Notícia

PSDB anuncia aliança com PSB, mas parceria ainda está ameaçada

Governistas tentam atrair os tucanos de volta para Hartung

Sérgio Vidigal, Ricardo Ferraço, Renato Casagrande, Theodorico Ferraço e Luiz Cicillioti participaram de reunião na sede do PSB
Sérgio Vidigal, Ricardo Ferraço, Renato Casagrande, Theodorico Ferraço e Luiz Cicillioti participaram de reunião na sede do PSB
Foto: Letícia Gonçalves

Enquanto partidos governistas estavam reunidos no 6º andar do edifício em que funciona a sede do PSD estadual, na tarde de terça-feira (24), em Vitória, dez andares acima, o entra e sai no escritório do senador Ricardo Ferraço (PSDB) era constante.

Horas antes, o tucano sentou-se ao lado do ex-governador Renato Casagrande (PSB), na sede do PSB estadual, em Jucutuquara, e selou a aliança de PSDB, PDT e DEM com o socialista. “Renato é nosso candidato ao governo”, afirmou, no anúncio. Ferraço falava não somente na condição de pré-candidato à reeleição, mas como nome designado pelo partido para fazer as tratativas com as demais siglas. Além disso, ele contou ter sido o escolhido para ser o coordenador da campanha do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) no Estado.

Leia também

Fontes consultadas pela reportagem revelam que o grupo já sabia das conversas que o governador Paulo Hartung (MDB) manteve com aliados, a respeito da possível candidatura à reeleição, antes de divulgar a aliança, mas o roteiro foi mantido. Ao final, Ferraço tratou a possível reviravolta como “especulação” e asseverou que a parceria com Casagrande é “definitiva, claro”.

Há controvérsias. Governistas tentam trazer o PSDB de volta. Os tucanos faziam parte do grupo hartunguista e a sigla é também a do vice-governador César Colnago. Seria um tanto esquizofrênico se o vice ficasse em um palanque e o governador, se a candidatura de Hartung à reeleição se confirmar, em outro. Uma “reviravolta do PSDB”, na verdade, pode ser a fiadora da possível mudança de rumo do governador.

BRASÍLIA

Hoje, Ferraço e Colnago, que também é presidente estadual do PSDB, têm um encontro com Alckmin em Brasília. De acordo com o ex-secretário da Casa Civil José Carlos da Fonseca Júnior, o presidenciável telefonou para Hartung. O colunista Leonel Ximenes, de A GAZETA, registrou que, na conversa, Alckmin disse que apoiaria a reeleição do emedebista.

ALIANÇAS

Ao deixar a sede do PSB, ontem, o presidente estadual do PDT, Sérgio Vidigal, disse que a aliança com o PSB está mantida. “A minha, sim. Posso falar só sobre o PDT, não posso falar pelos outros. O PDT continua onde tem o palanque para Ciro Gomes, que é prioridade para nós”, afirmou. Casagrande disse que faria palanque para Ciro. O PDT, entretanto, é outra sigla que os governistas pretendem atrair em meio ao movimento “volta, Hartung”.

O deputado Theodorico Ferraço (DEM), pai de Ricardo, foi taxativo: “Essa aliança (com o PSB) foi previamente combinada e conversada com os partidos. O que pode ocorrer depois dessa decisão é a quebra de palavra, é a quebra de compromisso. Isso não está na minha Bíblia, nem na Bíblia do Colnago nem na Bíblia do Vidigal e muito menos na do Renato Casagrande”.

Voltando às visitas ao escritório de Ricardo Ferraço – Theodorico ficou no local por horas, mas não é bem uma visita –, por lá passaram, por exemplo, o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB), e o secretário de Estado de Esportes, Marcelo Coelho (PDT). Os dois, no entanto, desconversaram ao serem abordados pela reportagem, disseram que foram lá tratar de temas completamente diversos do assunto do dia. O deputado federal e presidente estadual do PP, Marcus Vicente, também esteve no gabinete do tucano e diz que mantém a aliança com Casagrande.

ABRIL SANGRENTO

Em 2010, houve uma reviravolta levada a cabo por Hartung e coprotagonizada por Ferraço. Hartung indicou Casagrande como sucessor e preteriu Ferraço, que era seu vice e cotado para concorrer ao Palácio. Foi o chamado “abril sangrento”.

Quase quatro anos depois, em janeiro de 2014, Ferraço disse ao jornal “Valor Econômico” que o emedebista “trabalha com dissimulação” e em abril daquele ano afirmou: “Vou defender a união em torno da candidatura de Casagrande”. Em seguida, o senador mergulhou no silêncio e, a partir de julho, se reaproximou de Hartung e o apoiou na campanha daquele ano.

Ver comentários