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Ataque a carro não tem relação com suposto adesivo de Bolsonaro

Vídeo visto mais de um milhão de vezes é de maio de 2017 e foi feito durante confusão em protesto contra Michel Temer

Tarja Passando a Limpo Eleições

Diferentemente do que sugerem postagens virais nas redes sociais, um vídeo que mostra manifestantes atacando um carro branco nas redes sociais não é de protesto por conta de o automóvel ter um adesivo de apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). O ataque, na verdade, ocorreu em manifestação que pedia a renúncia de Michel Temer, em maio de 2017, em Goiânia (GO), e aconteceu após uma motorista tentar furar o bloqueio organizado por centrais sindicais, movimentos sociais e outras entidades.

O vídeo viral, de um minuto, usou o trecho entre 55s e 1m55s de um outro, de dois minutos e 46 segundos, publicado pelo G1 no dia 18 de maio de 2017. O portal noticiou o protesto pela renúncia de Temer e registrou a confusão ocorrida nos cruzamentos entre as Avenidas Anhanguera e Goiás. O vídeo, que acompanha textos falsos sobre inexistente ataque a apoiador de Bolsonaro, tem a logomarca do site de notícias em seu canto inferior direito.

A checagem foi feita pelo Projeto Comprova, coalizão de 24 veículos de imprensa do Brasil. O trabalho de verificação foi conduzido por uma equipe com profissionais do Gazeta Online e do UOL. Em seguida, outros jornais fizeram o "crosscheck" e concordaram com a checagem.

Carro não foi danificado por militantes de esquerda por ter adesivo de Bolsonaro
Carro não foi danificado por militantes de esquerda por ter adesivo de Bolsonaro
Foto: Reprodução

Outros jornais noticiaram a confusão no protesto do ano passado contra Temer (aqui, aqui e aqui), alvo de denúncias de corrupção. Nenhum deles faz qualquer menção ao candidato Bolsonaro ou a adesivo supostamente colado no veículo que teve os vidros destruídos. No conflito, dois manifestantes foram atropelados pela motorista que tentou seguir adiante em meio ao protesto.

No dia anterior ao ato realizado em Goiás, foi tornada pública a gravação, feita em março de 2017, de uma conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente da República. No diálogo, Joesley relatou a Temer, entre outras coisas, que estava pagando para que o ex-deputado Eduardo Cunha permanecesse calado. A resposta do presidente foi:"Tem que manter isso, viu?"

O vídeo, acompanhado do texto com a informação falsa, somente em duas contas no Twitter teve mais de 30 mil visualizações, 2,6 mil curtidas e 1,5 mil retuítes nesta semana. No Facebook, um post com o vídeo teve 1,3 milhão de visualizações, 4,5 mil curtidas e 74 mil compartilhamentos no mesmo período.

Neste post do Facebook, o ataque ao eleitor de Bolsonaro é atribuído a apoiadores de Fernando Haddad e Lula, ambos do PT. Essa informação também é enganosa, uma vez que a manifestação em Goiânia não tinha relação com a campanha eleitoral.

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