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"É a colaboração mais importante da história", diz presidente da Abraji

Para Daniel Bramatti, o objetivo do projeto que reúne 24 veículos de mídia para checar notícias suspeitas é que eleitores não sejam enganados

Daniel Bramatti é o líder do projeto Comprova
Daniel Bramatti é o líder do projeto Comprova
Foto: Alice Vergueiro/Abraji

Uma das principais características do projeto Comprova é o fato de ele reunir 24 organizações de mídia do Brasil, de diferentes tamanhos, com diferentes abrangências, mas unidas com o mesmo propósito, o de combater a disseminação de desinformação durante as eleições presidenciais. Alguns desses veículos, inclusive, são mercadologicamente concorrentes.

O conceito de desinformação é mais abrangente do que o de fake news. Inclui paródias noticiosas, propaganda, influência política e jornalismo de baixa qualidade.

É a primeira vez que vejo tantos veículos deixando de lado o fato de serem concorrentes na área comercial para prestar um serviço público importante neste momento
Daniel Bramatti - Presidente da Abraji

Para o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Daniel Bramatti, a iniciativa pode ser considerada uma das mais importantes da história do jornalismo nacional.

"A gente pode dizer que a iniciativa de colaboração entre esses veículos, inclusive concorrentes, é a mais importante da história do Brasil. É a primeira vez que vejo tantos veículos deixando de lado o fato de serem concorrentes na área comercial para prestar um serviço público importante neste momento", afirmou Bramatti, que é o coordenador nacional do Comprova.

Há grande expectativa sobre o efeito desse esforço integrado não só no Brasil, mas também em outras partes do mundo. O modelo experimentado aqui deve ser expandido para outras equipes de jornalismo brasileiras e também usado em países que vão experimentar eleições com ampla circulação de informações manipuladas.

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"A intenção é contribuir para que as pessoas cheguem à urna mais bem informadas e menos enganadas pelo conteúdo enganoso que circula nas redes", complementou Bramatti.

Entre os veículos, há aqueles de grande, médio e pequeno porte, de diversas regiões do país. A diretora da First Draft, a britânica Claire Wardle, explicou que as empresas maiores fazem com que o projeto tenha maior alcance, e os jornais locais fazem com que as informações verificadas cheguem a outros cantos do Brasil, como ocorreu com o CrossCheck, o projeto semelhante realizado na França, em 2017.

ENTENDA O PROJETO

CONCEITOS

Fake news

São as notícias falsas. Conteúdos que se apropriam de características consolidadas pelo jornalismo profissional para criar versões falsas sobre fatos, pessoas e assuntos. O problema, para Claire Wardle, diretora do First Draft, é que o termo passou a ser usado em todo o mundo por políticos para atacar a credibilidade dos veículos e atacar a liberdade de expressão.

Desinformação

É por isso que a especialista prefere os termos, em inglês, misinformation e disinformation. São mais abrangentes, envolvem diversos aspectos como informações retiradas de contexto e paródias feitas para enganar. Misinformation diz respeito às informações falsas ou fora de contexto compartilhadas por pessoas de maneira imprudente, sem cuidado. Desinformation são aquelas criadas com o propósito de prejudicar, de influenciar uma realidade.

COMPROVA

Integração

Veículos de todo o país vão trabalhar de forma integrada para verificar esse tipo de conteúdo.

Veículos participantes

AFP, Band, BandNews, Canal Futura, Correio do Povo, Exame, Folha de S.Paulo, GaúchaZH, Gazeta do Povo, Gazeta Online, Jornal do Commercio, Metro Brasil, Nexo Jornal, Nova Escola, NSC Comunicação, O Estado de S.Paulo, O Povo, Poder360, Rádio BandNews FM, Rádio Bandeirantes, revista piauí, SBT, UOL e Veja.

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