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O que dizem parlamentares do ES sobre conversas entre Moro e Dallagnol

Bancada capixaba em Brasília está dividida entre cobrar apuração do vazamento das mensagens e minimizar a conduta do ex-juiz e do procurador da República

Deltan Dallagnol, procurador federal e coordenador da Lava Jato no MPF, e Sérgio Moro, então juiz federal da 13ª Vara Criminal de Curitiba, no evento Fórum Estadão Mãos Limpas e Lava Jato
Deltan Dallagnol, procurador federal e coordenador da Lava Jato no MPF, e Sérgio Moro, então juiz federal da 13ª Vara Criminal de Curitiba, no evento Fórum Estadão Mãos Limpas e Lava Jato
Foto: Helvio Romero/Agência Estado

A maior parte da bancada federal capixaba minimizou o conteúdo das conversas, durante a Operação Lava Jato, do ex-juiz Sergio Moro com o chefe da força-tarefa investigativa, o procurador Deltan Dallagnol. Questionados sobre o teor dos diálogos, divulgados no domingo (09) pelo site The Intercept Brasil, a maioria focou a crítica ao vazamento das mensagens privadas e ignorou o que está sendo apontado por especialistas como desvio ético.

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O deputado Josias da Vitória (PPS) entendeu não haver nada comprometedor nos diálogos. "O que está posto não configura nenhum crime. A relação entre os membros das instituições é normal. Não acredito que prejudicará as relações institucionais", disse.

Quem também não vislumbrou nada prejudicial às investigações ou às instituições foi a deputada Soraya Manato (PSL). Para ela, o vazamento foi "um ataque criminoso contra autoridades brasileiras".

"Até o momento, não é possível dizer de fato algo conclusivo, pois foram revelados trechos de conversas fora de contexto. Mas, o que li, entendi como trocas de experiências entre dois profissionais que atuaram na Lava Jato", frisou.

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Já o senador Marcos do Val (PPS), o deputado Amaro Neto (PRB) e as deputadas Lauriete Rodrigues (PL) e Norma Ayub (DEM) ficaram indignados com o vazamento das conversas travadas em grupo privado no Telegram, um aplicativo de mensagens similar ao WhatsApp.

Do Val acredita que as mensagens foram obtidas não por ação isolada de um "hacker", mas por ação "oriunda de uma grande empresa ou até mesmo por intervenção de um outro país".

"Não podemos ser inocentes e achar que um ataque desta magnitude seja conduzido por aventureiros. Assim, acredito que há fortes indícios de que esses ataques tenham partido de pessoas ou empresas envolvidas na Operação Lava Jato", opinou.

Lauriete defende apuração rigoroso sobre o vazamento. "Hackers devem ser tratados como criminosos perigosos. Estes vazamentos não tem credibilidade, mas precisam ser apurados com rigor", disse, sem comentar o impacto das mensagens na rotina de Brasília.

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Também sem comentar o teor das conversas, Norma pediu apuração criteriosa sobre como as mensagens foram obtidas pelo site. "O acesso a qualquer informação em desconformidade com a lei, realizada por qualquer pessoa, exceto o acesso às comunicações telefônicas autorizadas pela justiça, constituem ilegalidades e riscos de toda natureza", declarou.

Amaro Neto também evitou fazer juízo de valor sobre o conteúdo divulgado. "Nossa total atenção aos indícios de invasão e denúncias em caso de qualquer suspeitas. Lembrando que a punição ao vazamento de informações não significa tolir a liberdade de imprensa", disse. 

SOBRE O DIÁLOGO

O senador Fabiano Contarato (Rede) e os deputados Felipe Rigoni (PSB), Ted Conti (PSB) e Helder Salomão consideraram relevantes os conteúdos das transcrições das mensagens trocadas entre figuras relevantes da Lava Jato e defenderam a apuração.

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"Repudio vazamentos desse caráter, mas apoio a análise criteriosa das informações, bem como o convite dos envolvidos para prestarem os devidos esclarecimentos no Senado Federal", frisou Contarato.

Rigoni também preocupou-se com o teor dos diálogos, mas ressaltou que eles não afetam resultados da operação. "O conteúdo dos vazamentos precisa ser apurado, bem como a maneira com que os dados foram obtidos. No entanto, a revelação do material não afeta a contribuição da Lava Jato para o combate à corrupção no país", pontuou.

Para Ted Conti, é importante checar se limites éticos foram ultrapassados por procuradores e juiz, bem como se leis foram desrespeitadas. "É importante que o caso seja apurado de forma minuciosa, não apenas para verificar se os limites éticos e legais foram ultrapassados pelo então juiz Sergio Moro e pelo Ministério Público, mas também para descobrir quem foram os autores dos ataques hackers", asseverou.

OPOSIÇÃO

Na bancada capixaba, a reação mais dura foi a do único representante do PT. Correligionário do ex-presidente Lula, condenado por Sergio Moro, Helder Salomão começou a usar as redes sociais para criticar o núcleo central da Lava Jato ainda no domingo, logo após a publicação das reportagens.

As mensagens indicam interesse de personagens da força-tarefa em prejudicar entrevista de Lula autorizada pela Justiça. Declarações do ex-presidente, às vésperas do pleito de outubro, dizia uma das mensagens, poderiam "eleger o Haddad", segundo publicou The Intercept.

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Helder também ajudou a compartilhar a hashtag #VazaJato, que reúne críticas à conduta do então juiz Sergio Moro e a de procuradores do Ministério Público Federal.

"Gravíssimo! A revelação das conversas trocadas entre Moro e Dallagnol num aplicativo de mensagens mostra a trama suja e diabólica nos bastidores da #VazaJato para impedir a vitória do PT nas eleições de 2018 e para prender Lula. Isso é crime com todas as letras e os dois devem responder pelos seus atos absurdos e inadmissíveis numa democracia", escreveu em uma rede social.

A senadora Rose de Freitas (Podemos) e os deputados Evair de Melo (PP) e Sérgio Vidigal (PDT) foram procurados, por meio de suas assessorias de imprensa, mas não se manifestaram sobre o caso.

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