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As promessas de Casagrande ao tomar posse como governador do ES

Casagrande disse que plano é combinar ações sem afetar o equilíbrio das contas do Espírito Santo; desafio é melhorar área social

Renato Casagrande durante solenidade de posse como governador no Palácio Anchieta
Renato Casagrande durante solenidade de posse como governador no Palácio Anchieta
Foto: Vitor Jubini

A defesa de uma gestão que possa combinar o equilíbrio fiscal com realizações nas áreas sociais foi o foco dos dois primeiros discursos de Renato Casagrande (PSB) ao tomar posse como governador do Estado na tarde desta terça-feira (1º).

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Tanto no discurso feito na Assembleia Legislativa, após a formalidade prevista pela Constituição, como também na cerimônia de transmissão do cargo de governador, no Palácio Anchieta, o socialista enfatizou a necessidade de ter cautela diante do cenário político-econômico ainda instável, apresentou um apanhado de algumas realizações de sua gestão anterior, encerrada em 2015, e fez críticas à rigidez da política fiscal implementada por Paulo Hartung (sem partido) ao sucedê-lo, considerada por ele como uma “ênfase exclusiva e obtusa ao aspecto fiscal”. Ele também apontou os problemas causados pela descontinuidade de programas e políticas públicas.

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No Palácio Anchieta, o discurso durou 32 minutos, e foi feito após Hartung já ter deixado a sede do governo. No início de sua fala, Casagrande também recitou uma crônica da escritora capixaba Bernadette Lyra, que fala sobre a paixão pelo Espírito Santo, e em seguida prestou nova homenagem ao ex-governador Gerson Camata, falecido na última semana.

Veja os principais pontos da fala do governador empossado.

Sentimento

“Essa faixa me caiu muito bem, mas tem um nível de responsabilidade muito grande. Costumo dizer que a política, como profissão, é a pior das profissões. Não tem dia, hora, sábado ou domingo. Quem quiser ir para a política como profissão é melhor achar outra, que é mais cômodo. Mas como missão é a melhor das missões, quando se está buscando a justiça, com fraternidade. E nada que se faz sem amor vale a pena. E essa é a missão que vocês me deram.”

Adversidades

“Hoje (ontem), ao receber a faixa, sei que recebo também a responsabilidade de mudar para melhor as condições de vida do nosso povo, um enorme desafio que assumo, com a clara consciência das dificuldades que teremos que enfrentar. Iniciamos um novo ano, um novo governo, e o que vemos no horizonte é um cenário de grandes expectativas e muitas incertezas. Estamos apenas começando a deixar para trás uma crise que em seu ponto mais agudo parecia ameaçar os próprios fundamentos da República. Que somou desequilíbrio fiscal, estagnação econômica, taxas recordes de desemprego, esgarçamento das instituições públicas, descrédito do país no plano externo, e profunda radicalização da política nacional. Vimos como houve brigas entre famílias, amigos, e a disputa e o radicalismo continuam presentes.”

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Incertezas

“Ao que tudo indica, o pior da tempestade já passou, mas ainda navegamos em águas agitadas, sem garantia que estamos indo para um porto seguro. Cabe ao novo presidente e governadores manter postura de cautela diante dos desafios que nos aguardam. É a palavra que mais tenho repetido para a minha equipe. Nós temos muitas expectativas, mas é preciso acompanhar com calma a movimentação da economia e da política nacional. Mas cautela em momento nenhum significa imobilismo, nem fuga das nossas responsabilidades, que assumo a partir de agora.”

Gestão fiscal

“É certo que vivemos uma realidade diferente daquela da maioria dos nossos vizinhos da federação. Graças à responsabilidade com que foi conduzido o campo fiscal nos últimos 8 anos, o Estado conseguiu atravessar a crise sem sucumbir às dívidas com fornecedores e servidores. Mas a opções feitas pelo governo que se encerra custaram um preço alto no campo social e econômico, um preço desnecessário, consequência de um governo conservador, adotado como norte para a gestão. Há 4 anos, quando concluí meu primeiro mandato, entreguei ao meu sucessor um Estado equilibrado, classificado com nota A pela Secretaria do Tesouro Nacional. Hoje recebo o Estado mantendo essa classificação, mas enfrenta enormes carências em áreas sociais, como segurança, saúde, educação e infraestrutura.”

Renato Casagrande durante solenidade de posse como governador no Palácio Anchieta
Renato Casagrande durante solenidade de posse como governador no Palácio Anchieta
Foto: Carlos Alberto Silva

Gargalos

“Por questões meramente políticas, programas fundamentais para a melhoria das condições de vida das famílias capixabas foram reduzidos ou abandonados. Em todo Estado, dezenas de obras tiveram a conclusão adiada ou continuam interrompidas. Investimentos na nossa malha rodoviária foram suspensos, mesmo quando já contavam com projetos executivos e financiamentos. Centros de Especialidades Regionais, em vias de conclusão, permaneceram fechados, enquanto a população sofria sem atendimento. E programas como o Estado Presente, Patrulha da Comunidade, que somavam excelentes resultados, foram simplesmente deixados de lado. São apenas exemplos de ações e políticas que sucumbiram à visão exclusivamente fiscalista que orientou o governo passado. E foi para mudar esse foco, esse modelo de gestão, que os capixabas se manifestaram nas urnas.”

Marcas

“Fomos eleitos para resgatar os projetos de mobilidade Metropolitana, que passaram anos mofando nas gavetas, para concluir as obras iniciadas, que estão se deteriorando por abandono. Para trazer de volta uma gestão democrática, humanista, inovadora. Temos um compromisso inarredável com o equilíbrio fiscal, pois entendemos que é a base essencial para produzir tais resultados. Daí a cautela, equilíbrio, rigor na aplicação dos recursos públicos. Serão marcas indissociáveis do meu governo, como foi o anterior. Mas a responsabilidade que busco vai além do simples equilíbrio entre receita e despesa. Assumi o compromisso de trabalhar sem descanso para melhorar a vida de todo Estado.”

Promessas

“Voltaremos a investir na regionalização dos serviços de saúde, em parceria com consórcios municipais, filantrópicos, entidades privadas, para levar atendimento eficiente para todas as famílias. Vamos retomar o programa Estado Presente, colocá-lo sob a coordenação direta do governador. Eu coordenei o programa por 4 anos, para continuar reduzindo o índice de homicídios. Vamos enfrentar os crimes contra o patrimônio, que cresceram nos últimos anos, por falta de investimento nas forças policiais. Não será tarefa rápida, imediata, porque entregamos com 10 mil policiais e estamos recebendo com 8 mil. Na área de educação, adotaremos novas tecnologias e métodos de ensino em todas as escolas estaduais, com parcerias. Vamos mudar o atual quadro de discriminação que privilegia um grupo de escolas. O programa de mobilidade metropolitana será resgatado. Daremos prioridade total ao transporte coletivo, com adoção de novos modais, e conclusão de obras viárias da Grande Vitória, como Portal do Príncipe e a Leitão da Silva. A mesma determinação será aplicada às obras de infraestrutura interrompidas ou abandonadas. Não deixaremos nenhuma delas sem conclusão.”

Governo federal

“Vamos trabalhar junto com a nossa bancada, para resgatar a dívida que a União acumulou com o nosso Estado. Com o presidente Bolsonaro, faremos uma ponte, para que possa cumprir com suas obrigações no Estado, em especial as mais urgentes, que não foram solucionadas. Temos que ter investimentos nas rodovias federais, nas ferrovias, portos. Para que o Estado seja competitivo, um item é a sua plataforma logística. A bancada será a minha representante em Brasília. Não daremos um passo em direção a Brasília sem convidar os 13 parlamentares. Por isso quero estabelecer pontes.”

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