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Empresários ficaram surpresos com decisão de Hartung

Representantes de entidades empresariais querem ouvir pré-candidatos e dar sugestões para a próxima legislatura

Após anunciar que não disputaria a reeleição no início da semana, Hartung recebeu representantes do setor empresarial nesta quarta, em seu gabinete
Após anunciar que não disputaria a reeleição no início da semana, Hartung recebeu representantes do setor empresarial nesta quarta, em seu gabinete
Foto: Leo Duarte/Secom

Em discursos cautelosos, evitando levantar bandeira de pré-candidatos, empresários e representantes dos principais setores econômicos do Espírito Santo afirmaram que o anúncio do governador Paulo Hartung (MDB), que disse que não vai se candidatar à reeleição, surpreendeu a classe. Eles afirmaram ainda que querem ouvir pré-candidatos a deputado federal, senador e governador do Estado, e contribuir com sugestões para os próximos anos.

Na manhã desta quarta-feira (11), alguns deles tiveram a primeira agenda com o emedebista após ele se retirar das eleições. Durante o lançamento de um fundo estadual para a inovação, o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Leo de Castro, discursou e pontuou que a gestão de Hartung "é muito diferenciada em comparação com a de outros gestores do país".

Todos nós, de alguma forma, ficamos surpresos com a decisão do governador, já que havia uma indicação dele na disputa. Acredito que a decisão de não concorrer não é uma saída de cenário totalmente. Ele está se colocando em um debate nacional, em um projeto para entregar ao Brasil o que entregou no Estado, respeitando o dinheiro público e uma integridade nas instituições. É preciso defender algumas boas escolhas que ele fez em seu mandato
Leo de Castro, presidente da Findes

Quem também esteve presente foi o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades), Idalberto Moro. Questionado sobre a decisão de Hartung, ele evitou opinar, mas falou o que espera para o próximo gestor que assumir a cadeira do emedebista no Palácio Anchieta.

"Nós esperamos que quem assumir mantenha o Estado na linha do equilíbrio fiscal e conserve as políticas fiscais que estão em vigor hoje. Apesar da baixa capacidade de investimento, o Estado está com as contas em dia. Esperamos que esse quadro, sem atraso na folha de pagamento, seja mantido no próximo governo", afirmou Idalberto Moro.

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O presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio), José Lino Sepulcri, também se surpreendeu com a posição de Hartung. Para ele, o governador se destacou na gestão do Estado durante o período de crise, mas, por definição da própria entidade, não quis comentar se a mudança foi positiva ou negativa para o cenário eleitoral.

"O empresariado entendia que o governador era um candidato natural, por ter o direito de se reeleger, assim como enxergava a senadora Rose de Freitas (Podemos) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB) como postulantes ao cargo. O importante é que o próximo governador ou governadora terá as portas da federação abertas para discutir propostas. Podemos dar nossa parcela de contribuição e somos aliados de quem zela pela boa política", disse José Lino.

FINDES QUER CONVERSAR COM PRÉ-CANDIDATOS

A Findes já deu início à construção das propostas que serão levadas aos pré-candidatos que vão disputar as eleições em outubro. Segundo Leo de Castro, a entidade está focada em dialogar com os representantes que farão parte da Câmara dos Deputados e do Senado. Para o presidente da federação, eles terão papel fundamental na votação das reformas da Previdência e tributária que são esperadas para os próximos anos.

"A bancada federal terá uma responsabilidade grande nos próximos anos. Chegamos em um estágio que não dá mais para esperar para o próximo mandato, temos que resolver esses problemas agora. Vamos promover reuniões com os pré-candidatos a deputados e conversaremos individualmente com quem for disputar o Senado e o governo do Estado", contou.

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