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Haddad volta a criticar ausência de Bolsonaro em debates: 'Covarde'

Em entrevista a rádio, petista disse que deputado federal não produziu nada em 28 anos

O candidato à presidência da República, Fernando Haddad, durante coletiva para a imprensa internacional, no Hotel Slavieiro
O candidato à presidência da República, Fernando Haddad, durante coletiva para a imprensa internacional, no Hotel Slavieiro
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, voltou a atacar o seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), por evitar a participação em debates no segundo turno. Em entrevista concedida à rádio "CBN" e ao site "G1", Haddad chamou o deputado federal de covarde e lembrou que, durante toda a passagem de Bolsonaro pelo Congresso Nacional, o capitão da reserva aprovou poucos projetos.

- Ele é um covarde que, durante 28 anos, não fez nada pelo país. Nada. 28 anos recebendo salário, vários assessores. Nenhum trabalhou. 28 anos pagando um gabinete inteiro, nada de resultado e nenhum projeto - disse.

Nesta semana, Bolsonaro confirmou que não participará de nenhum debate na última semana antes da eleição, incluindo o debate da Rede Globo, na sexta-feira, considerado o mais importante.

Durante a entrevista, Haddad repetiu o discurso de que Bolsonaro é um "soldadinho de araque". Segundo o petista, seu adversário, por si só, não dá medo, ao contrário daquilo que estaria por trás do deputado federal.

Temos mais uma semana e vamos virar essa eleição porque ele representa tudo que está saindo dos porões. Por que ele não está aqui para me enfrentar? Por que não está aqui para falar na minha cara as mentiras que ele fala por WhatsApp?
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência

O petista afirmou que, entre os grupos de interesses que apoiam Bolsonaro, estão o governo Temer, a bancada da bala, fabricantes de arma, empresas interessadas no petróleo brasileiro e na base militar de Alcântara, além de Steve Bannon, ex-estrategista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Haddad, Bannon foi o responsável por criar a estratégia de fake news nos Estados Unidos e passou dez dias no Brasil prestando assessoria para Bolsonaro.

HADDAD DEFENDE O PT

O candidato Fernando Haddad voltou a admitir erros do PT durante a entrevista. O ex-prefeito de São Paulo, no entanto, disse que a situação do partido é melhor do que a das eleições municipais de 2016. Segundo ele, dos três principais partidos após a redemocratização, o PT foi o que teve o melhor desempenho no primeiro turno.

- Não está uma maravilha, mas não está como em 2016, que foi realmente nosso pior ano. Quem sobreviveu? O PT. Fez a maior bancada da Câmara, elegeu três governadores, colocou um candidato no segundo turno - disse.

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Haddad, contudo, admitiu que a situação ainda não é ideal e que o partido precisa voltar a convencer sobretudo os eleitores da periferia, onde a sigla teve um desempenho ruim no primeiro turno.

Entre os erros cometidos pelo partido, Haddad foi menos incisivo em relação à postura da sigla em relação à Venezuela. Segundo o petista, a discussão gira em torno de sua proposta e a de Bolsonaro para o país. De acordo com ele, o PT defende uma saída democrática para a crise venezuelana, enquanto auxiliares de Bolsonaro defendem uma guerra com o vizinho.

- A minha proposta é recriar o grupo de amigos da Venezuela e encontrar com situação e oposição uma saída democrática. A alternativa a isso que está colocada na mesa é que nós vamos intervir militarmente na Venezuela. Isso é ridículo, uma bobagem. Mandar jovens brasileiros para o campo de batalha em território vizinho. É isso que está na mesa e dá a impressão que não - afirmou.

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