Notícia

Empresário sacou R$ 90 mil antes de ir à casa da prefeita de Kennedy

É o que afirmou, em depoimento ao Ministério Público do Espírito Santo, o sócio laranja alvo das investigações. Valor é 3 vezes maior que o descoberto na residência de Amanda Quinta

Amanda Quinta foi presa nesta quarta-feira
Amanda Quinta foi presa nesta quarta-feira
Foto: Reprodução/TV Gazeta

Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPES), Cristiano Graça Souto, apontado como laranja de empresa acusada de distribuir propina em Presidente Kennedy, citou saque quase três vezes maior que o descoberto na casa da prefeita afastada, Amanda Quinta (sem partido).

No mesmo dia da deflagração da primeira fase da Operação Rubi, 8 de maio, empresários sacaram, segundo ele, aproximadamente R$ 90 mil. A quantia é maior que os R$ 33 mil apreendidos dentro da casa que Amanda divide com o companheiro José Augusto de Paiva. O dinheiro estava dentro de uma mochila levada por Marcelo Marcondes Soares, sócio verdadeiro da empresa.

> Presidente Kennedy: uma cidade à mercê da política dos Quinta

> Vídeo: prefeita presa no ES é recebida com gritos de "eu te amo"

Embora Cristiano aparecesse formalmente como sócio da empresa Limpeza Urbana Serviços LTDA, ele era o motorista da firma. No depoimento prestado em 31 de julho, ele disse que acompanhou Marcondes até agência bancária para efetuarem o saque do dinheiro. Às vezes, entrava na agência com o chefe. Em outras, não. Além do saque de R$ 90 mil, ele também disse lembrar da retirada bancária de R$ 50 mil em outra ocasião.

O Gazeta Online procurou o MPES para saber se os outros R$ 57 mil foram distribuídos como propina para outros membros da administração de Kennedy. O órgão confirmou que um dos depoentes falou em saque de R$ 90 mil "momentos antes de dirigir-se àquela residência para efetuar o pagamento", mas que parte das investigações da Rubi permanece sob sigilo.

> Confira ainda: Em Presidente Kennedy, a vida gira em torno da prefeitura

A apuração do MPES apontou que Marcondes levava propina a José Augusto mensalmente para conseguir e manter o contrato de limpeza em Presidente Kennedy. No depoimento, Cristiano disse que Marcelo Marcondes ligava para pessoas próximas a José Augusto e perguntava pelo "chefe", referindo-se ao ex-secretário, citado como líder do esquema.

José Augusto é apontado como o responsável pelo rompimento de Amanda Quinta com o tio dela, o ex-prefeito Reginaldo Quinta (DEM). Apesar de ser apenas um integrante da administração, José Augusto é quem de fato exerce a liderança política e administrativa na cidade, como mostram a investigação e relatos dos kennedenses.

A defesa de Marcelo Marcondes preferiu não fazer considerações. A de Amanda e José Augusto não foi localizada. O casal segue preso. Marcondes deixou o presídio após fechar um acordo de colaboração premiada. Cristiano foi solto na última sexta-feira (9).

RELEMBRE O CASO 

Investigação

As investigações foram iniciadas pelo Ministério Público em 2017. A equipe diz ter colhido evidências contundentes de que os agentes políticos e servidores municipais recebiam propina de empresários dos ramos de limpeza pública e transporte coletivo.

> Contratos investigados na Operação Rubi somam mais de R$ 150 milhões

Prisão

Em maio deste ano, a prefeita Amanda Quinta (sem partido), o secretário municipal e companheiro dela, José Augusto Paiva, e o empresário Marcelo Marcondes Soares realizavam uma reunião na casa de Amanda, em que foram entregues R$ 33 mil de propina, em uma mochila. Eles foram presos em flagrante pela polícia. Marcondes fez delação e foi solto. A prefeita e José Augusto continuam presos.

> Vídeo: prefeita presa no ES é recebida com gritos de "eu te amo"

Ver comentários