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Presidenciáveis falam sobre oficialização de Haddad como candidato

Para Alckmin, 'acabou a enganação', e Marina disse que agora o partido vai ter que se explicar

Fernando Haddad
Fernando Haddad
Foto: Reprodução | Instagram

Alguns dos principais candidatos à Presidência comentaram a confirmação do nome do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como substituto de Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do PT. O anúncio foi feito nesta terça-feira, último dia do prazo para a troca de nomes na chapa após a impugnação da candidatura de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa.

Para Geraldo Alckmin (PSDB), a aprovação da candidatura de Haddad coloca um ponto final em uma "enganação" promovida pelo PT nesta eleição. "Parou a enganação. É inacreditável o que o PT fez esse tempo todo sabendo que o Lula não seria candidato e com dois objetivos. O primeiro é vitimização e o segundo é proteger o Haddad", afirmou Alckmin, que desconversou sobre o novo cenário eleitoral e os reflexos da entrada de Haddad na disputa para sua candidatura:

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"Não tem adversário difícil nem fácil. O que todo candidato tem que fazer é dialogar com o eleitor".

Já Marina Silva, candidata da Rede, foi ainda mais dura. Segundo ela, agora que está confirmado na chapa, Haddad terá de explicar não apenas o que pretende fazer se eleito, mas o que foi feito pelo partido quando estavam no governo.

"Agora a população sabe quem são os candidatos e cada um vai ter de expor, além de suas propostas, seus propósitos. Além de dizer o que vai fazer, vai ter de explicar o que fez. Há 13 milhões de desempregados como herança do governo Dilma-Temer", disse Marina.

A candidata da Rede também não economizou críticas a seu outro adversário, o tucano Geraldo Alckmin, que segundo ela está coligado com os mesmos partidos que apoiaram a candidatura de Dilma em 2014. "O PSDB também faz parte desse condomínio. Não acredito que o Centrão vai substituir a consciência da população", afirmou.

Já Ciro Gomes, do PDT, disse que falta competitividade a Fernando Haddad. Durante caminhada em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, o pedetista acrescentou que o candidato do PT deve ter "dificuldades" para dar as repostas que o país precisa.

"Há menos de dois anos, o Lula e eu apoiamos o Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo, buscando sua reeleição, e tivemos uma decepção profunda. Porque o Haddad não só perdeu para o João Dória, que é um grande farsante, mas perdeu para os votos nulos e brancos", afirmou.

Ciro lembrou que a esquerda no país segue dividida desde que ele não cedeu às imposições da "burocracia do PT", que o convidou para ser candidato a "vice de araque" a uma chapa que, em sua definição, é uma "farsa" e "tentativa de fraude". Ele classificou ainda como oportunista a chapa formada pelo PT, que se aproveitou da gratidão de parte do eleitorado a Lula.

"Fui convidado a exercer esse papelão aí, de candidato a vice de araque para amanhã ser escolhido, na frustração do povo, pela não candidatura do Lula. Não é assim que se constrói uma liderança para um país em sofrimento, caos, em dificuldades tão graves", disse.

O nome de Haddad foi aprovado por unanimidade pela executiva nacional do PT, que se reuniu em um hotel de Curitiba, cidade onde Lula está preso desde 7 de abril. Na reunião, foi lida uma carta do ex-presidente endereçada à direção do partido, em que ele sugeria que a sigla indicasse Haddad como seu substituto.

Com a mudança, Manuela D´Ávila, do PCdoB, foi confirmada como vice de Haddad. Os petistas pretendem fazer um anúncio público, ainda na tarde desta terça-feira (12), em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal.

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