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Contarato e Do Val avaliam troca de mensagens entre Moro e Dallagnol

O ministro da Justiça prestará esclarecimentos no Senado na próxima semana. Contarato vê quebra de imparcialidade do então juiz; Do Val, movimento político

Senadores Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (PPS) durante eleição da Mesa Diretora do Senado, ainda em fevereiro
Senadores Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (PPS) durante eleição da Mesa Diretora do Senado, ainda em fevereiro
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Como reflexo político do vazamento das conversas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, o agora ministro da Justiça vai ao Senado no próximo dia 19 "prestar esclarecimentos" sobre o caso.

Na bancada capixaba, o senador Fabiano Contarato (Rede) considera graves tanto a forma como as conversas vieram a público - divulgadas pelo site "The Intercept Brasil" e fruto de descrição de diálogos privados via Telegram - como o conteúdo. Moro, de acordo com o "Intercept", orientou o Ministério Público. 

"O fato veiculado é muito grave, no aspecto de invasão de privacidade e também da relação entre os interlocutores, nem entro no mérito da conversa. Deve haver igualdade de tratamento entre o autor, o juiz, que deve manter imparcialidade, e a defesa. E já foi demonstrada a violação à imparcialidade", afirmou à reportagem do Gazeta Online.

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"Espero que o ministro dê as informações, explicações, mas esses esclarecimentos em nada contribuem para mudar a opinião em relação à quebra do princípio da imparcialidade. A pessoa que tem interesse na condenação e a que vai julgar têm contato e a defesa fica alijada disso. É muito grave, independentemente de quem é o réu, não estou falando aqui do ex-presidente Lula. A luz do processo penal isso não pode. Tem que ter tratamento isonômico", complementou.

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"Reconheço também o avanço da Lava Jato no combate à corrupção. Tínhamos a máxima que a população carcerária era composta somente por pobres e a Lava Jato começou a mudar esse paradigma. Mas os fins não justificam os meios", pontuou Contarato.

Ele não arrisca, no entanto, prever quais outras consequências políticas podem se abater sobre Moro ou o governo Bolsonaro devido ao caso.  

EM DEFESA

Já o também senador Marcos Do Val (PPS) sai em defesa tanto do ministro quanto do governo, apesar de reconhecer que o vazamento é um fato político e possível combustível para complicações no Congresso.

"É claro que houve um impacto e isso está sendo uma guerra política muito grande onde estão usando todos os artifícios para tirar as credenciais do atual governo. Tenho minha imparcialidade, estou no grupo dos independentes. Mas o atual governo não está fazendo negociação como se fazia antigamente, em troca de cargos, vantagens. E existe uma parte dos parlamentares que estão resistindo a essa nova forma de fazer política e fazendo de tudo para boicotar o governo federal", disse Do Val.

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"Esse fato que aconteceu agora está claro que foi um movimento político, com investimentos altos, é um serviço muito caro, que ultrapassa milhões (ele se refere à forma de obtenção dos dados, apesar de a fonte e o método não terem sido revelados pelo "Intercept" ). Esse impacto é questão de tempo a onda diminuir", apostou. 

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"Se for avaliar tecnicamente houve recursos às decisões, não ficou por conta só do juiz Sergio Moro. Todo mundo já tem esse entendimento. Agora é só questão de nas redes sociais ficarem com esse assunto para tirar a credibilidade dele", disse. 

A senadora Rose de Freitas (Podemos) também foi procurada pela reportagem, via assessoria de imprensa, mas não houve retorno. 

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