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Vereadores pedem saída de Vinícius Simões da relatoria de 3 processos

O episódio seria mais uma consequência da disputa política originada desde a eleição da Mesa Diretora da Câmara, em agosto do ano passado, quando grupos rivais foram gerados

Sessão na Câmara de Vitória: clima tenso entre parlamentares
Sessão na Câmara de Vitória: clima tenso entre parlamentares
Foto: Gazeta Online

O clima de acirramento político mais uma vez deu o tom às discussões na Câmara de Vitória. Na tarde desta terça-feira (11), o vereador Vinícius Simões (PPS) foi destituído da relatoria de dois processos que investigam o presidente da Casa, Cleber Felix (PP) e ainda poderá ser impedido de relatar mais um, desta vez envolvendo os vereadores Mazinho dos Anjos (PSD) e Davi Esmael (PSB), a depender da decisão da Corregedoria da Casa.

Nos bastidores, porém, o que se comenta é que esse é mais um reflexo do embate um tanto velado entre grupos de oposição, que vem sendo travado desde a eleição da Mesa Diretora, em agosto de 2018.

Por meio de sorteio, Simões foi escolhido como relator de dois processos contra Clebinho por quebra de decoro: um foi apresentado pelos assessores do vereador Leonil (PPS) e outro pelo próprio parlamentar.

Leonil é desafeto declarado de Clebinho, como é conhecido. Ambos protagonizam desentendimentos (com direito a ofensas em plenário) desde a disputa pela presidência, quando Leonil desistiu da disputa e o rival levou a eleição em chapa única, com apoio da maioria dos colegas. Leonil, no entanto, é correligionário de Simões, que é líder do PPS na Câmara. A proximidade entre os dois foi a justificativa encontrada pelo presidente para solicitar o impedimento de Simões. O pedido foi lido durante sessão extraordinária da Corregedoria da Câmara. 

Em relação a estes processos não houve oposição da parte de Simões, que se autodeclarou impedido. Mas o mesmo não ocorreu em um terceiro pedido de suspeição. Trata-se de uma denúncia anônima feita no Ministério Público Estadual (MPES) em função de um opinamento dado por Davi Esmael e Mazinho em um processo de multa de Disque-Silêncio datado de 2009.

"INIMIGOS PESSOAIS"

Davi Esmael, que é próximo a Clebinho, pediu a suspeição do líder do PPS alegando que ambos são "inimigos pessoais". Em entrevista, ele sustenta essa afirmação e afirma que a divergência política "aguda" entre os dois não é recente. "Vereador Vinícius não respeitou o processo democrático de escolha do presidente da CMV. Atendendo ao prefeito, forçou a eleição do Leonil. Discordei do movimento e defendi a independência dos vereadores", explica.

Já Simões, pensa diferente. "Não existe conflito entre eu e Davi. Tenho votado nos projetos de lei dele, dado pareceres favoráveis nas comissões aos projetos dele. Não vejo nenhum vereador da Câmara de Vitória como inimigo", declara. Mas alfineta: "Se o vereador Davi está certo de sua inocência, não há por que ele temer. Fui sorteado para relatar".

As divergências entre os pontos de vista durante a sessão extraordinária da Corregedoria fizeram com que o processo em questão fosse encaminhado à Procuradoria da Casa, que deverá emitir um parecer.

Enquanto isso, quem trabalha na Casa aposta que os conflitos protagonizados pelos vereadores continuarão. Simões, inclusive, estaria sofrendo outras baixas, tendo saído, inclusive, da Comissão de Educação, no dia 3 de maio. Mas ele nega que o fato tenha relação com embates políticos.

Já Clebinho ameniza o conflito. Por meio de sua assessoria, informou que apesar da oposição patrocinada por Simões e Leonil, não há risco de que uma disputa interna entre oposição e situação seja criada, respingando também no prefeito Luciano Rezende, que é do PPS. Segundo ele, os projetos da Prefeitura de Vitória são votados e aprovados sempre que considerados justos.

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