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Entenda as ideias de Bolsonaro e Haddad sobre reforma da Previdência

Candidato do PSL propõe flexibilização da reforma; já o do PT fala em corte de privilégios

Previdência: reforma tem sido um dos temas discutidos neste segundo turno
Previdência: reforma tem sido um dos temas discutidos neste segundo turno
Foto: Vitor Jubini

Considerado pelo mercado um presidenciável mais adepto às reformas, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) deu sinais de que quer flexibilixar a proposta de mudança na Previdência apresentada por Michel Temer (MDB) e de que vai propor uma reforma mais branda. Avaliando que o projeto atual não passará na Câmara, ele falou em um texto “mais consensual” que, para especialistas, pode não resolver o déficit do sistema.

“Acredito que a proposta do Temer como está, se bem que ela mudou dia após dia, dificilmente será aprovada. A proposta deve ser mais consensual”, disse Bolsonaro em entrevista à Band. Segundo o candidato, em seu eventual governo as mudanças previdenciárias serão tratadas “vagarosamente”. “Se você fizer com calma e devagar, você chega lá”, afirmou.

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Na avaliação do militar, o grande gargalo da Previdência é o serviço público. Sem detalhar muito sua proposta, ele citou a ideia de estabelecer uma idade mínima de 61 anos (menor que a proposta atual, de 62 anos para mulheres e 65 para homens). “Um homem do serviço público se aposenta hoje com 60 anos. Vamos botar 61. Você aprova. Se você botar 65 logo de cara, você não vai aprovar porque a esquerda vai fazer uma campanha enorme, dizendo, por exemplo, que no Piauí a expectativa de vida é de 69 anos de idade.”

Também na terça-feira (09), o coordenador político de sua campanha, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), já havia declarado que a reforma de Temer não faz parte do programa de governo de Bolsonaro e que a base dele não deve se movimentar, caso seja eleito, para a aprovação do texto ainda neste ano.

“Não tem no plano, não tem nas conversas”, disse. “O Jair não era a favor dessa reforma e a maioria das pessoas que o apoiaram não são a favor dessa reforma porque ela é ruim. É uma porcaria e não resolve nada.”

PRIVILÉGIOS

 

Apesar da resistência de setores do partido, Fernando Haddad (PT) afirmou que o tema não é um tabu e que pretende fazer uma reforma da Previdência com corte de privilégios.

“Todos os auxílios que extrapolam o teto terão que ser cortados. O teto constitucional terá que ser respeitado”, disse ontem ressaltando que buscará uma convergência entre os regimes próprios da União, dos Estados, do DF e dos municípios com o regime geral.

Também sem detalhamento, o candidato citou no debate da TV Globo na quinta-feira (27) que tiraria da discussão da idade mínima quem ganha até uma determinada faixa de renda e o trabalhador rural.

NÃO RESOLVE

 

Na avaliação do economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Paulo Tafner, nenhum dos dois candidatos acenou ainda com uma proposta que mereça o nome de reforma. Para ele, apenas as ideias faladas não resolvem o problema.

“São apenas ideias e ainda muito vagas e incipientes. Tem se evitado falar disso pela campanha. Parece haver uma convergência na avaliação dos candidatos de combater privilégios, que é um problema. Mas do ponto de vista fiscal o maior é o regime geral. Apenas mexer em privilégios é pouco, não resolve. Tem que atacar todos os problemas”, analisou.

ENTENDA

A proposta atual

Parada hoje na Câmara, a proposta de reforma da Previdência prevê a elevação da idade mínima para 62 anos para mulheres e 65 para homens para trabalhadores da iniciativa privada e servidores, com regra de transição de 20 anos, com tempo de contribuição de 40 anos.

A ideia de Bolsonaro

O candidato quer uma reforma mais branda, com idade mínima em 61 anos, mas não explicou se isso seria para homens e mulheres e valeria para servidores e pessoas do setor privado. Ele pretende excluir militares da reforma.

A ideia de Haddad

Sem especificar uma idade mínima, a candidato já falou em tirar da discussão quem ganha até uma determinada faixa de renda e trabalhadores rurais. Ele também já falou em combater privilégios e auxílios que extrapolam o teto constitucional.

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