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Futura ministra dos Direitos Humanos é contrária ao aborto

Em entrevista coletiva após anúncio, Damares Alves disse que aborto continuará apenas nos casos previstos em lei e que Pasta vai lidar com 'vidas e não com morte'

Dalmares Alves, futura ministra no Governo Bolsonaro, ao lado do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni
Dalmares Alves, futura ministra no Governo Bolsonaro, ao lado do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni
Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

A pastora, advogada e futura chefe do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, declarou-se contra o aborto durante entrevista a jornalistas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), local onde se reúne a equipe de transição do governo.

"Eu sou contra o aborto. Eu acho que nenhuma mulher quer abortar. Elas chegam até o aborto porque não têm outra opção. A mulher que aborta acreditando que está desengravidando, o aborto não desengravida nenhuma mulher. A mulher caminha o resto da vida com o aborto. Se a gravidez é um problema que dura só nove meses, eu digo para vocês que o aborto é um problema que caminha a vida inteira com a mulher", afirmou.

Damares disse que quer um País que priorize políticas públicas de planejamento familiar e ressaltou que o aborto não deve ser considerado método contraceptivo. "Aborto apenas nos casos necessários e que estão previstos em lei. Essa pasta não vai lidar com o tema aborto. Vai lidar com proteção de vidas e não com morte."

A futura ministra nomeada por Jair Bolsonaro ainda afirmou que tem uma boa relação com os movimentos LGBT. "A pauta LGBT é uma pauta muito delicada, mas a minha relação com os movimentos LGBT é muito boa. Eu tenho entendido que dá pra gente ter um governo de paz entre o movimento conservador, o movimento LGBT e os demais movimentos", declarou.

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A chefe da pasta afirmou que irá fazer o enfrentamento à violência contra a comunidade LGBT. "Se precisar estarei nas ruas com as travestis, se precisar estarei na porta da escola com as crianças que são discriminadas por sua orientação sexual".

CONGRESSO

Após imbróglios envolvendo a bancada evangélica do Congresso e as indicações do futuro presidente eleito Jair Bolsonaro para a chefia dos ministérios, o líder da frente parlamentar, deputado Takayama (PSC-PR), comemorou a escolha da pastora e advogada Damares Alves para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. “Ela é amada pela frente”, disse ele ao Estadão/Broadcast.

Damares é assessora lotada no gabinete do senador e candidato derrotado à reeleição Magno Malta(PR-ES). Ele foi um dos políticos mais próximos de Bolsonaro na campanha e a expectativa é de que fosse indicado para algum ministério, inclusive o que hoje está com Damares, mas Bolsonaro disse que não é "adequado" indicá-lo no momento.

Já um aliado de Malta na Casa, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), considerou uma provocação a escolha de Damares Alves para o ministério. "Se antes parecia uma ingratidão, agora fica claro que há uma intenção de afrontar o Magno Malta", disse o parlamentar, que também é membro do núcleo duro da frente evangélica na Câmara.

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