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"Está cuidando demais do que não precisa", diz Surfistinha sobre Bolsonaro

Na quinta-feira (18), o presidente usou o filme como exemplo para criticar o repasse de recursos federais para a produção audiovisual brasileira

Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha da vida real
Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha da vida real
Foto: Reprodução/Instagram @brunasurfistinhaoficial

A empresária e escritora Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, rebateu nesta sexta-feira (19) as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro à produção cinematográfica baseada no livro "O Doce Veneno do Escorpião".

Na quinta-feira (18), o presidente usou o filme como exemplo para criticar o repasse de recursos federais para a produção audiovisual brasileira. Segundo ele, não pode haver "ativismo" em respeito às famílias brasileiras.

Em áudio enviado à Folha de S.Paulo pela assessoria de imprensa, a empresária classificou a declaração como "infeliz" e disse que, antes de fazer juízo de valor, o presidente deveria "cuidar da moral da própria família".

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Ela afirmou ainda que ele está cuidando demais "do que não precisa" e "fazendo pouco" do dever principal, que é gerir o país. "Sobre mais uma infeliz declaração do Bolsonaro, eu digo que ele, antes de fazer juízo de valor sobre os outros, deveria cuidar da moral da própria família. E ainda do nosso país. Afinal, ele está cuidando demais do que não precisa e fazendo pouco o dever dele principal: que é ser presidente", disse.

Nesta sexta-feira (19), o presidente voltou a tratar do tema e reconheceu que nunca assistiu ao filme, apesar de tê-lo criticado no dia anterior. "Eu não, pô [assisti]. Vou perder tempo com Bruna Surfistinha? Eu estou com 64 anos de idade. Se bem que eu tenho uma filha de oito anos, sem aditivo", disse.

O presidente disse mais cedo que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) poderá ser privatizada ou extinta caso não seja possível usar filtros nas produções nacionais.

A atriz Deborah Secco, que interpretou Raquel e é produtora do filme, também rebateu o presidente e defendeu que a arte precisa ser "ampla e abrangente". "Fico um pouco chocada com o 'Bruna' ter sido colocado nesse lugar, porque o filme retrata uma história real não só da Raquel, mas de outras milhares de mulheres que se encontram nessa situação", disse.

> Toda uma indústria se formou no Brasil em torno da Ancine

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