Notícia

Eles foram bem votados, mas não garantiram vaga para ser deputado

Com as regras da votação proporcional, nem sempre os mais votados garantem uma vaga; entenda

Neucimar Fraga foi prefeito de Vila Velha e não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados
Neucimar Fraga foi prefeito de Vila Velha e não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados
Foto: Adoryan Boechat

Nas últimas eleições com a possibilidade de coligações entre os partidos na disputa pelas vagas no sistema proporcional, para deputados federais e deputados estaduais, dois candidatos à Câmara dos Deputados e oito candidatos à Assembleia Legislativa ficaram dentro do número de vagas – 10 e 30, respectivamente –, mas não levaram a cadeira.

Na eleição de deputado federal, Neucimar Fraga (PSD) e Lelo Coimbra (MDB), políticos tradicionais e presidentes de seus partidos, foram o 9º e o 10º mais votados, mas suas coligações não alcançaram votos suficientes para que eles vencessem.

Os candidatos Lauriete (PR) e Evair de Melo (PP), por sua vez, tiveram votação menor do que a de Neucimar e Lelo, e conseguiram se eleger.

A distribuição das vagas ocorre de acordo com o quociente eleitoral. Este é um número calculado pela divisão do total dos votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis. Este ano, o quociente do Estado, para deputado federal, foi de 193,3 mil votos. Isso significa que cada um dos 4 partidos e 7 coligações que entraram na disputa precisavam obter pelo menos esta quantidade de votos para conseguir eleger uma cadeira.

No entanto, uma mudança na legislação eleitoral, em 2015, impactou neste resultado: as normas relativas às sobras, que são as vagas não preenchidas na primeira divisão matemática.

Antes, apenas as coligações que atingissem o quociente podiam disputar as sobras. Agora, todos entram na briga. No caso da eleição para a Câmara, o PT, com Helder Salomão se beneficiou da nova regra, pois o partido, que não se coligou, não atingiu o quociente.

Neucimar Fraga, que foi bem votado, mas ficou de fora, criticou esta nova norma. "Essa mudança possibilitou que partidos que tiveram baixo desempenho, em casos excepcionais, consigam eleger candidatos da sua legenda que tenham obtido votação expressiva", comentou.

Segundo ele, os próprios caciques partidários se surpreenderam com a composição da próxima bancada.

"O fenômeno Bolsonaro (PSL) ajudou muito quem estava na corrente, e esvaziou candidaturas tradicionais. Faltou voto pessoal, e voto na coligação, ficamos aquém do esperado", analisou.

 

ESTADO

Na composição da Assembleia Legislativa, oito candidatos ficaram entre os 30 mais votados e não entraram, enquanto no pé da lista dos eleitos houve candidatos da 47ª e 49ª colocação.

O quociente eleitoral foi de 64,9 mil votos em 13 partidos ou coligações. Entre os destaques daqueles que não se elegeram, mas tiveram uma boa votação, estão Devanir Ferreira (PRB) e André Garcia (MDB).

Devanir teve 7.706 votos a mais do que Emílio Mameri (PSDB), que foi eleito. "Não houve erro de cálculo, nossos votos ficaram dentro da margem que esperávamos. Com a reforma política, esperava-se que íamos acabar com esse efeito, mas foi uma falsa mudança. Não é o povo que escolhe, é o sistema eleitoral que define quem ganha", afirmou.

 

Ver comentários