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Erosão castiga litoral de Marataízes e Conceição da Barra no ES

Em Marataízes, os moradores chegaram a fazer um protesto; comerciantes já não sabem o que fazer

Foto: TV Gazeta Sul

Comerciantes e moradores de Lagoa Funda, em Marataízes, reclamam de prejuízos e já não sabem o que fazer após parte da orla ficar destruída por causa da força do mar. Uma obra de contenção chegou a ser feita há um ano e meio, mas o problema da erosão não foi resolvido. Até o momento, mais de R$ 7 milhões foram investidos no local, mas a administração busca verba para uma solução definitiva.

Tânea Fontoura, 46 anos, é dona de uma pousada a 100 metros da praia. Ela contou que a erosão começou em 2011, mas se agravou em 2015 e, desde então, só tem piorado. 

“Ali tinha uma faixa enorme de areia, tinha dois parquinhos, um local para jogar bola. O verão todo a gente tinha movimento, sempre começava em dezembro e até depois do carnaval estava cheio. Fazíamos uma média de nove retiros por ano e, agora, só fazemos dois o ano inteiro. O faturamento caiu 95% após a erosão da orla”, contou.

Os moradores da região chegaram a fazer um protesto há duas semanas cobrando a melhoria da orla.

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Na ocasião, o gerente administrativo Rogério Carletti disse que não aguentava mais a situação. "Nós estamos cansados dessa peregrinação, dessa humilhação que nós aqui da comunidade da Lagoa Funda estamos passando. Isso é um descaso que estão fazendo com a comunidade. Isso está abandonado, já tem seis ou sete anos que ninguém vem aqui fazer nada. Promessa em cima de promessa, paliativo em cima de paliativo”, desabafou.

No local já foram feitos dois serviços paliativos pela atual administração com recursos próprios. Já na administração anterior foram colocadas pedras no local para tentar conter a força do mar. O investimento foi de R$ 7 milhões.

O OUTRO LADO

Por meio de nota, a prefeitura de Marataízes informou que elaborou um decreto de emergência em toda orla do município de Marataízes, especialmente compreendida pela orla de Lagoa Funda, afetada pela erosão marítima.

Disse ainda que já existe a abertura de crédito extraordinário no valor de R$ 3.650.156,24 e no momento aguarda providências por parte das secretarias envolvidas providências junto ao Ministério da Integração Nacional - Secretaria Nacional de Defesa Civil.

A administração garantiu que no momento o município busca recursos financeiros junto aos órgãos estaduais e federais para solucionar o problema da orla de Lagoa Funda. O prefeito esta com viagem marcada para Brasília no dia 19 de fevereiro para buscar recursos.

MURO EM GUARAPARI

Em Guarapari, antes do verão, a construção de um muro de arrimo foi realizada de forma emergencial, em menos de 4 meses, após a orla de Meaípe ter sido destruída nas ressacas do mar em agosto do ano passado. Um investimento de quase R$ 600 mil, com mais de 300 metros de extensão, dentro dos critérios técnicos necessários e com material de qualidade. Além da construção do muro de arrimo, no local foi realizada a recuperação da Avenida Beira Mar, também avariada na ocasião.

EROSÃO EM CONCEIÇÃO DA BARRA

Depois da região da Bugia, destruída com o avanço do mar e atualmente restaurada, é a vez da praia de Guaxindiba, em Conceição da Barra, Norte do Espírito Santo, no lado oposto, a sofrer com o problema. De acordo com o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, Jalmas Ferreira Greis, a erosão já está a 60 metros da Avenida Atlântica, a principal do bairro.

"A gente passa um período de certa estabilidade e depois volta novamente a situação. Pelo histórico normal da erosão, a estabilidade ocorre de dezembro até fevereiro. Em março, a água começa a escavar novamente. Até setembro, é o período mais dinâmico. A previsão é que vamos ter problemas graves, sérios, difíceis com a erosão da praia de Guaxindiba", explicou.

Além da orla, o Rio Cricaré enfrenta uma grave erosão que, segundo Greis, já provocou desabamento de residências, fazendo com que famílias deixassem as suas casas, e ameaça interromper a estrada que liga Guriri, em São Mateus, às localidades de Meleiras e Barreiras. "A água já está no limite da estrada, que pode ser interrompida a qualquer momento".

A erosão marinha também aumentou o canal por onde deságua o Rio Cricaré. Greis informou que, no final da década de 80, o canal tinha de 100 a 200 metros de largura e de 2 a 3 metros de profundidade. Hoje, não se fala mais em canal, e sim "boca da barra". A largura aumentou para 800 metros. Já a profundidade diminuiu. Em algumas localidades, não passa de 30 centímetros. Isso contribui para deixar a água do rio salgada.

"No período de estiagem no Estado, entre 2015 e 2017, a água do Rio Cricaré foi reduzida. Isso, somado ao processo erosivo na margem do rio, provocou a invasão da água salgada no leito do rio. Foram mais de 35 metros de água salgada rio acima. Se não chover, a força da maré empurra a água do rio e volta a salinização. E o rio é fonte principal de sobrevivência das famílias ribeirinhas", alertou.

Greis disse que, em dezembro do ano passado, a Defesa Civil estadual fez uma vistoria de toda a orla da praia de Guaxindiba. Em março, o município vai encaminhar o resultado para o Governo do Estado pedindo uma intervenção. Sobre o Rio Cricaré, o coordenador da Defesa Civil disse que foi instaurado um processo e os dados relativos ao rio também serão enviados ao Governo estadual.

"Nos dois casos, foi constatado que o processo erosivo é grave. O município não tem condições técnicas e financeiras para solucionar o problema. Acredito que nenhum município que enfrenta um processo erosivo tenha como enfrentar esse problema".

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