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Servidores são presos acusados de integrar organização criminosa em Guaçuí

Investigações revelaram que os integrantes da organização criminosa se uniram para combinar editais, frustrar procedimentos licitatórios e divulgar dados sigilosos, tais como quem participaria das concorrências, quais as propostas feitas e quem ganharia o certame

Servidores da Prefeitura e da Câmara Municipal de Guaçuí, no Sul do Estado, foram presos acusados de integrar uma organização criminosa que atua para obter direta e indiretamente vantagem econômica com a prática de diversas infrações penais.

Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nos municípios de Guaçuí e Alegre. Os presos são:

- Edielson de Souza Rodrigues - secretário de Agricultura

- Vanderson Pires Vieira- secretário de Educação 

- Arivelton dos Santos - subsecretário de Finanças

- Gilmar Luzente Coutinho - membro da Comissão de Licitação

- Jean Barbosa Souza - membro da Comissão de Licitação

- Laudelino Alves Graciano Neto- presidente da Câmara de Vereadores 

- Carlos Magno da Silva - empresário que atua no ramo de transporte

Os detidos serão levados para o Centro de Detenção Provisória de Marataízes e para o Centro de Triagem de Viana.

A operação "Ouro Velho", do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, por meio da Promotoria de Justiça de Guaçuí e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Sul), com apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES e da Polícia Militar, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (16).

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Segundo o MPES, as investigações revelaram que os integrantes da organização criminosa se uniram para combinar editais, frustrar procedimentos licitatórios e divulgar dados sigilosos, tais como quem participaria das concorrências, quais as propostas feitas e quem ganharia o certame.

Ainda de acordo com o MPES, constatou-se que as fraudes às licitações ocorriam a partir da elaboração dos editais, para permitir a vitória das partes interessadas. Há, portanto, segundo as investigações, indícios contundentes das práticas dos crimes de organização criminosa, fraude em licitação e peculato.

A operação foi deflagrada após um empresário procurar o Ministério Público para denunciar que havia prestado serviços para a prefeito, mas o subsecretário de Finanças estaria se negando a pagar o valor devido.

Em seguida, o Ministério Público pediu a escuta telefônica de Arivelton. "A partir daí a coisa foi ampliando. Queríamos descobrir se havia extorsão e encontramos essa fraude", disse o promotor de Guaçuí Gino Martins Borges Bastos.

NOME DA OPERAÇÃO

O nome da operação é Ouro Velho pois um dos investigados, o subsecretário de Finanças, atua há 20 anos na prefeitura. Então acredita-se que essas fraudes já aconteceram em outras administrações.

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O OUTRO LADO

Sobre a operação do Gaeco na Prefeitura de Guaçuí, realizada na manhã desta quinta-feira (16), a administração municipal afirma que ainda não tem conhecimento, de forma oficial, sobre o motivo da operação, muito menos qual seria o envolvimento dos servidores. Isso ainda deve ser notificado pelo Ministério Público.

Até lá, a Prefeitura de Guaçuí vai continuar colaborando com as investigações, como colaborou até agora, e informa que apenas permaneceu fechada para atendimento ao público na parte da manhã, mas com funcionamento interno nos setores que não foram alvo da investigação, assim como irá funcionar normalmente na parte da tarde.

Com informações de Geizy Gomes

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