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Caso Jane Cherubim: resultado de perícia pode definir novos passos

"Pedimos urgência. Isso está sendo feito em Vitória. Se aparecer que ele (Jonas) está vivo, não vamos pedir os cães. Isso seria para localizar o cadáver", explicou o delegado

Jonas Amaral
Jonas Amaral
Foto: Reprodução/Instagram

A Polícia Civil pediu urgência nos resultados das perícias feitas até o momento no caso Jane Cherubim — vendedora espancada quase até a morte pelo namorado no Caparaó capixaba no dia 4 de março. O delegado que está à frente do caso, José Maria Simão, diz que um destes laudos, de imagem, pode definir os próximos passos da investigação.

O crime aconteceu na localidade de Pedra Menina, município de Dores do Rio Preto, no Espírito Santo. O então namorado da vítima, Jonas do Amaral, está foragido desde o dia 5. No início desta semana, a defesa da família do acusado fez um pedido à Secretaria de Estado da Segurança (Sesp) para que fossem realizadas, com auxílio de cães farejadores, novas buscas na região, pois acreditam que ele possa estar morto ou tenha sido assassinado.

> Jane Cherubim: polícia pede cães farejadores para buscas por Jonas

O pedido, porém, ainda não foi realizado segundo o delegado José Maria Simão. “Estamos esperando o resultado de uma perícia para ver nas imagens do local se é ele ou não fugindo. Pedimos urgência para a polícia. Isso está sendo feito em Vitória. Se aparecer que ele está vivo, não vamos pedir os cães. Isso seria para localizar o cadáver. Esta perícia é uma condicional para isso”, disse o delegado.

Outra perícia aguardada pela polícia é análise do interior dos veículos, em busca de vestígios de sangue e DNA de Jonas do Amaral e da vítima. Este trabalho aconteceu em Guaçuí, no último dia 12. “Trabalhamos com fatos e não podemos ficar especulando. Esperamos coisas concretas. Hoje, a polícia ainda não tem uma linha definida, se está vivo ou morto”, comentou.

> Defesa da família de Jonas Amaral não descarta assassinato

Para o advogado da vítima, Sebastião da Silva Borges, o pedido de reforço nas buscas pelo paradeiro de Jonas do Amaral não passa de uma manobra da defesa para dispersar o foco das investigações. “Achamos isso tudo um absurdo, mas é bom que se procurem. Estão tentando inventar uma história. Acreditamos que está vivo, foragido e Jane tem medo dele voltar. A polícia está tomando providências diante de pedidos que fiz, mas ainda não posso falar quanto a isso”, revelou Borges.

JANE IDEALIZA VOLTAR À ROTINA

Ao lado de familiares, a vendedora se recupera das agressões sofridas. Ela ainda faz uso de medicação – antibióticos e analgésicos.“Hoje está bem melhor, caminhando bem na recuperação. Ainda está com olhos bastante vermelhos e com muitas marcas roxas pelo corpo”, contou o irmão Salvador Cherobin.

Ele disse que ela não começou tratamento psicológico e que chegou a receber a oferta do serviço gratuitamente por profissionais da área que se sensibilizaram com o caso. A família aguarda um desfecho rápido do caso, uma vez que Jane espera voltar à sua rotina normal o quanto antes.

Algumas pessoas da área se sensibilizaram para apoiar quanto a tratamento psicológico. Até então não temos uma resposta sobre a prisão, nada de concreto. Ela é a única prisoneira hoje. Não tem nem como ir a rua. O trabalho dela está parado, não pode voltar para a casa porque a família dele mora uma quadra atrás. Olha que transtorno, o risco! Ela cogita e pensamos todo dia como vai voltar a vida. Mas, pedimos que ela tenha paciência, confiar na polícia que vão encontrar ele
Salvador Cherobin, irmão de Jane

Apesar da defesa de Jonas levantar a hipótese que ele esteja morto, a família de Jane acredita no contrário. “Isso para gente não passa de uma jogada de defesa até mesmo muito suja, sem responsabilidade. Não existe isso. Temos as imagens dele descendo com o carro do local. Estão tentando construir uma história que não existe. Acreditamos que ele está vivo e foragido da Justiça. Deveria honrar e assumir o que fez. Ir perante a Justiça responder. É o mínimo que poderia fazer”, disse Salvador.

A reportagem tentou contato com a defesa de Jonas do Amaral, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

O CRIME

Jane Cherubim, espancada, torturada e abandonada em uma estrada na região do Caparaó, Espírito Santo. As imagens foram cedidas pela família
Jane Cherubim, espancada, torturada e abandonada em uma estrada na região do Caparaó, Espírito Santo. As imagens foram cedidas pela família
Foto: Arquivo Pessoal

04/03

A vendedora Jane Cherubim, de 36 anos, foi espancada às 3 horas da madrugada, após sair do local de trabalho com o namorado Jonas Amaral, de 34 anos. Após a agressão, foi largada em uma estrada de Dores do Rio Preto. Por volta de 5h20 da manhã, foi encontrada pelos irmãos, seminua, desmaiada e torturada. Foi levada para um hospital de Carangola (MG). Depois de espancar a namorada, Jonas enviou um áudio por aplicativo para a sogra.

OUÇA

05/03

- Em recuperação no hospital, Jane conseguiu falar e confirmou que foi espancada pelo namorado.

- Justiça decretou a prisão do vendedor Jonas do Amaral, companheiro de Jane, acusado de tê-la espancado. Ele vai responder pelo crime de tentativa de feminicídio.

06/03

- Jane já respirava sem aparelhos, conseguiu falar aos poucos, e permanecia muito inchada devido ao espancamento, ainda sem conseguir abrir os olhos. Em desabafo com a mãe, ela temia que o agressor entrasse no hospital.

- O pai de Jonas disse à Polícia que o rapaz telefonou para ele logo após cometer o crime, dizendo que "sua vida não valia mais nada".

07/03

- A Polícia de Minas Gerais foi alertada para ajudar na localização de Jonas. Fotos de Jonas e a cópia do mandado de prisão foram distribuídas por várias equipes. Uma equipe foi checar uma denúncia em Pedra Menina, mas não obteve sucesso na prisão.

- A família de Jonas ajudou nas buscas do vendedor, que segue foragido da Justiça. Grupo de 40 pessoas se reuniu para procurá-lo na estrada que dá acesso ao Parque Nacional do Caparaó e nas proximidades.

- A Polícia acreditava que Jonas possa ter tido ajuda para fugir.

- No hospital, Jane se levantou da cama pela primeira vez e se viu no espelho.

08/03

- Jane apresentou significativa melhora no quadro clínico, e seguia internada.

- Força-tarefa da Polícia do Espírito Santo e de Minas Gerais foi organizada para localizar Jonas Amaral.

- A Polícia afirma que iria pedir a prisão temporária do pai e do irmão de Jonas, suspeitos de terem alterado a cena do crime e ajudado o suspeito a fugir.

- Jane recebe a visita do advogado e do delegado, presta depoimento à polícia, chora muito, e passa mal em seguida, após relembrar o crime.

09/03

- No hospital, Jane continuava a ter vômitos e dores de cabeça, após ter prestado depoimento no dia anterior.

- O pai, o irmão e um amigo de Jonas foram ouvidos na Delegacia Regional de Alegre durante três horas. Polícia desiste de pedir a prisão deles.

- O advogado da família de Jonas acompanhava novos depoimentos prestados, e afirmou que os parentes do vendedor está sofrendo perseguição e ameaças na cidade de Espera Feliz (MG).

- A Polícia Civil pede para a delegacia de Imigração da Superintendência da Policia Federal do Espírito Santo travar a saída do vendedor Jonas Amaral nos aeroportos de todo país.

10/03

- Cerca de 50 pessoas fizeram passeata em Espera Feliz, Minas Gerais, cidade de Jane Cherubim, pedindo justiça e respeito a todas as mulheres. Familiares da vendedora também participaram.

- Jane Cherubim recebe alta hospitalar e vai para casa com familiares.

13/03

A Polícia Civil não descarta a possibilidade do vendedor Jonas Amaral, de 34 anos, estar morto. “Diligências estão sendo feitas para verificar todas as possibilidades. Não descarto a possibilidade dele estar morto, mas acredito que ele está vivo e se escondendo” disse.

Também nesta quarta, Jane Cherubim, 36 anos, prestou um terceiro depoimento à polícia.

14/03

O delegado José Maria Simão, responsável pela investigação da agressão sofrida pela vendedora Jane Cherubim, 36 anos, informou que Jonas do Amaral, de 34 anos, pode ter cometido suicídio após agredir a vítima. Ele é considerado foragido da Justiça desde o dia 05 de março, um dia após o crime que ocorreu na localidade de Pedra Menina, em Dores do Rio Preto, na região do Caparaó.

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