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Gazeta Online checa discurso de Carlos Manato na TV Gazeta

Confira os acertos e as informações discutíveis ou exageradas do candidato durante entrevista na TV Gazeta

Candidato ao governo do Estado, o deputado Carlos Manato (PSL) acertou, mas também cometeu erros, exageros e também passou dados discutíveis durante entrevista exibida nesta segunda-feira pela TV Gazeta.

Na sabatina, para o ESTV 1ª Edição, o parlamentar apresentou informações verdadeiras, por exemplo, sobre educação. Sobre a greve da PM no Estado, no entanto, Manato deu informações falsas ao falar dos assassinatos durante a paralisação.

Passando a limpo o discurso de Manato
Passando a limpo o discurso de Manato
Foto: Reprodução

> Leia a entrevista completa com Carlos Manato na TV Gazeta

O Gazeta Online checou as declarações do candidato. Confira o resultado:

Os militares são uma categoria que se aposenta com 35 anos de trabalho

Em 2007, o Espírito Santo aprovou uma mudança na previdência dos militares. Policiais e bombeiros que entraram no serviço público a partir dessa data passaram a ter que trabalhar cinco anos a mais, totalizando 35 anos de contribuição. Diante disso, consideramos a informação de Carlos Manato verdadeira, mas a nova legislação não atingiu todos que estavam na ativa na época da sanção da Lei Complementar 420. Apenas os profissionais que aceitaram trocar os vencimentos baseados no soldo e nas gratificações para a remuneração por subsídio foram alcançados pela nova regra.

Segundo o candidato, ao falar sobre as mudanças na Previdência, ele quis mostrar que já houve alteração nas regras da aposentadoria dos militares, aumentando o tempo de trabalho, não sendo possível na entrevista explicar todas as normas previdenciárias. 

Se a greve é proibida pela Constituição, eu sou contra. Mas eu não participei do movimento que começou com as mulheres lá em Feu Rosa, por condições de trabalho do marido delas, que não tinha colete para ir trabalhar, não tinha bala, não tinha gasolina. Isso criou uma revolta dentro delas

Segundo o candidato, o movimento grevista da Polícia Militar, em fevereiro do ano passado, começou com mulheres de PMs, em Feu Rosa. Apesar do primeiro ponto de protesto realmente ter sido no bairro, o Ministério Público Federal, que investiga quem estava por trás da greve, discorda da visão de Manato.

A Procuradoria da República no Espírito Santo ajuizou, em agosto deste ano, ação civil pública contra quatro associações de militares. O órgão acusa as organizações de terem usado familiares de PMs e bombeiros para bloquear os portões das unidades de polícia.

Em depoimentos prestados ao Ministério Público Federal, no inquérito civil público nº 2017.0005.4585-58, os participantes do movimento paredista afirmaram que as associações, durante a greve, forneciam barracas, água, alimentação, além de apoio logístico aos manifestantes.

Reportagem publicada em 3 de dezembro de 2017, em A GAZETA, revelou também que as tendas usadas em frente a um dos batalhões fechados pelos parentes dos militares foram pagas por uma associação de militares. A matéria se baseou em inquérito conduzido pela 26ª Promotoria Cível de Vitória.

Diante das investigações que apontam as associações como organizadoras da paralisação da PM, consideramos que a declaração do Manato é discutível.

Procurado para explicar a frase, o deputado diz que matérias publicadas na imprensa na época contam a história de greve orquestrada pelos familiares. "Algumas mulheres começaram o movimento, que foi só crescendo. Elas começaram a se rebelar e o protesto foi ganhando força."

Pelo PNE, até 2025 50% das escolas terão que ser em tempo integral

O Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu, entre outras metas, aumentar a oferta de escolas em tempo integral no país, chegando a pelo menos 50%, até 2024. No Espírito Santo, o Plano Estadual de Educação (PEE), formulado a partir do PNE, prevê que essa meta seja alcançada em 2025. No ano de 2016, o percentual de escolas públicas com matrículas em tempo integral no Estado era de 40,11%. Assim, a declaração do candidato é verdadeira.

90% deles foram bandidos, queima de arquivo, queima de quadrilha. Não foi problema da Polícia Militar. Não tem nenhum crime imputado ao policial militar

 Levantamentos feitos junto à Justiça indicam que metade dos que foram assassinados durante a greve não respondia por crimes. Dos 192 nomes identificados pela reportagem do Gazeta Online, na época em que a paralisação completou seis meses, 51,1% não tinham processos na Justiça. Portanto, a declaração do candidato foi considerada falsa.

Ao ser informado da checagem, o deputado disse que não tinha conhecimento desse levantamento, e que usava como referência números apresentados, extraoficialmente, durante audiências na Câmara Federal sobre a greve. 

Tem a (anistia) administrativa que foi a Assembleia que aprovou, não fui eu, porque não sou deputado estadual. A Assembleia aprovou e deu a oportunidade para o governador sancionar. Eu vou sancionar o que a Assembleia aprovou, por respeito

A Assembleia Legislativa aprovou, no dia 28 de agosto, a indicação 734/2018, e não um projeto de lei para dar anistia ao policiais militares que fizeram greve. Isso significa que os deputados decidiram sugerir ao governo a criação de um projeto para dar a anistia, pois cabe ao Executivo a iniciativa de apresentar a proposta. A indicação da Assembleia não chegou à Procuradoria Geral do Estado (PGE) para eventual análise e, da Casa Civil, a reportagem do Gazeta Online não obteve retorno. De toda maneira, a declaração do candidato foi considerada exagerada porque não se trata de um projeto de lei aprovado e, assim, não depende de sanção do governo.

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