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Felipe Rigoni e Ted Conti reforçam voto contrário à indicação do PSB

Ambos votaram a favor da reforma da Previdência em segundo turno. Eles já são alvos de um processo interno no partido por terem sido favoráveis no primeiro turno de votações.

Felipe Rigoni e Ted Conti votaram a favor da reforma da Previdência
Felipe Rigoni e Ted Conti votaram a favor da reforma da Previdência
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Alvos de um processo dentro do PSB nacional por terem votado a favor da reforma da Previdência, os deputados federais Felipe Rigoni e Ted Conti reafirmaram sua postura contrária ao partido nesta terça-feira (6), quando mais uma vez foram favoráveis ao projeto durante o segundo turno de votações. Os parlamentares e a cúpula do PSB no Espírito Santo garantem que a boa relação e o diálogo vêm sendo mantidos, mas a decisão sobre o destino de ambos deverá partir da Executiva Nacional.

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De acordo com Ted Conti, que enviou sua defesa ao Conselho de Ética do partido na semana passada, seu voto no segundo turno não poderia ter sido diferente, uma vez que esta vem sendo sua postura desde o início das discussões. Ele acrescenta que passou a defender a reforma após a aprovação de mudanças.

“O partido entende que eu fui um dos que mais votou com o partido. Dos 11 deputados (que votaram contrários à orientação partidária), eu tenho quase 90% de votos com o PSB. Não há porque haver desentendimentos”, argumenta. Por outro lado, Ted diz que sabe que seu voto poderá trazer consequências e, embora não acredite em expulsão, diz que está preparado.

“Temos que saber que quando tomamos uma decisão dessas, há consequências”, pontuou. 

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"REBELDES"

Ao todo, 34 deputados federais assumiram posições contrárias às de seus partidos durante a votação do texto-base da reforma aprovado em julho, antes do recesso parlamentar. Desde então, a postura “rebelde” dos parlamentares vem despertando o descontentamento das siglas e resultou na abertura dos processos, cujas punições podem ir desde uma advertências até a expulsão. 

Felipe Rigoni, que já havia afirmado ao Gazeta Online  ter votado a favor do projeto por “convicção”, evitou comentar o assunto. Por nota, sua assessoria informou que o deputado aguarda a posição final de sua sigla e agradece aos convites de filiação que vêm sendo feitos por outros partidos. Em outras ocasiões, no entanto, o socialista já havia pontuado sua intenção de permanecer no PSB. A defesa do deputado já foi encaminhada ao partido. 

Quanto à votação de terça-feira (6), Felipe Rigoni comentou: “A votação foi surpreendentemente boa, pois foram só nove votos a menos do que no primeiro turno. Agora com os destaques, a gente espera melhorar o texto ainda mais. Especialmente o destaque que garante que a pensão por morte vai ser de pelo menos um salário mínimo. Acredito que vamos conseguir passar ele”. Os deputados iniciaram a votação dos destaques na tarde desta quarta-feira (7).

Atuante no Movimento Acredito assim como Rigoni, a deputada Tabata Amaral, que enfrenta um processo interno do PDT pela mesma dissidência, também reforçou o voto favorável à reforma. Tabata já havia sido criticada por membros da cúpula e foi isolada politicamente, ao ser afastada de suas funções partidárias

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PSB NO ESTADO

O presidente do PSB no Estado, Carlos Roberto Rafael afirma que embora pudessem servir como atenuantes, votos contrários à reforma da Previdência neste segundo turno não livrariam Rigoni e Ted Conti de enfrentar uma investigação em função de seus posicionamentos no primeiro turno.

Por outro lado, o líder partidário volta a defender uma punição mais leve para os parlamentares e acrescenta que não houve orientação do partido para que eles mudassem seus votos nesta rodada.

"A gente conversa (Carlos Rafael e os deputados). Converso com deputados até de outros partidos que cometeram a mesma falha partidária. Tentamos compreender, é uma escolha que vai muito da índole deles. Eles têm pouca experiência parlamentar e pouca vivência dentro do partido, mas são muito corretos com os dados”, pondera.

NACIONAL

Em nome da Executiva Nacional do PSB, o presidente da sigla, Carlos Siqueira, afirmou que ainda não é possível prever qual sanção será publicada. "A Comissão de Ética vai sugerir uma punição, que eu não sei qual é,  e o diretório vai julgar qual vai aplicar. Mas esse é um assunto menor. Para mim, o mais grave é a consequência dos votos deles para a população pobre do país, ao votar esse conteúdo massacrante para aqueles que mais precisam."

Para Siqueira, a relação dos parlamentares com o partido também está atrelada aos posicionamentos. "Depende deles. Se continuarem votando contra a população, a relação será sempre ruim. Se mudarem de posição, pode melhorar. Não sei como ficará", disse.

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