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Saiba como era a relação com o vice nas eras FH, Lula e Dilma

Papel do 'número dois' volta ao debate após pedido de Bolsonaro para que o general Mourão abandone qualquer protagonismo

José Alencar, Marco Maciel e Michel Temer foram os três últimos vices-presidentes do Brasil
José Alencar, Marco Maciel e Michel Temer foram os três últimos vices-presidentes do Brasil
Foto: Reprodução

A mais recente "lei do silêncio" que o presidente eleito Jair Bolsonaro impôs ao vice, General Mourão, reacende os holofotes sobre a relação entre o chefe do Executivo nacional e o "números dois" com o qual divide o poder. Nos governos de Fernando Henrique Cardoso , Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff , a percepção sobre o comportamento dos vices mudou expressivamente: da discrição de Marco Maciel, segundo nome forte da gestão tucana, ao protagonismo do antes "decorativo" Michel Temer , que assumiu o lugar da petista após o impeachment de 2016.

O pouco espaço deixado por Bolsonaro para que Mourão atue no governo — o atual desenho da estrutura não deixa atribuição pré-definida para a Vice-presidência — se assemelha ao cenário em que Temer esteve inserido durante o primeiro mandato de Dilma, antes de ser designado para a articulação política, em 2015. Já a trava verbal pode fazer com que o militar fale menos com a imprensa, o que o colocaria em pé de igualdade com Maciel, elogiado publicamente por não se indispor publicamente com FH.

O “DECORATIVO” VOLUNTÁRIO

A escolha de Marco Maciel para a vice selou a aliança do PSDB de Fernando Henrique com o PFL, então o maior partido da Câmara. Em dois mandatos, Maciel não entrou em atrito com FH e deixou a marca da discrição — era elogiado justamente por evitar declarações públicas ou opinar em polêmicas do governo. O comportamento foi sintetizado por ele em uma frase: "O vice deve ser discreto, mas não pode ser omisso".

O “GRILO FALANTE” DA ECONOMIA

Um dos maiores empresários do país, José Alencar aumentou a aceitação de Lula junto ao PIB nacional ao se tornar seu vice. Desde o primeiro mandato, foi uma voz crítica à política monetária do governo. Em entrevistas e discursos, defendia a queda dos juros, embora não tivesse ascendência sobre a área.

MÁ RELAÇÃO E IMPEACHMENT

Em 2015, enfrentando rebelião da própria base no Congresso, Dilma Rousseff escalou o vice Michel Temer para a articulação política. Não funcionou. Aliado do então presidente da Câmara Eduardo Cunha, Temer queixou-se em carta de ter sido escanteado, e foi acusado de traição por ajudar a articular a queda da presidente.

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