser candidato a deputado estadual. Então a entrada dele no PMDB, a priori, atendeu a esse objetivo de gerar um equilíbrio nas bancadas, como se fosse um contrapeso?

Sim, foi para gerar um equilíbrio. Mas chamo a atenção para o seguinte: na hora em que ele se filiou ao PMDB (no último sábado), já saiu que ele era um nome do governador para a sucessão do governo estadual. Para você ver a dimensão que ganhou o secretário de Segurança. E olha os desafios que ele teve! Passou pela greve da polícia, quando uma parte do movimento político pedia a cabeça dele. O "prêmio de consolação" para o equívoco da greve era dar a cabeça do secretário, coisa que eu não faço de jeito nenhum. Mantivemos o secretário e ele sai da secretaria com um trabalho maravilhoso, prestigiado e respeitado no Brasil. O que o doutor André vai disputar? Vamos ver isso com o tempo. Mas é um nome que está posto.

Mais algum nome correndo por fora?

Só vou te dar mais três exemplos, para você ter exemplos. Eu peguei dois nomes do governo. Vou te dar também três exemplos que não estão na equipe de governo. O primeiro é do presidente da Assembleia (Erick Musso, recém-filiado ao PRB): jovem, tem metade da minha idade (Erick tem 31, enquanto Hartung está prestes a fazer 61), talentosíssimo! Talentosíssimo politicamente.

Mas Erick para governador agora, já nesta eleição?

Estou te dizendo. Presta atenção no presidente da Assembleia! De vice-líder do governo no plenário, ele virou presidente da Assembleia. Esse é um nome que eu acho que veio para ocupar um espaço grande na política do Espírito Santo. Então, esse também é um nome.

Perdão, governador, mas essa é uma aposta para agora ou no longo prazo?

Agora! Você me perguntou se tem nomes agora, e eu estou te dando nomes. Comecei dentro do Executivo, podia dar mais, mas dei só dois exemplos. Agora estou indo no Legislativo. Estou pedindo a você que preste atenção no presidente da Assembleia e preste atenção no deputado Amaro Neto (recém-filiado ao PRB). Estou falando agora. Tudo agora! Vou na bancada federal, para falar de um quinto nome: Sérgio Vidigal (PDT). É líder numa base importante, que é o município da Serra, o maior colégio eleitoral do Espírito Santo. Está muito bem avaliado lá. Eu vi as pesquisas. Estou falando de coisas concretas. E é um nome. Vou falar de um outro nome que não é para agora, mas vou falar para a frente, lá na Serra também: o atual prefeito da Serra (Audifax Barcelos, da Rede Sustentabilidade). É bom gestor, bom administrador. Ficou no mandato para concluir o mandato. Então, falei aqui de seis nomes para mostrar uma coisa: o Estado tem nomes para o presente, para esta sucessão agora, e para o futuro. O Brasil não tem. O Espírito Santo tem quadros importantes para me suceder agora, na minha visão, e para operar no futuro. Isso é uma coisa muito boa, e tem um pedacinho do meu esforço, da minha mão, enquanto a maioria das lideranças no país não permite nem que nasça capim em volta dela.

Só para deixar claro mesmo: esses cinco primeiros nomes que o senhor enumerou (Colnago, André Garcia, Erick Musso, Amaro e Vidigal) são, potencialmente, nomes que podem vir a ser lançados pelo senhor como candidatos a seu sucessor, com o seu apoio, este ano?

Claro. É a pergunta que você me fez. Vou repetir para a gente ter clareza: temos até a segunda quinzena de julho para decidir. O que vamos fazer até lá? Usar essa energia boa que nós temos para produzir um quadro que nos possibilite fazer isso com renovação na política do Espírito Santo, o que seria ótimo, diga-se de passagem.

Quanto ao César Colnago, na sua opinião, ele hoje tem a preferência por ser o vice-governador? É correto dizer que ele está um passo à frente dos demais nessa fila?

Não, eu acho que nessa fila estão todos na mesma posição. Vamos observando todos aí.

Ele não é o "candidato natural"?

Ele está no meu coração, porque gosto dele demais e todo mundo sabe disso. Mas eu acho que, hoje, com a minha permanência no governo, eu vou usar a expressão do Abraham Lincoln: nós estamos numa largada igualitária na corrida da vida. E estamos com o governo sendo crescentemente bem avaliado pela população. É uma corrida legal. Vamos ver qual será a percepção da população. Agora, para a frente, a gente pode fazer pesquisa, pode avaliar isso tudo e ver qual a percepção que a população tem. E, evidentemente, se for viável um processo de renovação, de botar um sangue novo na política do Espírito Santo, é gol de placa.

Resumindo, o senhor mantém em aberto as duas opções, que são concorrer à reeleição ou lançar um novo nome, mas hoje com preferência para essa segunda opção, da renovação?

Claro.

Agora, imaginar o senhor lançando um candidato à sucessão equivale a pensar no senhor sem mandato eletivo pelos próximos anos. O senhor se vê sem mandato eletivo a esta altura da vida? Pergunto isso porque, desde o início dos anos 1980, o senhor esteve presente em todas as eleições, menos na de 2010.

Como é que foi meu final na Prefeitura de Vitória? Terminei o meu mandato (em 1996), graças a Deus super bem avaliado, e não tinha reeleição. A reeleição veio um mandato depois. Então, fiquei sem mandato. Primeiro, fui para os Estados Unidos a convite do governo americano, fui conhecer como as cidades funcionavam, uma espécie de reciclagem. Quando voltei, o presidente Fernando Henrique Cardoso me convidou para ser diretor da área social do BNDES, que foi uma escola para mim, diga-se de passagem. Quando chegou 2010, foi outro ano decisivo na minha vida. Acabei decidindo por concluir o meu mandato. Terminei o mandato, fiz um período sabático na cidade de San Francisco, EUA, para ler de novo sobre economia, aperfeiçoar meu conhecimento da língua inglesa. Fiquei lá por três meses e voltei a trabalhar. Fui convidado para ser membro de conselhos de grupos empresariais. Trabalhei em dois deles. Foi uma experiência também importante. E depois voltei a disputar eleição (em 2014) e me elegi governador mais uma vez. Então, já estive sem mandato. Foi natural e foi muito produtivo do ponto de vista intelectual para mim.

Governador, me perdoe a insistência neste ponto, mas tenho que ponderar o seguinte: o contexto atual tem uma particularidade e é bastante diferente daquele de 1996, quando o senhor, como bem lembrou, não podia disputar a reeleição. E também é diferente de 2010, quando o senhor podia lançar candidatura ao Senado ou a outro cargo eletivo, mas estava concluindo o seu segundo mandato seguido no governo, não podendo, portanto, concorrer à reeleição. Agora, estamos falando de um governador encerrando o primeiro mandato e que, mesmo podendo pleitear um segundo mandato, estaria abrindo mão desse direito. Eu não conheço nenhum precedente de algo assim. Acho que seria algo inédito…

A decisão não está tomada. Coloquei meu coração em cima da mesa aqui para você. Você me perguntou quando sai a decisão. Sai na segunda quinzena de julho. Qual a prioridade? A prioridade é a renovação e reoxigenação da política capixaba, se tiver espaço para isso.

Em entrevistas anteriores, o senhor já se disse contra a reeleição. A experiência o levou a adotar essa convicção. Seria uma maneira de dar esse exemplo pessoal?

A reeleição está aí. Lá atrás, o que eu defendi foi um mandato eletivo um pouquinho maior, de cinco anos, sem direito à reeleição. Direito a voltar depois, mas com alternância no meio do caminho. Acho que isso seria mais saudável para o país. Mas não é nisso que nós estamos. Então você tem direito à reeleição, pode ser usado, pode não ser usado. Temos um caminho a ser traçado até julho. Vamos com calma, traçando. Mas não escondi de você absolutamente nada. Está tudo aí na mesa. Os caminhos que nós temos são esses. Vamos trilhá-los com tranquilidade.

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