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Hartung anuncia que vai deixar R$ 450 milhões livres em caixa para 2019

O governador fez um balanço de sua gestão no governo do Espírito Santo, iniciada em 2015

Governador  Paulo Hartung, no balanço de fim de ano de 2018
Governador Paulo Hartung, no balanço de fim de ano de 2018
Foto: Ricardo Medeiros - GZ

O governador Paulo Hartung (sem partido) encerra na próxima segunda-feira (31) seus quatro anos de gestão com a avaliação de ter atravessado um verdadeiro deserto, na questão das finanças públicas, mas que hoje o Espírito Santo é visto com respeito e admiração. Em seu balanço de fim de ano, realizado nesta sexta-feira (28), ele anunciou que deixará R$ 450 milhões em recursos livres, no caixa do Estado, para a próxima gestão, o que equivale ao custo da folha de pagamento de um mês, aproximadamente.

Hartung acrescentou que também deixa R$ 600 milhões garantidos para custear convênios firmados com municípios, e R$ 2,536 bilhões em operações de crédito já contratadas. Além disso, há outras operações de crédito em fase de contratação com o BID e o BNDES que totalizam R$ 1,326 bilhão.

Entre as operações de crédito já firmadas estão Programa de Macrodrenagem Vila Velha e Cariacica, com a Caixa, e com o BNDES o Programa Especial de Apoio aos Estados (Propae), e o Programa de Melhoria Contínua da Mobilidade Metropolitana, que era o antigo projeto do BRT.

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"Nosso endividamento hoje é baixo e meu conselho é que mantenha ele baixo. Estamos tomando R$ 3,8 bilhões em operações de crédito, ao todo. Isso alimenta quatro anos de governo com o pé nas costas, e estamos deixando mais do que investimos nos nossos quatro anos, que foram R$ 3 bilhões", declarou.

Com 9 operações de crédito firmadas ou em fase de contratação, Hartung e sua equipe iniciaram o governo, em 2015, acusando a gestão anterior pela queda em investimentos com recursos próprios e a dependência de operações de crédito. O governador esclareceu que esta modalidade de investimento é importante, mas precisa ser usada de forma sustentável.

"Nós nunca fomos contra operações de crédito. Nós achamos que o Estado tem que se manter pouco endividado, isso é um conceito que temos. Não pode é meter o pé na jaca. Se você pega a capacidade de investimento com recursos próprios e enfia no custeio e na folha de com pessoal, aí você pendura o investimento só na operação de crédito, o que não é sustentável. O que muita gente faz no Brasil é antecipar receita futura, aí faz a coisa no governo dele e ferra com o governo do outro", argumenta.

Quanto aos R$ 450 milhões deixados sem nenhuma vinculação, Hartung também fez um pedido ao sucessor, Renato Casagrande: de que uma parcela seja para ajudar a Afecc, do Hospital Santa Rita, e para o Hospital Infantil de Cachoeiro de Itapemirim, com os quais foram firmados convênios na Secretaria de Saúde.

BALANÇO

Na análise geral sobre os resultados dos quatro anos, o governador relembrou a expressão muito usada em seu início de governo, de que o Estado iria "comer um saco de sal grosso", e confessou que os desafios foram, na verdade, muito maiores. "Eu sabia que a economia brasileira estava indo para o buraco, que o Estado vinha contratando despesas correntes acima da sua capacidade, mas eu não via a crise hídrica que viria depois, a crise do petróleo e gás, não imaginaria que uma empresa como a Samarco fosse provocar um desastre ambiental de tal magnitude", apontou.

Ele ainda ressaltou os resultados da área fiscal, com o cumprimento rigoroso da Lei de Responsabilidade Fiscal. No fechamento de 2018, os gastos com pessoal ficaram em 42,3% da receita.

AS CONTAS

Em caixa

Recursos livres

R$ 450 milhões

Para convênios com municípios

R$ 600 milhões

Empréstimos já contratados

Programa Especial de Apoio aos Estados (Propae) - BNDES

R$ 816,5 milhões

Melhoria Contínua da Mobilidade Metropolitana - BNDES

R$ 468,1 milhões

Macrodrenagem de Vila Velha e Cariacica - Caixa

R$ 202,2 milhões

Gestão das Águas e Paisagem - Banco Mundial

R$ 852,29 milhões

Segurança Cidadã (Estado Presente) - BID

R$ 197,86 milhões

Empréstimos em contratação

Junto ao BID

- Pacto pela Aprendizagem

R$ 277,16 milhões

- Eficiência Logística 

R$ 736,87 milhões

- Programa de Apoio à Gestão dos Fiscos do Brasil (Profisco)

R$ 148,40 milhões

Junto ao BNDES

- Projeto Segurança ES 

R$ 164,2 milhões

ENTREVISTA

Qual será a atuação do senhor a partir de agora? Será candidato a presidente?

Não tenho essa meta. Tenho pelo menos duas metas importantes nos movimentos cívicos. Ajudando a formar novas lideranças no país, pois há um déficit enorme, me somando ao trabalho do RenovaBR, do movimento Agora, para que jovens possam participar da adminstração pública e possam ter treinamento para mandatos eletivos, formando quadros. O outro é fortalecendo o trabalho da ONG Todos pela Educação, pela melhoria da qualidade da educação básica, levando as nossas experiências da Escola Viva, o Jovens de Futuro e o Pacto pela Aprendizagem, três bons programas.

Não ocupará mais cargos públicos?

Recebi 3 convites importantes. Mas agora estou indo para a vida privada, quando sair do governo vou divulgar. Não reivindico posições. Não é essa a questão do país. Estamos precisando, além de consertar as contas, consertar a educação básica do país. Ajudar o Brasil a encontrar sua agenda correta. Não vou disputar eleições, mas vou continuar militando na política. Formando lideranças, defendendo propostas para o país, botando a cara na reta e defendendo a reforma da previdência, porque ela combate privilégios. Porque um pedreiro se aposenta 10 anos depois de uma pessoa de classe média. É mexer na desigualdade social do Brasil. Eu não vou ficar escondido. Vou ficar com a cara na reta, defendendo as boas teses.

Vai colaborar com o futuro governo do Estado?

Estou à disposição. Eu não estou pedindo para ser ouvido em nada, ou que para governar precisa me ouvir. Não sou de empurrar porta, não sou entrão. Sempre fui pessoa na minha. Mas se precisar da minha ajuda, não precisa ser pública, pode ser particular, eu quero ver meu Estado dando certo. É a minha torcida, para que seja um bom governo. Sou morador do Estado, apaixonado por ele.

Como senhor espera ser lembrado no futuro pelos capixabas?

Não sei como eles vão lembrar de mim, mas sei como vou me lembrar dos capixabas. Com agradecimento. Disputar 8 eleições, e em todas tive votações muito bonitas, desde 1982, quando me elegi deputado estadual, o 4º mais votado do Estado, superior a 20 mil votos. Então o que vou lembrar dos capixabas é com muita gratidão pelas oportunidades que me deram. Acredito muito em time, em equipe, não acredito em improviso. Precisa de planejamento, senso de prioridade. Quem está num lugar de liderança como esse enfrenta desafios pesados. Precisa ter tranquilidade, paciência para conviver com incompreensões graves. Mas o tempo conserta as coisas. Dos atributos que um liderança precisa ter é olhar no branco do olho e conversar.

Considera que cometeu algum erro, ou faria algo diferente?

Temos que ter pé no chão. Quem faz, bota a mão na massa, acerta e erra. Só não pode repetir um erro no mesmo assunto. Ninguém está imune a erras, mas o balanço é de um governo exitoso. Estou orgulhoso. Diferente do outro, em que começamos em uma quadra complicadérrima, mas graças a Deus superamos. São naturezas diferentes. País indo mal, as contas do Estado também, aí vem falta de chuva, barril de petróleo desabando e Samarco. Em 2015, achei que era o fundo do poço. Não foi, 2016 foi pior. E em 2017 começou a recuperação. Começamos a soltar investimentos, introduzimos auxílio-alimentação e conseguimos pagar abono no fim do ano. No início do governo, muitos servidores achavam que estávamos escondendo dinheiro para soltar nos últimos anos. Tinha essa fantasia no funcionalismo. Não tem como esconder dinheiro, está tudo no Portal da Transparência. Hoje acho que as coisas estão pacificadas.

O que fica como lição, após um episódio como a greve da PM, que ocorreu em seu governo?

Esse é um assunto absolutamente superado em nosso Estado. Os números da Segurança Pública mostram isso. Foi um momento desafiador, sim. Não faltou diálogo, faltou dinheiro. Explicamos isso à exaustão, os negociadores do governo eram os melhores quadros, com toda humildade do mundo. E greve de policial é ilegal. É certo que seja. Porque um funcionário público armado não pode ter direito de greve, senão vai usar isso para coagir a sociedade. E é isso que não pode acontecer nunca. Temos que virar essa página. Se quisermos ajudar a segurança pública, o que aconselho é não brincar de transformar a polícia em palanque de grupo, de facção, porque não vai dar certo. Os investimentos que estamos fazendo em segurança são inéditos, com duas operações de crédito, uma nacional e uma internacional.

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