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Governador afirma que vai decidir apoio só na campanha

Hartung reforça que não deve voltar a disputar eleições e garante que vai "passar o bastão"

"A política está no chão, com baixíssima credibilidade. Aguentar o tranco não é fácil, tem pressão de todos os lados"
"A política está no chão, com baixíssima credibilidade. Aguentar o tranco não é fácil, tem pressão de todos os lados"
Foto: Bernardo Coutinho

O governador Paulo Hartung (MDB) garantiu na terça-feira (10), em entrevista no Salão Nobre do Palácio Anchieta após o anúncio de que não disputará a reeleição, que não escolheu seu sucessor e que não irá interferir no processo decisório da base governista.

“A partir dos registros das candidaturas – e eu não conheço quem vai ser, não tem bola de cristal – é que vamos anunciar posição em relação ao pleito eleitoral”, afirmou.

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As candidaturas devem ser registradas até 15 de agosto. A campanha eleitoral começa no dia seguinte.

Apesar de ter surpreendido parte de sua equipe com o anúncio, o emedebista disse que sua decisão está tomada desde que resolveu disputar a eleição de 2014 e que sempre deixou isso claro. Durante o mandato, o governador não disse que buscaria a reeleição, mas, mesmo questionado, nunca descartou completamente a ideia.

Ao desconsiderar a possibilidade de tentar o quarto mandato como governador, Hartung não tem a opção de disputar outro cargo eletivo. Para ser vice em chapa presidencial ou candidato a uma vaga no Congresso, deveria ter se desincompatibilizado do cargo em abril.

O emedebista ressaltou ainda que não pensa em disputar novas eleições, o que não significa que encerrará sua carreira política.

Por que decidiu não tentar a reeleição?

Quem convive no meu entorno sabe que sempre falei que mais de três mandatos é exagero. Tive paciência e delicadeza de ir conversando isso. Ir tecendo com as forças políticas que me apoiam. Cuidei de fazer bem feito o passo que eu dei, sem surpreender e sem dar susto.

Quando tomou sua decisão de não se reeleger?

Tomei no dia que resolvi ser candidato ao terceiro mandato. Na primeira entrevista que dei após a eleição, afirmei isso. Durante meu mandato, você vai ver uma linha de conduta, com sinais de que eu faria isso. Cheguei a citar nomes de quem poderia ocupar o governo, abri a discussão.

Quem o senhor vai indicar para ser seu sucessor?

Não é papel de uma liderança contemporânea botar dedão e dizer o caminho. Vai se encaminhar para as convenções partidárias, o debate vai se dar, vai se escolher um nome e os capixabas darão a palavra final.

Por que o senhor demorou tanto tempo para bater o martelo que não seria candidato à reeleição?

O tempo é esse. Não tem outro tempo na política, o que tem é precipitação. Ninguém (do meu grupo político) me pediu para antecipar a decisão. Eu vim conversando com as lideranças, tanto as políticas quanto as sociais, que era hora de passar o bastão. Quatro mandatos de governador é exagero. Não estou dizendo que vou ganhar, mas que era um nome competitivo. Precisava de uma hora que eu diria que não vou disputar, foi o que fiz. Ninguém foi pego de surpresa.

Vai participar das eleições de alguma forma?

Vou participar dentro do governo. Temos que ver as convenções, ver o que vai ser produzido. Vocês vão ver as pessoas querendo se valorizar, dizendo “Ah, o Paulo está articulando o meu nome”. Não estou. Quem vai articular são as forças políticas e sociais. A partir dos registros das candidaturas – e eu não conheço quem vai ser, não tem bola de cristal – é que vamos anunciar posição em relação ao pleito eleitoral.

Sua posição de não tentar a reeleição pode ser revista lá na frente?

Claro que não. Muita gente criticou as inaugurações que fiz nas últimas semanas e leu de forma equivocada. As inaugurações foram as chances de outras lideranças estarem junto comigo. Fiz isso como um gesto.

Qual o seu futuro político a partir do ano que vem?

Meu futuro pessoal. Vou cuidar do Lucas, meu neto. Vou voltar a ser economista. Ficar no lugar da política hoje não é mole para uma pessoa de bem. A política está no chão, com baixíssima credibilidade. Aguentar o tranco não é fácil, tem pressão de todos os lados. Vou ter minha militância política, sem mandato.

O senhor pensa em um novo mandato?

Não. Vou escrever artigos e terminar meu livro.

Aceitaria convite para ser ministro?

Depende do governo. Com o que está parecendo que vai sair da eleição presidencial, estou longe disso.

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