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Após cirurgia, Bolsonaro se alimenta de chá e gelatina

A cirurgia foi realizada para corrigir uma hérnia que surgiu na região onde foram feitas três operações depois do ataque a faca durante a campanha eleitoral de 2018 na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais

Bolsonaro opera pela quarta vez após levar facada durante ato de campanha em Minas Gerais
Bolsonaro opera pela quarta vez após levar facada durante ato de campanha em Minas Gerais
Foto: Reprodução | Twitter

Na manhã seguinte à quarta cirurgia após a facada que sofreu no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) apresenta boa recuperação e começa a ingerir líquidos, como chá, gelatina e caldo ralo. Ele inclusive gravou um vídeo e postou nas redes sociais, afirmando que voltará a trabalhar na próxima terça-feira (10).

"Pessoal, só segunda-feira que eu estou de folga, hein. Amanhã eu volto no batente. Por enquanto, meu programa favorito aqui, o Chaves", diz Bolsonaro na cama do hospital, enquanto toma café da manhã e assiste TV.

Apesar disso, a equipe médica do Hospital Vila Nova Star, na região sul de São Paulo, afirmou que estão mantidos os prazos de recuperação do presidente. A alta clínica é esperada para ocorrer dentro de cinco ou seis dias. No entanto, ele só poderá voltar a Brasília, se não houver complicações, de 7 a 10 dias após a cirurgia - na semana que vem.

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O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse que o vice-presidente Hamilton Mourão segue no exercício do cargo até quinta-feira (12).

"É da natureza dele estar ativo o mais rápido possível. A evolução clínica tem sido muito positiva, e em razão dessa evolução, o presidente se mostra já disposto a iniciar os trabalhos de condução do Poder Executivo, ainda que, neste momento, nós tenhamos o vice-presidente da República chefiando o nosso governo", disse Barros.

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O porta-voz não detalhou que tipo de atividades de trabalho que Bolsonaro poderia assumir a partir de terça, disse apenas que as ações de governo ficam a cargo de Mourão e que é da personalidade de Bolsonaro querer continuar na ativa.

"É claro que o presidente participa das decisões por meio das suas interlocuções com seus vários ministros e inclusive com o próprio general Mourão", afirmou o porta-voz.

Há uma ala do hospital destinada à equipe do presidente e a família, onde ele pode trabalhar.

Nesta segunda-feira (09), às 13h25, Mourão chegou ao hospital para visitar Bolsonaro. Foi um encontro rápido. O vice, que exerce a Presidência interinamente, deixou o local por volta das 13h40 sem falar com a imprensa.

Mais cedo, às 11h, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Bolsonaro, postou uma foto com ele no hospital. O presidente está sentado na cama, e Eduardo está ao lado, com uma arma na cintura. Antes de ser deputado, Escrivão da Polícia Federal, Eduardo já apareceu exibindo arma em outros episódios, como em manifestações.

A cirurgia foi realizada no domingo (08) para corrigir uma hérnia que surgiu na região onde foram feitas três operações depois do ataque a faca durante a campanha eleitoral de 2018 na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Ainda no domingo, o presidente recebeu a visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Também assistiu ao jogo do Botafogo, segundo o porta-voz. No momento, o acompanham no hospital a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o filho Carlos. Segundo o boletim médico desta manhã, as visitas estão restritas por orientação médica.

"O paciente encontra-se estável, sem dor, afebril e com boa evolução clínico-cirúrgica. Hoje já iniciará fisioterapia motora, podendo sentar na poltrona e realizar caminhada no corredor", diz o boletim.

Segundo o diretor-médico do Hospital Vila Nova Star, Antônio Antonietto, a orientação médica é de que o presidente fale pouco e caminhe, para que os movimentos do intestino voltem naturalmente. Segundo a Presidência, Bolsonaro estará restabelecido a tempo de discursar na Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, em Nova York.

A cirurgia, considerada de média complexidade, tinha previsão de duração de duas horas, mas acabou levando cinco -sendo concluída às 12h40. O médico Antônio Luiz Macedo, responsável pelo procedimento, disse que foram encontradas aderências no intestino que demandaram mais tempo da equipe.

Logo após a cirurgia, Bolsonaro vestiu uma cinta elástica para pressionar o abdome operado e ajudar no processo de recuperação. Macedo não descarta a possibilidade de que surjam novas hérnias no futuro, mas as chances são pequenas, em torno de 6%, segundo ele.

O surgimento da chamada hérnia incisional já era esperado pelos médicos que atendem o presidente, em razão da série de intervenções feitas na região da barriga do paciente para tratar os danos provocados pelo ataque.

O então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.

A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido. As múltiplas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana.

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