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Parlamentares do ES analisam declarações polêmicas de Bolsonaro

As recentes declarações do presidente da República dividem a bancada entre os que o apoiam e os que condenam suas atitudes

Câmara deve instalar comissão de reforma dos militares em maio
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Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão | Arquivo

Membros da bancada federal do Espírito Santo dividem suas opiniões diante das declarações polêmicas de Jair Bolsonaro (PSL). Enquanto os aliados defendem a postura do presidente, os mais distantes sinalizam total desconforto com as falas, enquanto outros sugerem que o governo se concentre no mandato.

Na base aliada figuram deputados como Evair Vieira (PP) e Soraya Manato (PSL). A correligionária de Bolsonaro lamenta que embora o presidente tenha conquistado importantes vitórias, como a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência e o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, apenas as críticas ao governo são destacadas.

“Lembro-me de várias declarações estapafúrdias e, o pior, ações que fizeram o Brasil chegar no que vemos agora, de governos passados que ficaram restritas a pequenos grupos ou à imprensa miúda”, disse em nota.

Ela continuou: “Neste momento, acredito que está mais que na hora de os brasileiros separarem o joio do trigo. Se queremos realmente discutir o que é importante para o Brasil e partir para a ação ou ficar realçando futricas que não levam a nada”.

É o próprio presidente, no entanto, que dá mais destaque a temas controversos do que a ações da administrações.

Já Evair afirma que está “muito satisfeito” com os resultados do governo Bolsonaro. Já sobre as declarações do presidente, alega não ter tempo. “Quantos as outros questões pessoais não estou tendo tempo pra isso não, tenho coisa mais importante pra fazer!", disse em nota.

É PRECISO FOCO

Mas nem todos os governistas seguem em pleno acordo com as declarações do presidente. O deputado federal e líder da bancada capixaba Josias da Vitória (PPS), por exemplo, não comentou diretamente sobre as polêmicas, mas ponderou que é preciso ter foco. 

"O país está numa agenda de reformas para a retomada da economia e para a geração de empregos importante e positiva. O presidente precisa focar mais nisso e deixar de lado as declarações polêmicas. Precisamos trabalhar para seguir com as reformas necessárias para o Brasil", defendeu.

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Já o senador Marcos do Val (PPS) ressalta que, além de o presidente estar cumprido com promessas de campanha, ele é cercado por “excelentes” ministros, a exemplo dos chefes das pastas da Economia, Paulo Guedes; da Justiça, Sergio Moro; e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

Por outro lado, Do Val opina que o presidente deve evitar as falas polêmicas para não prejudicar o andamento dos trabalhos. “Com suas falas, os brasileiros acabam voltando a atenção para assuntos de menor interesse público e não conseguem perceber o bom trabalho que a equipe de governo apresenta”, justificou.

CRÍTICAS

Outros membros da bancada, no entanto, são incisivos ao criticar o comportamento do chefe do governo. Os senadores Fabiano Contarato (Rede) e Rose de Freitas (Podemos) deixam clara sua insatisfação.

Contarato, inclusive, acusa Bolsonaro de “flertar” com o fascismo. “As mais recentes agressões gratuitas do presidente atentam contra a democracia e a paz social em nosso país. É inadmissível a postura de um chefe de estado que apoia e naturaliza a morte ocorrida na ditadura militar, que defende o nepotismo, declaradamente, que é preconceituoso, que incentiva, inclusive, o trabalho infantil, e, além disso tudo, não reconhece a credibilidade da ciência. Estamos passando por um momento muito delicado no nosso país".

Rose, por sua vez, pontua que a postura do presidente não é digna do cargo que ocupa e que, com isso, ele desencoraja os brasileiros.

“Temos de recuperar a confiança. Empreendimentos e investimentos dependem de foco, objetivo. Nenhuma atitude política que profana os sentimentos do nosso povo passará despercebida e ficará impune diante do Brasil de enormes expectativas e esperanças", destacou.

Único membro do PT na bancada, o deputado Helder Salomão vai na mesma linha e prevê que o Congresso poderá responder negativamente aos ataques de Bolsonaro. “Ele já está enfraquecido no Congresso porque não dialoga. Quem conduz os debates é o Rodrigo Maia (presidente da Câmara pelo DEM-RJ). Mas a principal repercussão vai ser na sociedade, com a perda de credibilidade”, afirma o petista. Ele conclui: “Falta humanidade ao presidente”.

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