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Lideranças do PT no ES reagem com preocupação à eleição de Bolsonaro

Iriny Lopes diz que novo governo será um desastre e João Coser defende avaliação interna para discutir o futuro do partido

João Coser, presidente estadual do PT
João Coser, presidente estadual do PT
Foto: Gazeta Online

As lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) no Espírito Santo reagiram com preocupação ao resultado das eleições presidenciais que levaram Jair Bolsonaro (PSL) ao mais alto cargo executivo do país. O novo presidente eleito derrotou Fernando Haddad (PT) no segundo turno com mais de 55% dos votos, e tomará posse em 1º de janeiro de 2019. No Estado, 63% do eleitorado votou em Bolsonaro.

Para o presidente estadual da legenda, João Coser, é necessário fazer uma avaliação interna para discutir o papel do partido nos próximos tempos. Coser disse que o PT “tem um projeto de país, apresentado por Haddad durante a campanha”.

“Tenho a impressão de que tudo passará por uma profunda avaliação. Agora precisamos focar para frente, tocar o trabalho. Vamos cumprir nosso papel, fazendo críticas e sugestões. Nossa preocupação é com o desenvolvimento, com emprego, com inclusão social, com o destino no Brasil”, afirmou.

Reeleito para uma vaga na Câmara e agora o único petista a integrar a bancada capixaba, o deputado federal Helder Salomão confirmou que fará oposição com foco nos interesses do Espírito Santo. "Jair Bolsonaro tem pouco apreço pela democracia, por isso estaremos vigilantes. Faremos oposição e vamos lutar por todas as questões a favor do Estado. Este será meu foco", falou.

"NÃO GOSTO DE AUTORITARISMO"

Única petista eleita para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), Iriny Lopes afirmou ter recebido a notícia da eleição de Bolsonaro “com uma ponta de tristeza”. Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres durante o primeiro mandato do governo Dilma, Iriny demonstrou preocupação com a possível perda de direitos.

“Conheço bem a história do país, e sei que a sociedade e os trabalhadores sempre conseguiram superar os momentos de dificuldade. Digo isso porque acho que o governo dele (Bolsonaro) será um desastre e prejudicará profundamente pessoas pobres, mulheres, negros e a comunidade LGBT”, declarou.

A deputada estadual garantiu que sua atuação na Ales estará alinhada com os movimentos sociais e será pautada pelo diálogo. “Me manterei fiel aos responsáveis pela minha eleição, porque não me coloquei como alguém que não sou. Me mostrei exatamente do meu jeito: não sou de direita, não gosto de autoritarismo e não estarei ao lado de quem se dobrar a um governo autoritário”, concluiu Iriny.

Preso e torturado durante a ditadura militar, Perly Cipriano é um dos fundadores do PT no Estado, e disse que o partido “fará oposição a Jair Bolsonaro desde o primeiro dia”. Para Perly, as pessoas votaram no candidato do PSL por não terem noção exata do ele representa.

“O mundo inteiro assiste perplexo a essa eleição. Nossa oposição vai reunir o povo. É uma visão racista, machista, homofóbica e autoritária. Eu fui preso, condenado e torturado, fiz oposição à ditadura desde o primeiro até o último dia, por ter a convicção de que a democracia é o melhor sistema que temos”, salientou.

 

 

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