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Ex-aliado do PT e com novo nome, PRB quer ser centro-direita

Com a mudança, o partido diz que segue conservador nos costumes, mas liberal na economia. No Espírito Santo, sigla se prepara para as eleições do ano que vem

Marcos Pereira, ex-ministro do governo Temer, é presidente nacional do PRB
Marcos Pereira, ex-ministro do governo Temer, é presidente nacional do PRB
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil

O Partido Republicano Brasileiro (PRB) decidiu mudar de nome. A sigla, que já fez parte dos governos Lula, Dilma (ambos do PT) e Temer (MDB), seguiu a tendência de outros partidos e vai eliminar a letra "P". Agora, o partido quer ser conhecido como "Republicanos" e de centro de direita.

No Espírito Santo, embora não seja oposição ao governo Renato Casagrande (PSB), o objetivo da sigla é bem claro: crescer e ter candidatos próprios nas próximas eleições municipais, em 2020, e também nas eleições gerais, em 2022. 

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Para políticos do Estado, a mudança da sigla faz com que se consiga atrair eleitores que estejam mais alinhados com a pauta mais conservadora. É que, ao mudar para centro-direita, o partido busca manter o conservadorismo nos costumes, mas atuar como liberal na economia. 

O deputado estadual Hudson Leal, do PRB, afirma que, após a mudança, as estratégias serão ampliadas. "Com o posicionamento nacional, ficou até melhor. A centro-direita dialoga com o desenvolvimento. Quando tem um lado só, você fica muito limitado."

O parlamentar observa, ainda, que o partido se prepara fortemente para o futuro. "O PRB no Brasil e no Estado está preparado não só para 2020. Acreditamos que em 2026 terá de sete a oito partidos no país e, pelo nosso planejamento, o Republicanos vai ser um deles", vislumbra Hudson.

O deputado diz, ainda, que a sigla pretende eleger de 15 a 18 prefeitos no Estado na próxima eleição, além de quase 100 vereadores.

O pensamento do partido no Espírito Santo, diz o deputado federal Amaro Neto (PRB), é o mesmo do nacional. "Buscamos fazer o maior número de prefeitos, vereadores, deputados, para dar condição do partido se solidificar para um projeto em 2022", relata. O parlamentar diz enxergar nomes qualificados para disputar prefeituras e governo do Estado em eleições futuras.

Segundo o parlamentar, o foco no desenvolvimento econômico, pelo partido, não abrange apenas o âmbito nacional. "Essa pauta não é apenas nacional, mas municipalista. Busca fortalecer o desenvolvimento local, nas cidades", afirma Amaro. 

CRESCIMENTO

Em 2014, o partido elegeu 21 deputados federais. Já em 2018, aumentou para 30. Também nas últimas eleições, o PRB elegeu 42 parlamentares, aumentando nove em relação à eleição anterior. No Estado, a sigla ganha destaque com nomes como Amaro, deputado federal mais votado do Espírito Santo; o deputado estadual Erick Musso que foi reeleito neste ano para comandar a Assembleia Legislativa; e Hudson Leal, que tem como ambição ser prefeito de Vila Velha

MUDANÇA NA SIGLA

O presidente do partido no Espírito Santo, Roberto Carneiro, diz que a decisão de mudar o nome da legenda surgiu após vários estudos e pesquisas. Por meio delas, foi entendido que é o momento de deixar as siglas tradicionais para trás. “Como centro-direita, segue atuando com valores da família, mas liberal na parte econômica, agenda que o Brasil está precisando. Faremos o setor privado crescer”, afirma.

Deputado federal Amaro Neto, deputado estadual Hudsson Leal e também deputado Erick Musso
Deputado federal Amaro Neto, deputado estadual Hudsson Leal e também deputado Erick Musso
Foto: Divulgação

Presidente nacional do partido e bispo licenciado da Igreja Universal, o deputado federal Marcos Pereira esclarece que o PRB nasceu generalista, com proximidade dos partidos de esquerda, mas que a essência sempre foi conservadora.

"Quem lia nosso programa não saberia dizer ao certo quais posições a gente defendia. Agora, no novo manifesto, expomos de forma clara as bandeiras que defendemos. Não abrimos mão de defender as pautas conservadoras, mas sem fechar os olhos para avanços tecnológicos", afirma. 

HISTÓRICO

Para fugir do desgaste da representação política no Brasil, partidos buscam tirar o "P" das siglas. O objetivo é se distanciar da palavra "partido" e apresentar palavras de ordem. O PRB vem de um histórico de ministérios em governos anteriores. 

O antigo Partido Republicano Brasileiro (PRB), agora Republicanos, foi criado agosto em 2005. Na época, com o nome de Partido Municipalista Renovador (PMR). Em setembro do mesmo ano, José Alencar, vice de Lula, filiou-se ao então PMR e tornou-se presidente de honra do partido. Em outubro de 2005, o PMR passou a ser Partido Republicano Brasileiro (PRB).

No governo Lula , em junho de 2006, a sigla passou a ocupar uma cadeira na Esplanada dos Ministérios. É que Roberto Mangabeira Ubger assumiu a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. No mesmo ano, José de Alencar foi reeleito vice-presidente. 

Já no governo Dilma (PT), em março de 2012, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) assumiu o Ministério da Pesca. Em 2014, para Crivella retornar ao Senado para concorrer ao governo do Rio, Eduardo Lopes assumiu a cadeira. 

Em janeiro de 2015, o deputado federal George Hilton (PRB-MG) assumiu o Ministério do Esporte. Em abril de 2018, já o governo Temer (MDB), o próprio Marcos Pereira foi nomeado ministro de Estado da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. 

MUDANÇA DE SIGLA

PMDB

Mudou para: MDB

PPS

Mudou para: Cidadania

Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB)

Mudou para: Avante

Partido Trabalhista Nacional (PTN)

Mudou para: Podemos

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